A Esposa Virgem
Obs: Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.
Notas da Autora:
Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Deboha Simons A Esposa Virgem Título Original: Maiden Bride (1996) que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capítulo Seis
“A festa de casamento e Meretriz”
Quando
tudo desaba
E
isso é quando o mundo parece cair sobre o meu pé
Você
gosta do melhor em mim, quando estou uma bagunça
Quando
eu sou a minha pior inimiga
Você
me faz sentir bonita
Quando
eu não tenho nada a provar
Eu
não posso imaginar
Como
eu irei conseguir
Não
existe eu sem você
Não
existe eu sem você
Não,
não
E quando você diz "Querida vai ficar tudo
legal"
Eu acredito em você
E eu desejo que de alguma forma eu possa me ver através
do que você diz
Com minhas imperfeições, você acha que sou perfeita
Quando não é fácil, você faz isto
Sentado
à cabeceira da mesa, Edward provou o manjar de leite e trigo. Fazia o possível
para ignorar a alegria reinante. No fim, havia dado permissão para a refeição
especial. Embora não desse importância à opinião das pessoas, não via motivo
para puni-las por causa dos erros da mulher.
Mas
logo mais, ele deixaria claro que Isabella não era para ser tratada com
deferência, nem mesmo pela intrometida Esme.
Isabella!
Quando voltara e não a encontrara, tinha perdido o controle. Como um louco e
gritando, percorrera o castelo procurando-a, sem se importar com a perplexidade
das pessoas. Podia ouvir o pai censurando-o: Um de Cullen jamais levanta a voz.
Juntando
pedaços de informações, Edward descobrira que Isabella tinha estado na cozinha,
preparado um remédio para um rapazinho e, desacompanhada saído para a horta.
Quando
finalmente a encontrara, tinha sofrido um impacto como o de um murro no peito.
Fora tomado por uma mistura de emoções como alívio, satisfação e frustração
crescente.
Aborrecia-o
vê-la ajoelhada na terra como uma camponesa. Não havia lhe dado permissão para
ministrar remédios e estragar as mãos com jardinagem. Então, Isabella o tinha
enfrentado desencadeado-lhe uma fúria jamais sentida. Sem perceber, havia se
aproximado e a assustado. Ao recuar, ela havia caído de costas, deixando à
vista as pernas bem torneadas.
Ele
sentira vontade de tocá-las, de cair sobre a mulher e afagar-lhe os cabelos.
A
lembrança da cena o enojava. A cabeça estava leve e ele se sentia fora de
controle. E ela era a culpada. Apesar de ter ficado contente com a existência
da sobrinha de Caius, admitia que Isabella não era a criatura fraca, covarde e
maleável como ele a tinha imaginado por causa de sua educação no convento. Ela também
não era feia nem velha, pensou ao vê-la enfrentar-lhe o olhar. Com uma audácia
inesperada, a mulher levantou o copo num brinde e esvaziou-o.
Edward
imaginou se ela já havia bebido muito vinho. Seus olhos verdes revelavam uma
imprudência bem diferente da habitual expressão de desafio. A idéia de a
freirinha estar ébria, acelerou-lhe o pulso, embora ele não entendesse por quê.
Manteve um olhar desconfiado sobre ela. Não esperava que Isabella fizesse algo
impróprio diante dos moradores do castelo.
Aliás,
ela mostrava ser uma castelã nata, pois enfrentava as pessoas sem medo. Apenas
o vestido não era adequado. Além de ser óbvio tratar-se de uma peça reformada,
o trabalho na horta o tinha sujado.
Edward
franziu a testa. Que tipo de mulher remexeria a terra sem se importar com a
roupa? Uma freira — ou noviça— que não precisasse se preocupar com o hábito
preto, ele pensou, aborrecido.
Edward
imaginou-a envolta nas sedas trazidas do leste, em vários tons de azul e de
verde. Esta última cor seria a melhor. Ressaltaria seus olhos. E esmeraldas? Isabella
ficaria linda com uma tiara cravejada dessas pedras raras.
Ele
tinha dito a Esme para não pôr uma touca na mulher. Então, elas tinham prendido
os cabelos e coberto-os com um xale dourado. De repente, sentiu vontade de
vê-los soltos. Surpreso, desviou o olhar de Isabella.
Há
alguns anos, ele concentrava-se num um único objetivo. Mas agora que estava a
seu alcance, o próprio instrumento da vingança começava a embaralhar-lhe os
planos. Delírios. Edward achava tê-los dominado, mas a disciplina falhava, desgastada
pela herdeira de Swan e pela constante dor de estômago.
Ele
venceria, jurou. Olhou para a esposa e viu-a fitando-o com ar curioso. Seria
ela capaz de ler-lhe os pensamentos? Ao observar sua beleza, as pessoas em
volta e o barulho desapareceram. Até o ar parecia parado para revelar Isabella como
o centro do mundo.
Desconfiados,
os olhos cor de chocolate o encararam. Depois, a expressão tomou-se meiga. Ele
notou a cor encantadora dos cílios e a curva graciosa das sobrancelhas. Tinha a
impressão de que ela o esperava no fim de um túnel. Bastaria dar uns passos em
sua direção.
—
O que diz, meu senhor? A voz do administrador tirou Edward do transe. Sacudiu
um pouco a cabeça e percebeu a realidade do ambiente. Isabella não estava mais
colocada como um prêmio no fim de uma jornada, mas sentada à mesa e ao alcance
dele. A expressão dos olhos achocolatados era de indagação.
—
E então? — insistiu o administrador e Edward maldisse a falta de atenção.
A
música tinha terminado e as pessoas pediam para jogar “O Cego Encapuzado”. A
confusão de Isabella era evidente. Ele deu-se conta de que, no convento, ela
não tivera a oportunidade de aprender tais coisas. Inclinou-se para ela e
sentiu-lhe o perfume. Assustado, quase se afastou.
—
Não passa de uma brincadeira. A pessoa, com um capuz na cabeça, tem de
encontrar uma outra — explicou ele.
—
Mas eles falam de uma prenda, de um beijo disse Isabella.
—
Não se preocupe, freirinha. Ninguém irá tocá-la exceto eu.
A
promessa a fez arregalar os olhos e ele sorriu, satisfeito.
Levantando
a mão no ar, Edward deu permissão para o jogo. Mas viu-se logo obrigado a ficar
em pé, pois um velho cavaleiro o puxava pelo braço.
—
Que tal nosso amo e senhor encontrar a esposa?
Tarde
demais, Edward deu-se conta do preço da própria falta de atenção. Não teria
aprovado a brincadeira se soubesse que iria participar. Algumas mulheres já
forçavam Isabella a se levantar e um capuz era enfiado na cabeça dele. Foi
levado para o centro do salão onde o fizeram rodopiar várias vezes.
Apesar
do vinho ingerido, Edward não se desorientou e começou a busca. Ignorando os
risinhos de moças empurradas contra ele, movia-se devagar à procura de um
perfume conhecido. Ao senti-lo, pensou em flores do campo, em sardas e em
cabelos flamejantes. Embora uma outra moça lhe interceptasse os passos, ele
desviou-se e, em instantes, tomava Isabella nos braços.
Os
aplausos ecoaram no ar e ele, impaciente, tirou o capuz. Admirou a criatura
alta, elegante, de pele sedosa e curvas graciosas. Os olhos chocolates expressavam
aturdimento. Surpresos, eles se fitaram.
—
A prenda! Um beijo, meu senhor! — gritaram as pessoas.
A
primeira reação de Edward foi a de não atender o pedido. Mas diante de Isabella,
de faces coradas e lábios entreabertos como se esperasse o toque dos dele,
achou natural satisfazer a vontade das pessoas. Baixou a cabeça.
Roçou
os lábios nos seus sem a intenção de prolongar o contato, mas este foi tão
inebriante que ele aumentou a pressão. Numa receptividade estonteante, Isabella
abriu mais a boca e a língua dele a penetrou, provando-lhe a doçura.
Quente.
Poderosa. Edward a puxou de encontro ao peito e ela não protestou, mas
enlaçou-o pelo pescoço. Dedos o acariciavam na nuca e seios apertavam-se nele
enquanto Isabella tocava-lhe a língua com a sua. Impaciente e ansioso, Edward percorria
suas costas com as mãos até que, um barulho ensurdecedor, o fez levantar a
cabeça.
—
Deus salve lorde e lady de Cullen! Que sua descendência prospere para sempre! —
os habitantes do castelo gritavam.
Descendência?
Edward deu um passo para trás e tirou as mãos do corpo de Isabella como se este
as queimasse! E na verdade ele sentia-se como se houvesse caminhado pelo fogo. Trêmulo,
tentou readquirir a compostura, mas as aclamações continuavam.
As
coisas tinham ido longe demais. Ele não estava acostumado a tais demonstrações.
Nunca as pessoas haviam se manifestado com tanto entusiasmo em volta dele. Como
esperar que elas recebessem a esposa com tanto calor? Percorreu os olhos pelo salão.
Precisava
repudiá-la antes que fosse tarde demais. Esse era o momento para anunciar que o
sangue de Swan lhe corria nas veias. Tratava-se da oportunidade de,
publicamente, difamá-la e sentir prazer com sua vergonha. Poderia repudiá-la,
humilhá-la e garantir que ninguém mais lhe dirigisse a palavra.
Mas
quando Edward contemplou aqueles rostos felizes,orgulhosos e cheios de
esperança, algo cedeu em seu íntimo. Pela primeira vez na vida, ele levou em
consideração outras pessoas antes de si mesmo. Desde que havia tomado o lugar
do pai como senhor de Cullen, nunca tinha posto os habitantes do castelo antes
de sua pessoa. Naquele momento, ele o fez, mantendo-se calado.
Segurou
Isabella pelo pulso e a puxou através do salão rumo à escada. Todos os
acompanhavam como se fosse a noite de núpcias. Edward parou e, com um gesto
imperioso, os impediu de continuar. Apenas as aclamações ainda se ouviam.
Só
quando já estavam no quarto e com a porta trancada, Edward soltou o pulso de Isabella.
Ela levou as mãos às faces e, com olhar horrorizado, disse:
—
Bebi vinho demais.
Ansioso
para pôr a culpa do ocorrido nela, Edward retrucou. — Sem dúvida! Uma freira
embriagada e...
—
Não estou embriagada e nem sou freira — protestou Isabella indignada.
—
Noviça, então. De qualquer forma, você desacredita o convento com sua libertinagem.
—
Como se atreve? Foi você quem me beijou! Eu não o tocaria nem para salvar minha
alma do inferno! — garantiu ela com os olhos fuzilando.
—
Pois fez uma boa imitação lá embaixo.
—
Agi em consideração às pessoas.
—
Diz isso da boca para fora — respondeu ele, mas percebendo estar discutindo
como um menino mimado virou-se de costas.
Ainda
bem que o pai não podia ouvi-lo. Depois de alguns instantes, disse:
—
Vá se deitar no colchão.
Tão
perturbado estava com os acontecimentos, que não percebeu uma leve batida na
porta. Mas também não suspeitaria que alguém desobedecesse à ordem para não
segui-lo.
Entretanto,
duas pessoas faziam exatamente isso. Uma inclinava-se com o ouvido grudado na
porta e a outra puxava-lhe a túnica.
—
E então? — Esme quis saber. Carlisle endireitou-se e coçou a barba grisalha.
Estava perplexo com o comportamento dos senhores de Edward.
—
Eles estão brigando de novo. Como cão e gato.
—
Depois daquele beijo? Impossível!
—
Ouça você mesma — sugeriu ele, afastando-se da porta para que a mulher se
aproximasse.
Depois
de alguns instantes, Esme murmurou:
—
Por todos os santos! Nunca imaginei ouvir Edward Cullen levantar a voz. —
Endireitou-se e franziu a testa — Talvez essa gritaria toda seja um bom sinal.
—
Como assim? — perguntou Carlisle com ar de dúvida.
—
Acho que nosso patrão protesta demais, meu que rido. Se não gostasse da mulher,
ele a trataria com a frieza que dispensa a todos. Mas está alvoroçado desde que
a trouxe para cá.
Sem
entender a explicação, Carlisle sacudiu a cabeça.
—
Em minha opinião, o rapaz precisa de uns conselhos sobre os deveres de marido.
—
Tem razão. Talvez você pudesse falar com ele explicar certos pontos.
—
Ah, é? E depois ser atirado na masmorra por causa de minha boa intenção?
—
Alguma coisa precisa ser feita. Caso contrário, não vamos ver lady Isabella engordar.
Já que não posso cuidar da filhinha de Rosalie, quero me consolar com a de meu
senhor.
—
Você nunca conseguirá impedi-los de brigar o tempo suficiente para providenciar
uma criança. Aposto.
—
E mesmo, Carlisle? Pois aceito a aposta. Eles tinham dado uns poucos passos
pelo corredor quando ouviram a porta do quarto abrir e fechar com estrondo. Carlisle
pôs um braço protetor sobre os ombros da mulher, mas a silhueta sombria passou
por eles sem notar.
A
passos largos, Edward rumou para a escada. Esme correu lhe atrás e Carlisle os
acompanhou mais devagar. Chegou ao salão a tempo de ver o senhor de Cullen
abrir a porta e sair para a chuva inclemente.
—
Com todos os diabos! Que tipo de homem deixa uma mulher linda para enfrentar
uma tempestade? Murmurou ele.
Curiosamente,
Esme sorriu.
Um
homem inquieto, Carlisle. Talvez lorde Edward anseie por encharcar-se a fim de
esfriar o ardor.
Do
lado de fora do castelo, Edward ergueu o rosto e deixou que a chuva o lavasse.
Fria e revigorante, ela lhe clareava a mente confusa e afastava a angústia.
Poucos
dias atrás, quando ia para o convento, pensava que tudo estava a seu alcance.
Mas agora, graças ao próprio descuido, a vida escapava-lhe do controle. Tinha
de tomar cuidado. Uma vez, isso já havia lhe acontecido e ele jurara não reincidir
no erro.
Na
Terra Santa, Caius o largara à mercê dos elementos, à bondade de estranhos e ao
próprio corpo enfraquecido. Por Deus, como se revoltara contra aqueles dias
intermináveis. Havia lutado muito para recuperar as forças, a fortuna e as propriedades.
Não estava disposto a abandonar tudo por causa de uma mulher de cabelos lindos,
mesmo que seu povo a adorasse.
Tempo.
Durante anos, Edward lutara para conter a impaciência. Novamente dizia-se para
ter calma e esperar. No momento, Isabella não passava de uma nova residente de Culle.
Mas quando todos os habitantes do castelo a conhecessem bem e ela não desse à
luz o herdeiro esperado, as pessoas perderiam o interesse nela.
Ele
ainda tinha seu destino nas mãos. E o dele também.
Embora
não pudesse fazer nada em relação à dor de estômago, conseguiria solucionar o
incômodo um pouco mais abaixo. Aborrecido, franziu as sobrancelhas. Estava sem
mulher havia tempo demais e essa era a única razão para ter beijado Isabella.
Isso
não aconteceria outra vez. Não mantinha uma concubina em Cullen, mas havia uma
mulher, a um dia de viagem, a quem ele podia recorrer. Ela não fazia exigências
e o conhecia apenas como um cavaleiro que lhe pagava bem os serviços.
Edward
sentiu-se excitado ao pensar nela. Seus cabelos eram loiros e não castanhos avermelhados
e ela não tinha as curvas graciosas de Isabella. Todavia, seria capaz
acalmá-lo. Talvez ele passasse umas boas horas lá, fazendo tudo que um homem
tinha o direito de exigir da esposa. A idéia provocou-lhe um suspiro, mas ele não
olhou para o castelo.
Iria
imediatamente e ficaria lá até a moça o exaurir. Isso resolveria um dos
problemas, o que o ajudaria a pôr em ordem os pensamentos. Tendo decidido, Edward
selecionou vários homens para acompanhá-lo. Dando ordens, dirigiu-se ao estábulo.
Encontrou
Darius lá, cuidando dos cavalos.
—
Vou passar alguns dias fora — avisou ao montar o corcel.
—
O que o tira de seu castelo lindo numa noite como esta? — Darius quis saber.
O
olhar penetrante do sírio parecia julgá-lo e Edward não gostou.
—
Como você sabe, não temo a noite nem a chuva. Deixo minhas propriedades em suas
mãos — disse sem dar outras explicações.
—
E quanto a sua esposa? Aos cuidados de quem vai deixá-la? — perguntou Darius.
Edward
sentiu-lhe a desaprovação.
—
Ela não se atreverá a fugir. Mesmo assim, mantenha um soldado para guardá-la o
tempo todo — respondeu.
—
Prestarei esse serviço com prazer — garantiu o Jacob.
Edward
o encarou, desconfiado, mas como sempre, a expressão do companheiro não
revelava nada. Talvez estivesse imaginando coisas. Virou a montaria e saiu para
chuva. Ia à procura da mulher que poderia aliviar-lhe o corpo sem perturbar sua
mente.
Instigado
por uma ansiedade inexplicável, Edward cavalgou até o amanhecer. Os olhos
ardiam por não ter dormido, porém, logo descansaria na cama da mulher.
Ela
era uma viúva e a pequena casa onde morava deteriorara muito tempo atrás.
Deixando seus homens sob as árvores que marcavam a propriedade, Edward rumou
para a casa.
Antes
de chegar, viu um cavalo amarrado a um poste. Hesitou e ficou à espera. Não
demorou muito para um sujeito sujo e mal vestido sair da casa. Ao ver Edward,
ele sorriu mostrando os dentes estragados e disse:
—
Bom dia senhor! Vai se divertir bastante com aquela meretriz. Marque minhas
palavras.
Atônito
e em silêncio, Edward viu o homem montar e ir embora. O estômago queimava e a
cabeça latejava por causa da longa cavalgada durante a noite. Mas uma parte de
sua anatomia não o importunava mais. Embora não tivesse uma mulher havia mais
de um mês, a idéia de compartilhar uma com aquele sujeito imundo, o deixava
gelado.
Naturalmente
poderia procurar outra, mas não tinha tempo nem disposição. Maldição. Devia ter
pago a mulher para servir só a ele.
Mas
que importância tinha isso? Mesmo se a viúva servisse um bando de homens, ainda
poderia satisfazê-lo. Tão logo a tivesse nos braços, esqueceria o sujeito sujo.
Desmontou e bateu na porta.
O
criado que a abriu o reconheceu e levou-o depressa à sala. Bom começo, pensou
ele, menos desanimado. Talvez fosse bom que essa mulher aperfeiçoasse as
habilidades em sua ausência. Ela conhecia artifícios que uma moça educada em
convento jamais poderia imaginar.
Então,
ele a viu.
Deitada
em frente da lareira, ela enrolava-se numa manta de pele e, pelo jeito, estava
nua, além de amarfanhada e com os cabelos desgrenhados. De repente, pareceu
velha e cansada. O sorriso era forçado. Ele nunca tinha notado como a viúva era
baixa e flácida. Os cabelos e os olhos escuros não tinham brilho algum.
E
ela não tinha sardas.
—
Seja bem-vindo, senhor cavaleiro — disse ela numa voz sedutora que sempre o
tinha encantado.
Agora,
soava falsa.
—
Olá, Tanya — cumprimentou ele. A mulher entreabriu a manta e expôs as pernas, Edward
não sentiu nada.
—
Eu estava passando por aqui e vim vê-la.
—
Naturalmente vai ficar umas horas, não é? Edward sabia que poderia possuí-la em
questão instantes.
—
Lamento, mas não disponho de tempo. Tenho negócios urgentes para tratar.
Devagar,
ele se aproximou, mas não a tocou. Discretamente, colocou umas moedas na arca
ao lado. A alegria da mulher foi evidente.
—
Tem certeza de que não pode ficar para um rápido momento?
—
Não — respondeu ele, dirigindo-se à porta e livrando ambos da indignidade de
reacender sua paixão apagada.
Poat: RobcecadasHistFic

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