A Esposa Virgem
Obs: Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.
Notas da Autora:
Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Deboha Simons A Esposa Virgem Título Original: Maiden Bride (1996) que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capítulo Quatro.
“Cullen”
"O
amor, quando se revela,
Não
se sabe revelar.
Sabe
bem olhar pra ela,
Mas
não lhe sabe falar.”
- “Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah,
mas se ela adivinhasse,
Se
pudesse ouvir o olhar,
E
se um olhar lhe bastasse
Pra
saber que a estão a amar!”
Pela
primeira vez, Edward ressentiu-se da recepção circunspecta dos moradores de Cullen.
Embora não se importasse muito com o castelo e seu povo, ele desejava que Isabella
reconhecesse seu poder e riqueza.
Esse
comportamento distante e desconfiado nunca a tinha perturbado. E nem dera
importância ao fato de eles terem se dado melhor com Emmett, o marido
extrovertido de Rosalie, lembrou-se mal-humorado.
Idiotas!
Eles não tinham razão de queixa, pois seu senhor era um homem justo e sensato.
Simplesmente não gostava de falar muito, de visitar arrendatários sem motivo ou
de permitir comemorações festivas sob qualquer desculpa como a irmã fazia desde
o casamento. Nada disso. Ele mantinha o castelo em bom estado, protegia seus
habitantes e tinha um excelente administrador. Sem dúvida, era o suficiente.
Mesmo assim, ao entrar no salão, Edward melindrou-se com o silêncio ausente na presença
de Emmett e nos tempos do pai. Ignorando-o, atravessou o aposento acompanhado
por Darius.
—
Quero um banho — declarou sem fitar as faces à volta.
—
Eu também. Sua esposa cumprirá a obrigação? Você nos forçou a uma cavalgada
longa e cansativa e eu tenho em mente um banho revigorante dado por ela — disse
o companheiro.
As
palavras de Darius levaram Edward a encará-lo com olhar feroz.
—
Não é costume de seu povo a senhora do castelo banhar seus hóspedes? — indagou
o sírio com expressão imperturbável.
—
Não a freirinha. Ela não está acostumada a tais tarefas. Além do mais, vai se
ocupar comigo — respondeu Edward, sentindo o estômago queimar ao imaginar o
corpo dourado de Darius sendo lavado por Isabella.
Olhou
para trás e a viu seguindo-o com o ar embasbacado de uma camponesa.
—
Carlisle! — chamou de maneira tão brusca que o criado quase tropeçou ao se
aproximar correndo. — Leve minha esposa para meu quarto e providencie água
quente. — Virou-se para Isabella. — Tome um banho depressa porque também quero
um e preciso de sua ajuda. — O choque em seu rosto lindo deu-lhe uma ponta de
satisfação. — E livre-se desse hábito preto. Carlisle, mande levar um dos
malões com roupas antigas de Rosalie para meu quarto. Quero minha mulher
vestida de maneira apropriada.
Enquanto
o criado a afastava depressa, Edward sentiu-se aliviado. Isabella não cuidaria
de ninguém a não ser dele. Observou-a deixar o salão e notou o leve ondular dos
quadris sob o hábito. O sangue agitou-se. Tão absorvido estava em olhar para a
mulher que nem percebeu o administrador aproximar-se para congratulá-lo pelo
casamento.
Edward
não via necessidade de explicar o acontecimento a ninguém. Por isso, aceitou os
parabéns em silêncio e impediu indagações com um olhar severo.
Ao
pensar em Isabella lavando-lhe o corpo, foi tomado por uma ansiedade repentina.
Naturalmente, a execução da tarefa seria onerosa para ela e isso explicava a
impaciência sentida.
Quando
achou ter passado tempo suficiente, Edward dirigiu-se à escada. Subiu-a de dois
em dois degraus e correu para o quarto, escancarando a porta sem bater antes.
Alarmada
com o barulho, Isabella virou-se. Terminava a toalete trançando os cabelos. Edawrd
a observou. Seus dedos eram longos e esguios e os cabelos... Por Deus! Mesmo
molhados lembravam o vermelho vivo do pôr do sol. Eram fartos e longos, a
trança alcançando a cintura.
Isabella
usava um vestido de Rosalie, verde escuro, que lhe realçava a cor dos olhos.
Mas esse era o único detalhe favorável, percebeu Edward. Feito para o corpo da
irmã quando era mais jovem, era muito curto e apertado para a esposa. A
silhueta de Isabella era muito mais bem dotada, fato escondido até então pelo
hábito disforme. Generosamente mais bem dotada, certificou-se ele ao olhar para
o decote do vestido, onde os seios se apertavam ameaçando romper as costuras.
Eriçados, os mamilos formavam dois pontos sob o tecido. Depressa, Isabella desviou
o olhar.
—
Você terá de fazer roupas que sirvam melhor — comentou numa voz rouca.
Vendo
a água do banho ainda fumegando, ele descalçou as botas.
—
Venha me ajudar a tirar a cota de malha antes que a água esfrie — ordenou.
Isabella
o atendeu no mesmo instante. Em seguida, ele livrou-se das meias e do calção e
entrou na banheira. Mas quando olhou em volta, viu a esposa de costas.
—
Ora, venha até aqui e cumpra seu dever — disse em tom irritado.
Com
os olhos falseando, ela aproximou-se e apanhou o esfregão e o sabonete.
Satisfeito com essa vitória, Edward inclinou-se para frente e Isabella começou
a esfregar-lhe as costas com força suficiente para esfolá-las.
Ele
virou-se e agarrou-lhe o pulso.
—
Cuidado, mulher, mais devagar!
Por
um longo momento, os olhos verdes o encararam com expressão de desafio, mas
finalmente baixaram em sinal de submissão. Com um gesto brusco, Isabella puxou
o pulso e curvou-se outra vez para reiniciar a tarefa.
Dessa
vez, Edward não sentiu desconforto. Na verdade, começou a apreciar o banho
imensamente.
Descontados
os meses de recuperação na Terra Santa, fazia anos que ninguém lhe dava banho.
Ele não via necessidade de se expor à curiosidade de mulheres enquanto se
banhava. Isabella era diferente, pois não flertava e nem sorria de maneira
afetada. Longe disso, pensou ao reclinar-se de costas e apreciando uma bem-vinda
e inexplicável pausa da dor de estômago.
Sem
dúvida, Isabella tinha sido uma criada deficiente, pois não escondia o
desagrado por servi-lo. Edawrd sorriu de sua expressão contrariada. Embora
tivesse admirado sua pele sedosa e clara, via agora umas poucas sardas
espalhadas pelo nariz arrebitado. Estas, entretanto, não lhe estragavam a
beleza que o atingia com força total. Isso se dava por causa da mudança do hábito
pelo vestido, ou ele nunca a observara com cuidado?
Devagar,
Edward deixou o
Devagar,
Edward deixou o olhar percorrer suas feições. Os cílios eram escuros e densos,
as faces, rosadas e pequenos caracóis secavam ao redor de seu rosto. Incrível
como Isabella se revelava tão adorável.
Os
pensamentos foram interrompidos por um puxão no braço. Ela o esticava a fim de
ensaboá-lo, mas sem dúvida tinha a intenção de machucá-lo. Ridículo tal
esforço.
Isabella
rodeou a banheira a fim de lavar o outro braço e Edward sentiu-lhe o perfume.
Era puro e inebriante como o de flores silvestres. Misturado ao vapor da água,
ele pairou no ar provocando-lhe os sentidos e roubando-lhe a tranqüilidade. O ambiente
mudou e, quando ela se curvou mais, a sensação de triunfo o abandonou. Nervoso,
ele sentiu a tentação de esticar a mão e tocar a trança grossa de cabelos
vermelhos.
Edward
baixou o olhar, mas foi pior. Isabella, agora, lhe esfregava o peito, os dedos
entrelaçando-se com os pêlos ao passar o esfregão. Respirou fundo e a viu levar
a mão para a cintura, massageando-lhe os músculos mais devagar, com mais suavidade...
Há
quanto tempo ninguém o tocava dessa forma? Edward nunca se sentira confortável
com contatos íntimos. Mesmo suas experiências com mulheres eram rápidas
seguras. Apesar disso, não sentia a costumeira repulsa agora. Aliás, uma onda
de calor espalhava-se por seu corpo, provocando-lhe a sensação...
Quando
o pulso de Isabella roçou-lhe a coxa levantada o banho relaxante transformou-se
em algo muito diferente. Uma reação repentina e inesperada o dominou. O sangue
latejou nas veias e o sexo enrijeceu. Por um momento, ele desejou apenas que os
dedos longos o acariciassem e lhe proporcionassem alívio.
—
Saia daqui! — gritou.
Não
querendo que Isabella visse a reação a seu toque, Edawrd sentou-se na banheira,
esborrifando água no chão.
—
O quê? — ela perguntou.
A
expressão de desagrado tinha sido substituída por outra de ofuscação. Sua pele
estava corada, os lábios entreabertos, e os olhos brilhavam com suavidade. Os
seios arfavam com a respiração e os mamilos marcavam a blusa apertada. Isabella
lembrava uma camponesa voluptuosa, pronta para ser amada.
—
Saia daqui! — Edward gritou novamente.
Dessa
vez, a ordem foi entendida. Ela largou o esfregão e o sabonete para, em
seguida, sair correndo. Só depois de a porta bater com estrondo, Edward soltou
a respiração presa e tentou controlar o corpo.
Quando
se acalmou, deu-se conta de que a esposa corria pelo castelo vestida de maneira
vergonhosa e descalça. Se um cavaleiro cruzasse com ela, poderia considerá-la
presa fácil. Embora não tencionasse levá-la para a cama, Edward não queria que
ninguém pusesse as mãos em propriedade sua. A simples idéia o deixava possesso.
Praguejando,
saiu da banheira e enrolou uma toalha de linho na cintura.
A
precaução habitual o abandonou ao deixar o quarto e alcançar o corredor. Nada
mais importava a não ser encontrá-la antes que alguém o fizesse. Um outro homem
poderia se sentir tentado por seu rosto lindo e pelo corpo de formas sensuais. Quanto
à própria reação, Edward punha a culpa no cansaço e nas circunstâncias fora do
comum do banho.
Negava-se
a admitir a razão mortificante de estar atraído pela mulher.
Isabella
entrou no primeiro quarto que encontrou aberto. Embora menor que o de Edward,
era tão luxuoso quanto ele. Porém, ela não admirou os móveis e tapeçarias, indo
diretamente para a janela onde havia um assento forrado com almofadas coloridas.
Sentou-se e, com as mãos no rosto, entregou-se às lágrimas.
Isabella
não havia chorado nos anos passados no convento, pois não gozava de
privacidade. Mas agora o pranto e os soluços a dominavam. Teria continuado por
muito tempo se não ouvisse uma voz estranha. Levantou a cabeça e deparou-se com
uma mulher de meia-idade, baixa e gorducha que tentava consolá-la.
—
Não chore, meu bem. As coisas não podem estar tão ruins. Conte aqui para Esme e
acabará se sentindo melhor.
O
constrangimento de Isabella dissolveu-se sob a expressão carinhosa dos olhos
castanhos da estranha. Desde a morte da mãe, ninguém a tinha consolado nos
momentos de tristeza. Instintivamente, aconchegou-se ao peito de Esme e
murmurou entre soluços:
—
Sou uma criatura grande demais, desajeitada e feia. Ele me odeia!
—
Nada disso, minha menina. E alta, mas não é gorda nem feia. Deixe eu olhar bem
para a senhora.
Tentando
reter as lágrimas, Isabella levantou-se e esperou que a mulher a examinasse,
virando-a de um lado para outro.
—
Bem, é muito diferente de minha Rosalie, mas isso não quer dizer que também não
seja adorável. Ora, seus olhos parecem esmeraldas raras. E cílios tão longos e
densos! Aposto como a cor de seus cabelos, fulgurante como uma chama, será
suficiente para provocar a paixão de um homem.
Desacostumada
a qualquer tipo de elogio, Isabella enrubesceu. Embora achasse que as palavras
de Edith tinham o propósito de consolá-la, viu-se sob uma perspectiva
diferente. De fato não era grande demais e a cor dos cabelos não passava de
algo raro e talvez até especial.
—
Mas quem foi o grande tolo que a fez se sentir feia? — Esme perguntou.
Antes
de Isabella poder responder, a porta escancarou-se e Edward apareceu.
A
toalha de linho amarrada na cintura ressaltava-lhe o corpo magnífico. De olhos
arregalados, Isabella o observou da cabeça aos pés. Sob a pele, delineavam-se
músculos nos braços, nos ombros e no peito. Deste, ela se lembrava muito bem:
liso, duro e coberto por pêlos encaracolados que, ao tocá-los, lhe provocaram
uma sensação curiosa. E abaixo, o que ela tomara tanto cuidado para não olhar
durante o banho, esboçava-se atrevidamente sob o linho fino. Enrubescendo, ela
desviou o olhar depressa.
Postando-se
à frente de Isabella, Esme quebrou o silêncio provocado pela chegada abrupta de
Edward.
—
Meu senhor! Como se atreve a andar por aí sem roupa? Ignorando-a, ele lançou um
olhar feroz para Isabella.
—
Volte para o quarto, mulher — disse em voz baixa, mas ameaçadora.
Isabella,
entretanto, ofendeu-se e em tom alterado, respondeu:
—
Você acabou de me mandar sair de lá.
—
Não grite comigo! — advertiu ele.
—
Meu senhor Edward, o que está acontecendo? — interferiu a criada.
—
Não extrapole seus limites, Esme — resmungou Edward.
—
Está tudo bem. A briga dele é comigo — Isabella disse passando para frente da
criada, mas esta continuou como se não tivesse sido repreendida:
—
Por Deus, nunca imaginei ver uma cena desta. O senhor é quem deveria estar em
seu quarto e não andar desse jeito por aí a fim de apanhar um resfriado. Lady Isabella
pode ficar aqui comigo.
—
Este quarto é de Rosalie — protestou Edward.
—
Como Rosalie tem seu próprio castelo agora, tenho certeza de que ela não se
importará com a presença de lady Isabella aqui.
Embora
parecesse ter vontade de matar as duas, Edward não se mexeu.
—
Está bem, Esme. Mas você fica responsável por ela. E, pelo amor de Deus,
arranje-lhe uma roupa decente — acrescentou com um olhar desdenhoso para Isabella.
Tão logo ele virou as costas, a criada fechou a porta.
—
Você não tem medo dele? — Isabella perguntou.
—
De lorde Edward? De jeito nenhum. Ora eu o conheço desde que ele era um bebê
manhoso. E depois de MacCarty, nada me assusta mais.
—
MacCarty?
—
Esqueça. Sente-se aqui perto do fogo, minha senhora — disse Esme ao acomodá-la
num lindíssimo banco de madeira esculpida, com espaldar alto e arca sob o
assento.
Embora
não estivesse muito frio, ela cobriu os ombros e os pés de Isabella com duas
mantas de pele. Era fácil relaxar sob os cuidados da velha mulher,
especialmente depois dos tempos trabalhosos do convento e dos dias tensos desde
o casamento. Fechando os olhos, Isabella reclinou a cabeça no espaldar do banco.
— Assim está melhor. Por onde devo começar?
Sou Esme e trabalho em Cullen desde mocinha. Servi à senhora do castelo, que
Deus a tenha, e, depois de sua morte, passei a cuidar de Rosalie, sua filha.
Surpresa,
Isabella abriu os olhos.
—
Rosalie é irmã de Edward? Pensei... Sempre ouvi falar que senhores de castelos
gostam de ter amantes.
—
Edward? Não. Ele é bem viril, mas onde gasta as energias é um mistério. Talvez
as reprima e, por isso, seja tão violento.
Achando
graça na maneira simples de a mulher falar, Isabella sorriu. Então, o marido
não tinha concubina instalada em Cullen? Sentiu uma ponta de prazer que
justificou com o fato de ter um inimigo a menos para enfrentar.
Mas
Edward tinha uma irmã. Seria tão fria e insensível quanto ele?
—
Talvez eu não devesse ficar no quarto de lady Rosalie — disse, revelando o
medo.
—
Tolice, minha menina. Ela é adulta e senhora de seu próprio castelo. Embora não
seja tão bom quanto Cullen, ela prefere morar lá — contou Esme num tom de quem
não aprovava a escolha.
Mas
Isabella não se surpreendeu com o fato. Não podia imaginar ninguém satisfeito
com a companhia de uma criatura tão desalmada quanto o marido.
—
Talvez ela, como eu, tenha medo de Edward — sugeriu.
—
Não. Rosalie não tem medo de nada. Tendo se casado com o Cavaleiro Vermelho,
ela pode enfrentar o irmão com a maior facilidade. Edward não é mau. Ele não
passava de um jovenzinho quando foi com o príncipe Aro, nosso soberano agora,
lutar na Terra Santa. Não sei o que aconteceu com ele lá. Soubemos por nosso
maldito vizinho, que Edward tinha morrido. Naturalmente, o pai ficou arrasado,
embora não demonstrasse.
Esme
fez uma pausa e dirigiu um olhar penetrante para Isabella.
—
Preste atenção, minha senhora, pois precisa saber desde já que os de Cullen são
muito frios. Exceto Rosalie, naturalmente. Eles não demonstram afeto e se
mantêm sob rígido controle. Embora não gritem quando estão bravos, não se tocam
ou se emocionam.
Com
ar triste, Esme sacudiu a cabeça antes de continuar.
—
Todavia, eles se deixam afetar pelo sofrimento. Depois de perder todos os
filhos de doença e na guerra, o velho senhor adoeceu e acabou morrendo. Foi
quando Rosalie passou a tomar conta da propriedade. Ela fez isso com
competência e até se casar com o barão de Emmett MacCarty. Este provou ser um homem
bom. Mas eu estava acostumada a morar em Cullen e, depois de Alice nascer,
voltei para cá com um novo marido.
Sorriu
e piscou para Isabella.
—
Estou adiantando a história. Só depois de o castelo ser atacado por nosso
vizinho Caius Swan, a quem o marido de Rosalie matou, foi que Edward voltou.
Todos ficaram satisfeitos e eu não fui a única a desejar que ele se casasse e
tivesse herdeiros. Infelizmente, ele mudou muito no leste. Estava mais duro e, depois
da questão com Swan, tornou-se uma sombra do que era.
Contudo,
Esme sorriu.
—
Fiquei surpresa ao ouvir Edward chamá-la de esposa. Mas depois de conhecê-la,
me convenci de que a senhora será capaz de mudá-lo. Veja só a diferença no
homem. Jamais imaginei velo correndo atrás de uma mulher, e seminu!
Riu
como se a lembrança da cena a agradasse. Isabella, entretanto, não a
acompanhou. Não esquecera o brilho raivoso nos olhos do marido. Consternada,
percebeu que a velha criada contava com sua influência sobre Edward. Seria mais
fácil conseguir-lhe a lua. Levantou o olhar e deparou-se com a expressão de
curiosidade de Esme.
—
Conte uma coisa, minha senhora. Como conseguiu atrair a atenção de Edward?
Após
um longo silêncio, Isabella respondeu:
—
Na verdade não fiz nada além de nascer. Sou sobrinha de Swan.
Mal-humorado,
Edward não prestava atenção às palavras do administrador que, durante o jantar,
relatava as atividades no castelo. Sentia o alimento como uma pedra quente no
estômago e, logo, parou de comer. Mais tarde se arrependeria, pois a dor seria
insuportável.
Pensou
na mulher jantando sozinha no quarto. Não devia perder de vista o objeto de sua
vingança. Embora tivesse deixado um soldado guardando a porta do aposento, ele
não confiava em ninguém, muito menos em Esme. A velha criada ignorava que a
freirinha seria capaz de pular pela janela sob a menor provocação mexeu-se na
cadeira. A refeição parecia interminável e não havia meio de apressá-la. Ao
longo das mesas de cavalete, espalhadas pelo salão, os moradores do castelo
continuavam a comer calmamente.
—Ainda
bem que você arranjou algo mais apresentável para vestir.
O
som da voz baixa e tão perto, sobressaltou Edward. Ele se maldisse pela falta
de atenção e virou-se para o sírio ao lado.
—
Do que você está falando?
—
Ouvi dizer que você andou correndo pelo castelo com apenas uma toalha amarrada
na cintura.
Pela
primeira vez em muito tempo, Edward corou ao lembrar- se
da perseguição à mulher.
—
Eu estaria passando frio só com aquilo — respondeu. Darius sorriu.
—
Primeiro, pensei que você estivesse usando sua roupa de emir, mas depois, soube
que era mais diminuta.
Edward
permaneceu calado. Não tinha a intenção de discutir o assunto com o sírio.
—
Disseram que você a perseguiu como um urso...
—
Chega! — Edward o interrompeu.
Se
a intenção do companheiro era provocá-lo, tinha conseguido. Observou-o e teve a
impressão de que o sírio se divertia.
—
Está achando algo engraçado, Darius?
Com
expressão impassível, o sírio negou com um gesto de cabeça. Mas Edward
continuou a encará-lo até perceber que gostaria de lutar a fim de escapar da
frustração.
Finalmente,
desviou o olhar.
—
Vou verificar as sentinelas — avisou o sírio.
Edward
sentiu alívio ao vê-lo levantar-se. Estava ficando tarde e, além de precisar
descansar, queria procurar a mulher. Isabella... O coração de Edward bateu mais
forte ao pensar no que lhe faria esta noite. Depois do acontecido no banho, não
desejava dormir com ela. Freira ou noviça, Isabella devia conhecer as manhas
femininas. Embora aparentasse inocência, ela poderia ser fascinante. E ele não
tinha a mínima intenção de tomar-se escravo de seu corpo. Ela é quem ficaria à
mercê dele.
Na
verdade, devia fazê-la dormir no chão, aos pés da cama, como uma criada
humilde. Mas sua pele era tão sedosa e delicada. Não ficaria marcada numa
enxerga dura? Talvez fosse melhor deixá-la no quarto de Rosalie.
Aborrecido
com a indecisão, Edward respirou fundo. Resolveu manter a esposa sob o olhar
dele. Isabella era esperta e audaciosa. Se ele não tomasse cuidado, acabaria
perdendo a oportunidade de exercer a vingança.
Sentiu-se
estimulado. Já tinha descoberto o maior temor da mulher e como seria fácil
atormentá-la. Ele a deixaria dormir num colchão grosso para não machucar sua
pele. Mas seria aos pés da cama onde pudesse alcançá-la.
Pela
primeira vez nessa noite, Edawrd sorriu enquanto imaginava a sobrinha de Swan
ajoelhada diante dele. Sim, seria fácil atormentá-la. Com sexo.


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