13.1.14

Adaptação: A Esposa Virgem - Capítulo Três

A Esposa Virgem

Obs: Aviso legal
       Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora:
Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Deboha Simons A Esposa Virgem Título Original: Maiden Bride (1996) que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capitulo Três.
 “Os planos começam a cair por água”.

Edward forçou a comitiva a cavalgar até o anoitecer e sentiu prazer ao ver Isabella mal conseguir escorregar da sela. Ela não estava acostumada a longas viagens como ele e seus homens.

Agora, ela jantava de cabeça baixa, sinal de exaustão. Em outra mulher, Edward assumiria tratar-se de submissão, mas não Isabella. Ela não demonstraria o menor sinal de fraqueza se soubesse que ele, escondido entre as árvores, a observava.

Criatura estranha, mas uma oponente de valor, Edward refletiu. Na curta convivência de ambos, ela mostrara muito mais coragem do que o tio. Todavia, sua visita, durante a noite no convento, provava que era tão traiçoeira quanto Caius Swan. Precisava ainda descobrir o que a motivara, mas não se atreveria a virar-lhe as costas.

Enraivecido, aproximou-se, ansioso por atormentá-la. Aliás, Isabella já tinha se alimentado bem e ele imaginava para onde iria toda aquela comida. Embora alta, ela não era gorda. Ele terminara há refeição há algum tempo, porém, ela continuava a comer. Talvez tentasse adiar uma conversa com ele. A idéia o estimulou a parar a seu lado numa atitude intimidadora.

— Já está satisfeita, mulher? Isabella levantou os ombros e o queixo, mas não o olhar.

— Não — respondeu ela em tom brusco enquanto apanhava mais um pedaço de pão.

A petulância o irritou.

— Você queira, ou não, sou seu marido agora. Afirmo que você já comeu o suficiente.

Ela, então, o fitou com os olhos verdes falseando.

— Deseja me manter com fome, meu senhor? — perguntou ela com a rispidez de quem proferia uma praga.

— Impossível, com o que você já comeu. Mas talvez eu faça isso, caso você não me agrade.

Isabella não respondeu como Edward esperava e, em vez disso, desviou o olhar como se o ignorasse. Ele não toleraria isso. Com o dedo sob seu queixo, forçou-a a fitá-lo. O antagonismo nos olhos verdes era evidente, mas ele percebeu algo mais.

Medo. Edward podia quase apalpá-lo. Suas narinas fremiam e a respiração tomava-se ofegante. Apesar das demonstrações de coragem, Isabella estava aterrorizada. Por quê? Ele conjeturou antes de calcular a resposta.

A cama. Esta criatura temerária, que havia enfrentado a abadessa, a ira dele e pulado de uma janela alta, receava o cumprimento dos deveres matrimoniais. Ao procurá-lo no convento durante a noite, não fora para fazê-lo passar por tolo, mas porque lhe temia a luxúria.

Edward sentiu-se insultado. Jamais precisara se esforçar para agradar as mulheres. A aparência atraente garantia-lhe a atenção feminina mais do que desejava.

Podia sentir a veia de Isabella latejar sob o dedo. Por que se ofendera? Tinha a intenção de atormentá-la e já estava conseguindo. Como, não importava.

Não era verdade.

Soltou-lhe o queixo. Embora ela se esforçasse para não baixá-lo, sua pose arrogante tinha desaparecido. As mãos crispavam se no colo com tanta força que as juntas dos dedos embranqueciam. Sua derrota o afetava de maneira estranha e, sem pensar, Edward segurou-a pelos pulsos.

Isabella estremeceu, mas ele começou a passar os polegares pelas palmas das mãos. Estas tinham marcas profundas das unhas. Enquanto as alisava, ele pensou em quando havia tocado outra pessoa pela última vez. Aliás, não se lembrava de jamais haver segurado as mãos de uma mulher. As de Isabella eram macias, embora fortes, com dedos esguios e marcados pelo trabalho. Fascinado, observou-os e continuou a carícia até ouvir um soluço. Levantou o olhar e, surpreso com sua expressão atônita, soltou-lhe as mãos.

— Vá se deitar, mulher — ordenou em voz ríspida. Virou-se e voltou para o meio das árvores, sem olhar para trás. Um barulho avisou-o de que Isabella refugiava-se em sua tenda. O que dera nele? Indagou-se. Os esforços para maltratar a esposa tinham falhado e algo muito diferente ocorrera. Ela era sua inimiga! Não podia se esquecer disso. Tentou concentrar-se na raiva alimentada há tanto tempo, mas o estômago contraiu-se dolorosamente. Apesar da vontade de se curvar, permaneceu ereto.

— Por que não a violenta?

As palavras, mais do que a voz de Darius, fizeram Edward virar-se depressa. O Jacob estava sentado de encontro a um tronco e misturava-se às sombras como se fosse uma delas. Na voz profunda, continuou:

— Sem dúvida, esse é o maior temor da moça, caso contrário, por que o procuraria ontem à noite?

— Você a ouviu?

— Ela não foi muito silenciosa. Também vi a expressão da abadessa quando você conversava com ela hoje de manhã. A pobre não sabia de nada, não é?

— Foi à freirinha, fazendo-se passar pela superiora — respondeu Edward enquanto também se sentava no chão, numa tentativa de aliviar a dor de estômago.

— Então, por que não violentá-la? Você disse que descobriria o que mais ela temia para fazê-la enfrentar. Para que perder tempo? Estamos longe de qualquer socorro e nossos homens não ligarão para seus gritos.

Aborrecido, Edward franziu a testa. Não se iludia com a sugestão fria de Darius. O companheiro não aprovava seus planos para a esposa.

— Eu não a quero.

— Por quê? Ela não tem a beleza das mulheres de minha terra, mas...

Lembrando-se dos olhos verdes falseando e das mãos macias sob as dele, Edward o interrompeu.

— Ela é bonita o suficiente.

— Então, por quê? Todo franco não se esforça para gerar um herdeiro?


— Não quero filho algum! Ainda mais com o sangue de Caius Swan! Não cederei parte alguma de meu corpo para essa mulher irascível. Nem mesmo o meu sêmen!

Recusando-se a continuar a discussão, Edward silenciou Darius com um olhar fuzilante. O Jacob tinha uma vasta experiência com mulheres. Amava-as livremente, mas jamais se deixava prender por nenhuma delas. Edward, entretanto, conhecia homens, aparentemente inteligentes e sensatos, que sucumbiam aos prazeres proporcionados por uma mulher. O corpo de um homem podia dominar-lhe a cabeça. Ele, porém, não deixaria que isso lhe acontecesse.

Não querendo expor os pensamentos a quem não os entenderia, Edward disse apenas:

— Será um tormento maior fazê-la esperar apavorada. Casado há apenas um dia, já tinha encontrado uma maneira de forçar a esposa arrogante a curvar-se diante dele. Edward procurou o efeito estonteante da vitória, mas não o encontrou. Apenas sentia a dor de estômago que teimava em não passar.

Isabella tentou respirar devagar e encher os pulmões de ar. Não passava de uma covarde por estar ali deitada e imobilizada pelo medo. E tudo por causa de algo que as outras mulheres faziam com facilidade.

Naturalmente, sabia o que estava por acontecer. Seu patrão, James Freemantle tinha lhe explicado em detalhes; mais de uma vez, enquanto tentava agarrá-la.

Se Freemantle falara a verdade, o marido viria procurá-la. E não seria para conversar. Isabella tentou imaginar Edward Cullen despindo-se para ela. Um arrepio percorreu-lhe o corpo. Fechou os olhos com força a fim de bloquear a imagem tão horrível e linda ao mesmo tempo.

Ora, ela não podia ignorar a sensualidade do marido. Embora Edward agisse como um demônio sem coração, não havia nada áspero nas feições dele. A cabeleira escura e assentada tocava lhe os ombros num contraste com a rebeldia da sua vermelha.

As sobrancelhas fartas arqueavam-se sobre os olhos prateados e o nariz, apesar de não ser aquilino, era bem-feito e dava-lhe um toque de virilidade.

Desde a maneira de movimentar o corpo alto e forte até o timbre de voz suave e firme, Edward Cullen era marcadamente viril. Na verdade, ele possuía mais atrativos sensuais do que Isabella imaginara ser possível. Sem dúvida, um grande número de mulheres sonhava com a possibilidade de satisfazê-lo na cama.

Quando lhe agarrara os pulsos, ela temera ser amarrada, mas Edward tinha apenas acariciado suas mãos com os polegares, provocando-lhe uma reação estranha. A simples lembrança do fato a fez soluçar como tinha feito naquele momento, dissipando o humor curioso que o dominava.

Isabella apertou os braços de encontro ao peito. A meiguice de Edward tinha desaparecido tão depressa quanto surgira. Ele a reservaria para outras mulheres, dando-lhe apenas as farpas de um ódio atroz. O marido não se limitaria a violentar-lhe o corpo nessa noite, mas tentaria também destruir-lhe a alma com a malevolência escondida sob o físico atraente.

Não restava escolha a não ser continuar ali deitada à espera. Sentia-se exausta com a cavalgada forçada do dia inteiro, mas não conseguia dormir. Respirava com dificuldade e tentava se controlar quando ouviu uma voz dizendo:

— Acalme-se, minha senhora. Seu marido já está dormindo e não virá procurá-la.

Assustada, Isabella ergueu a cabeça. Não tinha ouvido ruído de passos se aproximando. De quem seria a voz? Do estrangeiro, com certeza. Quem mais lhe traria a boa notícia? Pessoa estranha, mas todos os homens eram.

Nenhum, entretanto, era tão terrível e tão lindo como o marido.

Ele a observava. Como se não fosse suficiente cavalgar o dia inteiro até quase perder as forças, Isabella via-se alvo constante dos olhos cinzentos, perturbando-lhe os pensamentos.

Apesar dos músculos doloridos e de seu desânimo moral, ela tentou avaliar a situação e tomar alguma decisão quanto ao futuro. Não teve muito sucesso. A vida preparava surpresas e o máximo que se podia fazer era suportá-las.

Isso ela já fizera outras vezes e sobrevivera. Havia se sujeitado a coisas muito piores do que um casamento indesejável. Conhecia mulheres que ficariam felicíssimas por estarem casadas com um jovem cavaleiro, atraente e rico, apesar de seu mau humor. Mas isso não acontecia com ela. Reconhecia o demônio espreitando sob a aparência bonita.

O que fazer então? O instinto a mandava fugir. Mas o momento não era propício. Não com todos aqueles homens da comitiva a sua volta. Seria mais fácil quando alcançassem o destino.

Todavia, a idéia não a agradava. Edward Cullen a tinha desafiado e ela seria covarde se não o enfrentasse. A vida toda havia tentado tirar o melhor partido de cada situação. Não era otimista ou visionária, mas realista. Mantinha-se determinada a não se entregar à depressão como a mãe fizera, morrendo tão nova por causa da insensatez de outras pessoas.

Com um suspiro, Isabella deu-se conta de que teria de esperar até chegar ao castelo para tomar uma resolução. Muito dependia do marido. Até que ponto ele a odiava e a trataria mal? Talvez os olhares dele fossem provocados pela proximidade e quando estivessem entre os habitantes do castelo, ele a esquecesse. Sentados junto ao fogo, ela relanceou-lhe o olhar na esperança de estar certa.

Durante o dia, Edward não era tão amedrontador. Não passava de um senhor malvado, embora atraente, que exigia o máximo de todos e valia-se da animosidade contra ela como um escudo. Sua raiva por ele crescia durante a viagem, pois não fizera nada para provocar-lhe o rancor.

À luz do dia, devolvia-lhe os olhares sombrios e até cometia a temeridade de responder as ordens dele com comentários ríspidos. Mas ao anoitecer, Isabella perdia a autoconfiança. Sentia os nervos tensos e tinha dificuldade para respirar.

Durante o dia, Edward não passava de um homem, mas à noite, transformava-se em seu marido e, como tal, devia ser temido pelo que poderia lhe fazer. O olhar sombrio tomava-se mais sinistro e o rosto bonito a repelia e atraía ao mesmo tempo.

Estremecendo, Isabella quase derrubou um pedaço de carne que havia tirado do espeto no fogo. Colocou-o na boca depressa e sem perceber que estava muito quente. Afoita, bebeu água o suficiente para refrescar a garganta.

— Com todos os diabos, suas maneiras para comer deixam muito a desejar — comentou Edward com ar aborrecido. — Você come por dois. Por acaso está grávida?

Isabella quase engasgou com a sugestão. O marido era um louco.

— Aprendi a me alimentar bem no convento — respondeu.

— Bem, já ouvi histórias sobre as tais mulheres santas que costumam visitar hóspedes masculinos do convento durante a noite. Aliás, você não fez isso? — perguntou ele com ar de superioridade.

Então, o marido tinha percebido que ela se fizera passar pela abadessa, Isabella deu-se conta. Era mais esperto do que ela pensava. Que fosse para o inferno.

— Não tente mentir ou me enganar, freirinha, pois não conseguirá e sofrerá as conseqüências — aconselhou ele.
A voz profunda e suave provocou um arrepio ao longo da espinha de Isabella. Freirinha? Ninguém tinha usado o diminutivo para ela desde a infância.

— Por que você me odeia? — Isabella perguntou e percebeu que ele se surpreendeu com a indagação. Contudo, Edward recuperou-se depressa.

— Seu sangue, mulher. Ele é maculado. Embora esperasse a resposta franca, ela se ressentiu.

— Que tipo de homem era meu tio para forçá-lo a perseguir sua herdeira, mesmo após sua morte?

— Era covarde, ladrão, um vilão traiçoeiro e assassino. As palavras pronunciadas com convicção tão fria quase tiraram o fôlego de Isabella. Horrorizada, viu os olhos cinzentos brilharem de hostilidade. De nada adiantaria argumentar, porém, ela tentou:

— Eu não tenho culpa alguma. Nem conhecia meu tio.

— Ele mandou dinheiro para você viver no convento.

— Certo, mas foi para se livrar de mim, porque não me queria como ninguém nunca me quis.

Tarde demais, Isabella percebeu o quanto tinha revelado de si mesma e, se pudesse, retiraria as palavras. Este homem, sentado ao lado, podia ter a forma de anjo, mas era o próprio demônio e a desprezava. Qualquer conhecimento à seu respeito, ele usaria para destruí-la.

A fim de desviar a atenção dele de sua pessoa, Isabella atirou um graveto no fogo. As chamas elevaram-se iluminando o rosto atraente de Edward. Ela refletiu que o marido poderia ter se casado com outra mulher, mas vira-se preso a ela, uma estranha que o lembraria sempre de problemas passados. Não era de admirar que ele vivesse de mau humor.

— E quanto a seu pai? Você o amava? — ele quis saber. Isabella ficou em dúvida se mentiria ou diria a verdade. Resolveu ser honesta.

— Não. Ele era um irresponsável gastador. Perdia todo o dinheiro que lhe caía nas mãos sem se importar com o bem estar da família. Como vê, eu não tinha nada em comum com ele ou com meu tio. Por que me castigar por seus pecados?

— Você é a herdeira de Caius, de tudo que restou dele. As palavras ditas com tanta naturalidade e a expressão de Edward assustaram Isabella e lhe provocaram um grande desânimo. A vingança era o alvo do marido.

— O que fará comigo? — perguntou com o coração disparado.

Sabia que ele poderia trancá-la numa cela, deixá-la passar fome, ou a espancar. Ninguém interferiria. O convento, com seu tédio e trabalho, parecia cada vez melhor, enquanto o marido atraente revelava-se mais terrível com o passar dos minutos.

— Não se preocupe em descobrir o futuro, freirinha, pois temos muitos anos pela frente — disse ele com um sorriso malicioso.

As palavras e o tom de voz deixaram Isabella gelada. Como ter esperança de se conformar com o casamento? De repente, sentiu necessidade de escapar da presença de Ewdard.

— Estou muito cansada. Você me dá licença para ir dormir?

Isabella esperava uma recusa, mas ele concordou com um gesto de cabeça e um olhar triunfante. Se não fosse o medo de represálias, ela o enfrentaria. Conhecedora da profundidade do ódio do marido, esperava todo o tipo de violência por parte dele. Já tinha ouvido falar em estupro e visto suas consequências, entretanto, não podia fazer nada a não ser esperar.


Só quando ouviu a voz suave do sírio, informando-a de que o marido dormia, ela adormeceu. Mas foi um sono agitado e atormentado por pesadelos com o rosto de Edward Cullen iluminado pelas chamas da fogueira.


Nenhum comentário:

Postar um comentário