19.1.14

Adaptação: A Esposa Virgem - Capítulo Quatro.

A Esposa Virgem

Obs: Aviso legal
       Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora:
Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Deboha Simons A Esposa Virgem Título Original: Maiden Bride (1996) que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capítulo Quatro.

“Cullen”

"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.”

- “Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!”



Pela primeira vez, Edward ressentiu-se da recepção circunspecta dos moradores de Cullen. Embora não se importasse muito com o castelo e seu povo, ele desejava que Isabella reconhecesse seu poder e riqueza.
Esse comportamento distante e desconfiado nunca a tinha perturbado. E nem dera importância ao fato de eles terem se dado melhor com Emmett, o marido extrovertido de Rosalie, lembrou-se mal-humorado.

Idiotas! Eles não tinham razão de queixa, pois seu senhor era um homem justo e sensato. Simplesmente não gostava de falar muito, de visitar arrendatários sem motivo ou de permitir comemorações festivas sob qualquer desculpa como a irmã fazia desde o casamento. Nada disso. Ele mantinha o castelo em bom estado, protegia seus habitantes e tinha um excelente administrador. Sem dúvida, era o suficiente. Mesmo assim, ao entrar no salão, Edward melindrou-se com o silêncio ausente na presença de Emmett e nos tempos do pai. Ignorando-o, atravessou o aposento acompanhado por Darius.

— Quero um banho — declarou sem fitar as faces à volta.

— Eu também. Sua esposa cumprirá a obrigação? Você nos forçou a uma cavalgada longa e cansativa e eu tenho em mente um banho revigorante dado por ela — disse o companheiro.

As palavras de Darius levaram Edward a encará-lo com olhar feroz.

— Não é costume de seu povo a senhora do castelo banhar seus hóspedes? — indagou o sírio com expressão imperturbável.

— Não a freirinha. Ela não está acostumada a tais tarefas. Além do mais, vai se ocupar comigo — respondeu Edward, sentindo o estômago queimar ao imaginar o corpo dourado de Darius sendo lavado por Isabella.

Olhou para trás e a viu seguindo-o com o ar embasbacado de uma camponesa.

— Carlisle! — chamou de maneira tão brusca que o criado quase tropeçou ao se aproximar correndo. — Leve minha esposa para meu quarto e providencie água quente. — Virou-se para Isabella. — Tome um banho depressa porque também quero um e preciso de sua ajuda. — O choque em seu rosto lindo deu-lhe uma ponta de satisfação. — E livre-se desse hábito preto. Carlisle, mande levar um dos malões com roupas antigas de Rosalie para meu quarto. Quero minha mulher vestida de maneira apropriada.

Enquanto o criado a afastava depressa, Edward sentiu-se aliviado. Isabella não cuidaria de ninguém a não ser dele. Observou-a deixar o salão e notou o leve ondular dos quadris sob o hábito. O sangue agitou-se. Tão absorvido estava em olhar para a mulher que nem percebeu o administrador aproximar-se para congratulá-lo pelo casamento.

Edward não via necessidade de explicar o acontecimento a ninguém. Por isso, aceitou os parabéns em silêncio e impediu indagações com um olhar severo.

Ao pensar em Isabella lavando-lhe o corpo, foi tomado por uma ansiedade repentina. Naturalmente, a execução da tarefa seria onerosa para ela e isso explicava a impaciência sentida.

Quando achou ter passado tempo suficiente, Edward dirigiu-se à escada. Subiu-a de dois em dois degraus e correu para o quarto, escancarando a porta sem bater antes.

Alarmada com o barulho, Isabella virou-se. Terminava a toalete trançando os cabelos. Edawrd a observou. Seus dedos eram longos e esguios e os cabelos... Por Deus! Mesmo molhados lembravam o vermelho vivo do pôr do sol. Eram fartos e longos, a trança alcançando a cintura.

Isabella usava um vestido de Rosalie, verde escuro, que lhe realçava a cor dos olhos. Mas esse era o único detalhe favorável, percebeu Edward. Feito para o corpo da irmã quando era mais jovem, era muito curto e apertado para a esposa. A silhueta de Isabella era muito mais bem dotada, fato escondido até então pelo hábito disforme. Generosamente mais bem dotada, certificou-se ele ao olhar para o decote do vestido, onde os seios se apertavam ameaçando romper as costuras. Eriçados, os mamilos formavam dois pontos sob o tecido. Depressa, Isabella desviou o olhar.

— Você terá de fazer roupas que sirvam melhor — comentou numa voz rouca.

Vendo a água do banho ainda fumegando, ele descalçou as botas.

— Venha me ajudar a tirar a cota de malha antes que a água esfrie — ordenou.

Isabella o atendeu no mesmo instante. Em seguida, ele livrou-se das meias e do calção e entrou na banheira. Mas quando olhou em volta, viu a esposa de costas.

— Ora, venha até aqui e cumpra seu dever — disse em tom irritado.

Com os olhos falseando, ela aproximou-se e apanhou o esfregão e o sabonete. Satisfeito com essa vitória, Edward inclinou-se para frente e Isabella começou a esfregar-lhe as costas com força suficiente para esfolá-las.

Ele virou-se e agarrou-lhe o pulso.

— Cuidado, mulher, mais devagar!

Por um longo momento, os olhos verdes o encararam com expressão de desafio, mas finalmente baixaram em sinal de submissão. Com um gesto brusco, Isabella puxou o pulso e curvou-se outra vez para reiniciar a tarefa.

Dessa vez, Edward não sentiu desconforto. Na verdade, começou a apreciar o banho imensamente.

Descontados os meses de recuperação na Terra Santa, fazia anos que ninguém lhe dava banho. Ele não via necessidade de se expor à curiosidade de mulheres enquanto se banhava. Isabella era diferente, pois não flertava e nem sorria de maneira afetada. Longe disso, pensou ao reclinar-se de costas e apreciando uma bem-vinda e inexplicável pausa da dor de estômago.

Sem dúvida, Isabella tinha sido uma criada deficiente, pois não escondia o desagrado por servi-lo. Edawrd sorriu de sua expressão contrariada. Embora tivesse admirado sua pele sedosa e clara, via agora umas poucas sardas espalhadas pelo nariz arrebitado. Estas, entretanto, não lhe estragavam a beleza que o atingia com força total. Isso se dava por causa da mudança do hábito pelo vestido, ou ele nunca a observara com cuidado?

Devagar, Edward deixou o

Devagar, Edward deixou o olhar percorrer suas feições. Os cílios eram escuros e densos, as faces, rosadas e pequenos caracóis secavam ao redor de seu rosto. Incrível como Isabella se revelava tão adorável.

Os pensamentos foram interrompidos por um puxão no braço. Ela o esticava a fim de ensaboá-lo, mas sem dúvida tinha a intenção de machucá-lo. Ridículo tal esforço.

Isabella rodeou a banheira a fim de lavar o outro braço e Edward sentiu-lhe o perfume. Era puro e inebriante como o de flores silvestres. Misturado ao vapor da água, ele pairou no ar provocando-lhe os sentidos e roubando-lhe a tranqüilidade. O ambiente mudou e, quando ela se curvou mais, a sensação de triunfo o abandonou. Nervoso, ele sentiu a tentação de esticar a mão e tocar a trança grossa de cabelos vermelhos.

Edward baixou o olhar, mas foi pior. Isabella, agora, lhe esfregava o peito, os dedos entrelaçando-se com os pêlos ao passar o esfregão. Respirou fundo e a viu levar a mão para a cintura, massageando-lhe os músculos mais devagar, com mais suavidade...

Há quanto tempo ninguém o tocava dessa forma? Edward nunca se sentira confortável com contatos íntimos. Mesmo suas experiências com mulheres eram rápidas seguras. Apesar disso, não sentia a costumeira repulsa agora. Aliás, uma onda de calor espalhava-se por seu corpo, provocando-lhe a sensação...

Quando o pulso de Isabella roçou-lhe a coxa levantada o banho relaxante transformou-se em algo muito diferente. Uma reação repentina e inesperada o dominou. O sangue latejou nas veias e o sexo enrijeceu. Por um momento, ele desejou apenas que os dedos longos o acariciassem e lhe proporcionassem alívio.

— Saia daqui! — gritou.

Não querendo que Isabella visse a reação a seu toque, Edawrd sentou-se na banheira, esborrifando água no chão.

— O quê? — ela perguntou.

A expressão de desagrado tinha sido substituída por outra de ofuscação. Sua pele estava corada, os lábios entreabertos, e os olhos brilhavam com suavidade. Os seios arfavam com a respiração e os mamilos marcavam a blusa apertada. Isabella lembrava uma camponesa voluptuosa, pronta para ser amada.

— Saia daqui! — Edward gritou novamente.

Dessa vez, a ordem foi entendida. Ela largou o esfregão e o sabonete para, em seguida, sair correndo. Só depois de a porta bater com estrondo, Edward soltou a respiração presa e tentou controlar o corpo.

Quando se acalmou, deu-se conta de que a esposa corria pelo castelo vestida de maneira vergonhosa e descalça. Se um cavaleiro cruzasse com ela, poderia considerá-la presa fácil. Embora não tencionasse levá-la para a cama, Edward não queria que ninguém pusesse as mãos em propriedade sua. A simples idéia o deixava possesso.

Praguejando, saiu da banheira e enrolou uma toalha de linho na cintura.

A precaução habitual o abandonou ao deixar o quarto e alcançar o corredor. Nada mais importava a não ser encontrá-la antes que alguém o fizesse. Um outro homem poderia se sentir tentado por seu rosto lindo e pelo corpo de formas sensuais. Quanto à própria reação, Edward punha a culpa no cansaço e nas circunstâncias fora do comum do banho.

Negava-se a admitir a razão mortificante de estar atraído pela mulher.

Isabella entrou no primeiro quarto que encontrou aberto. Embora menor que o de Edward, era tão luxuoso quanto ele. Porém, ela não admirou os móveis e tapeçarias, indo diretamente para a janela onde havia um assento forrado com almofadas coloridas. Sentou-se e, com as mãos no rosto, entregou-se às lágrimas.

Isabella não havia chorado nos anos passados no convento, pois não gozava de privacidade. Mas agora o pranto e os soluços a dominavam. Teria continuado por muito tempo se não ouvisse uma voz estranha. Levantou a cabeça e deparou-se com uma mulher de meia-idade, baixa e gorducha que tentava consolá-la.

— Não chore, meu bem. As coisas não podem estar tão ruins. Conte aqui para Esme e acabará se sentindo melhor.

O constrangimento de Isabella dissolveu-se sob a expressão carinhosa dos olhos castanhos da estranha. Desde a morte da mãe, ninguém a tinha consolado nos momentos de tristeza. Instintivamente, aconchegou-se ao peito de Esme e murmurou entre soluços:

— Sou uma criatura grande demais, desajeitada e feia. Ele me odeia!

— Nada disso, minha menina. E alta, mas não é gorda nem feia. Deixe eu olhar bem para a senhora.

Tentando reter as lágrimas, Isabella levantou-se e esperou que a mulher a examinasse, virando-a de um lado para outro.

— Bem, é muito diferente de minha Rosalie, mas isso não quer dizer que também não seja adorável. Ora, seus olhos parecem esmeraldas raras. E cílios tão longos e densos! Aposto como a cor de seus cabelos, fulgurante como uma chama, será suficiente para provocar a paixão de um homem.

Desacostumada a qualquer tipo de elogio, Isabella enrubesceu. Embora achasse que as palavras de Edith tinham o propósito de consolá-la, viu-se sob uma perspectiva diferente. De fato não era grande demais e a cor dos cabelos não passava de algo raro e talvez até especial.

— Mas quem foi o grande tolo que a fez se sentir feia? — Esme perguntou.

Antes de Isabella poder responder, a porta escancarou-se e Edward apareceu.

A toalha de linho amarrada na cintura ressaltava-lhe o corpo magnífico. De olhos arregalados, Isabella o observou da cabeça aos pés. Sob a pele, delineavam-se músculos nos braços, nos ombros e no peito. Deste, ela se lembrava muito bem: liso, duro e coberto por pêlos encaracolados que, ao tocá-los, lhe provocaram uma sensação curiosa. E abaixo, o que ela tomara tanto cuidado para não olhar durante o banho, esboçava-se atrevidamente sob o linho fino. Enrubescendo, ela desviou o olhar depressa.

Postando-se à frente de Isabella, Esme quebrou o silêncio provocado pela chegada abrupta de Edward.

— Meu senhor! Como se atreve a andar por aí sem roupa? Ignorando-a, ele lançou um olhar feroz para Isabella.

— Volte para o quarto, mulher — disse em voz baixa, mas ameaçadora.

Isabella, entretanto, ofendeu-se e em tom alterado, respondeu:

— Você acabou de me mandar sair de lá.

— Não grite comigo! — advertiu ele.

— Meu senhor Edward, o que está acontecendo? — interferiu a criada.

— Não extrapole seus limites, Esme — resmungou Edward.

— Está tudo bem. A briga dele é comigo — Isabella disse passando para frente da criada, mas esta continuou como se não tivesse sido repreendida:

— Por Deus, nunca imaginei ver uma cena desta. O senhor é quem deveria estar em seu quarto e não andar desse jeito por aí a fim de apanhar um resfriado. Lady Isabella pode ficar aqui comigo.

— Este quarto é de Rosalie — protestou Edward.

— Como Rosalie tem seu próprio castelo agora, tenho certeza de que ela não se importará com a presença de lady Isabella aqui.

Embora parecesse ter vontade de matar as duas, Edward não se mexeu.

— Está bem, Esme. Mas você fica responsável por ela. E, pelo amor de Deus, arranje-lhe uma roupa decente — acrescentou com um olhar desdenhoso para Isabella. Tão logo ele virou as costas, a criada fechou a porta.

— Você não tem medo dele? — Isabella perguntou.

— De lorde Edward? De jeito nenhum. Ora eu o conheço desde que ele era um bebê manhoso. E depois de MacCarty, nada me assusta mais.

— MacCarty?

— Esqueça. Sente-se aqui perto do fogo, minha senhora — disse Esme ao acomodá-la num lindíssimo banco de madeira esculpida, com espaldar alto e arca sob o assento.

Embora não estivesse muito frio, ela cobriu os ombros e os pés de Isabella com duas mantas de pele. Era fácil relaxar sob os cuidados da velha mulher, especialmente depois dos tempos trabalhosos do convento e dos dias tensos desde o casamento. Fechando os olhos, Isabella reclinou a cabeça no espaldar do banco.

 — Assim está melhor. Por onde devo começar? Sou Esme e trabalho em Cullen desde mocinha. Servi à senhora do castelo, que Deus a tenha, e, depois de sua morte, passei a cuidar de Rosalie, sua filha.

Surpresa, Isabella abriu os olhos.

— Rosalie é irmã de Edward? Pensei... Sempre ouvi falar que senhores de castelos gostam de ter amantes.

— Edward? Não. Ele é bem viril, mas onde gasta as energias é um mistério. Talvez as reprima e, por isso, seja tão violento.

Achando graça na maneira simples de a mulher falar, Isabella sorriu. Então, o marido não tinha concubina instalada em Cullen? Sentiu uma ponta de prazer que justificou com o fato de ter um inimigo a menos para enfrentar.

Mas Edward tinha uma irmã. Seria tão fria e insensível quanto ele?

— Talvez eu não devesse ficar no quarto de lady Rosalie — disse, revelando o medo.

— Tolice, minha menina. Ela é adulta e senhora de seu próprio castelo. Embora não seja tão bom quanto Cullen, ela prefere morar lá — contou Esme num tom de quem não aprovava a escolha.
Mas Isabella não se surpreendeu com o fato. Não podia imaginar ninguém satisfeito com a companhia de uma criatura tão desalmada quanto o marido.

— Talvez ela, como eu, tenha medo de Edward — sugeriu.

— Não. Rosalie não tem medo de nada. Tendo se casado com o Cavaleiro Vermelho, ela pode enfrentar o irmão com a maior facilidade. Edward não é mau. Ele não passava de um jovenzinho quando foi com o príncipe Aro, nosso soberano agora, lutar na Terra Santa. Não sei o que aconteceu com ele lá. Soubemos por nosso maldito vizinho, que Edward tinha morrido. Naturalmente, o pai ficou arrasado, embora não demonstrasse.

Esme fez uma pausa e dirigiu um olhar penetrante para Isabella.

— Preste atenção, minha senhora, pois precisa saber desde já que os de Cullen são muito frios. Exceto Rosalie, naturalmente. Eles não demonstram afeto e se mantêm sob rígido controle. Embora não gritem quando estão bravos, não se tocam ou se emocionam.

Com ar triste, Esme sacudiu a cabeça antes de continuar.

— Todavia, eles se deixam afetar pelo sofrimento. Depois de perder todos os filhos de doença e na guerra, o velho senhor adoeceu e acabou morrendo. Foi quando Rosalie passou a tomar conta da propriedade. Ela fez isso com competência e até se casar com o barão de Emmett MacCarty. Este provou ser um homem bom. Mas eu estava acostumada a morar em Cullen e, depois de Alice nascer, voltei para cá com um novo marido.

Sorriu e piscou para Isabella.

— Estou adiantando a história. Só depois de o castelo ser atacado por nosso vizinho Caius Swan, a quem o marido de Rosalie matou, foi que Edward voltou. Todos ficaram satisfeitos e eu não fui a única a desejar que ele se casasse e tivesse herdeiros. Infelizmente, ele mudou muito no leste. Estava mais duro e, depois da questão com Swan, tornou-se uma sombra do que era.

Contudo, Esme sorriu.

— Fiquei surpresa ao ouvir Edward chamá-la de esposa. Mas depois de conhecê-la, me convenci de que a senhora será capaz de mudá-lo. Veja só a diferença no homem. Jamais imaginei velo correndo atrás de uma mulher, e seminu!

Riu como se a lembrança da cena a agradasse. Isabella, entretanto, não a acompanhou. Não esquecera o brilho raivoso nos olhos do marido. Consternada, percebeu que a velha criada contava com sua influência sobre Edward. Seria mais fácil conseguir-lhe a lua. Levantou o olhar e deparou-se com a expressão de curiosidade de Esme.
— Conte uma coisa, minha senhora. Como conseguiu atrair a atenção de Edward?
Após um longo silêncio, Isabella respondeu:
— Na verdade não fiz nada além de nascer. Sou sobrinha de Swan.
Mal-humorado, Edward não prestava atenção às palavras do administrador que, durante o jantar, relatava as atividades no castelo. Sentia o alimento como uma pedra quente no estômago e, logo, parou de comer. Mais tarde se arrependeria, pois a dor seria insuportável.
Pensou na mulher jantando sozinha no quarto. Não devia perder de vista o objeto de sua vingança. Embora tivesse deixado um soldado guardando a porta do aposento, ele não confiava em ninguém, muito menos em Esme. A velha criada ignorava que a freirinha seria capaz de pular pela janela sob a menor provocação mexeu-se na cadeira. A refeição parecia interminável e não havia meio de apressá-la. Ao longo das mesas de cavalete, espalhadas pelo salão, os moradores do castelo continuavam a comer calmamente.

—Ainda bem que você arranjou algo mais apresentável para vestir.

O som da voz baixa e tão perto, sobressaltou Edward. Ele se maldisse pela falta de atenção e virou-se para o sírio ao lado.

— Do que você está falando?

— Ouvi dizer que você andou correndo pelo castelo com apenas uma toalha amarrada na cintura.

Pela primeira vez em muito tempo, Edward corou ao lembrar- se da perseguição à mulher.

— Eu estaria passando frio só com aquilo — respondeu. Darius sorriu.

— Primeiro, pensei que você estivesse usando sua roupa de emir, mas depois, soube que era mais diminuta.

Edward permaneceu calado. Não tinha a intenção de discutir o assunto com o sírio.

— Disseram que você a perseguiu como um urso...

— Chega! — Edward o interrompeu.

Se a intenção do companheiro era provocá-lo, tinha conseguido. Observou-o e teve a impressão de que o sírio se divertia.

— Está achando algo engraçado, Darius?

Com expressão impassível, o sírio negou com um gesto de cabeça. Mas Edward continuou a encará-lo até perceber que gostaria de lutar a fim de escapar da frustração.

Finalmente, desviou o olhar.

— Vou verificar as sentinelas — avisou o sírio.

Edward sentiu alívio ao vê-lo levantar-se. Estava ficando tarde e, além de precisar descansar, queria procurar a mulher.  Isabella... O coração de Edward bateu mais forte ao pensar no que lhe faria esta noite. Depois do acontecido no banho, não desejava dormir com ela. Freira ou noviça, Isabella devia conhecer as manhas femininas. Embora aparentasse inocência, ela poderia ser fascinante. E ele não tinha a mínima intenção de tomar-se escravo de seu corpo. Ela é quem ficaria à mercê dele.

Na verdade, devia fazê-la dormir no chão, aos pés da cama, como uma criada humilde. Mas sua pele era tão sedosa e delicada. Não ficaria marcada numa enxerga dura? Talvez fosse melhor deixá-la no quarto de Rosalie.

Aborrecido com a indecisão, Edward respirou fundo. Resolveu manter a esposa sob o olhar dele. Isabella era esperta e audaciosa. Se ele não tomasse cuidado, acabaria perdendo a oportunidade de exercer a vingança.

Sentiu-se estimulado. Já tinha descoberto o maior temor da mulher e como seria fácil atormentá-la. Ele a deixaria dormir num colchão grosso para não machucar sua pele. Mas seria aos pés da cama onde pudesse alcançá-la.


Pela primeira vez nessa noite, Edawrd sorriu enquanto imaginava a sobrinha de Swan ajoelhada diante dele. Sim, seria fácil atormentá-la. Com sexo.


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