Uma Dança com o Sheik
Obs: Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.
Notas da Autora:
Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Tessa Radley, Uma dança com o Sheik , Tituli Original: One Dance with the Sheikh que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capítulo Dois
O Convite
No elegante salão do primeiro andar, um conjunto de jazz de 12 integrantes tocava blues.
Isabella cantarolou e fez um pequeno passo de dança seguindo Alice e quase deu um encontrão em Mike Black, que se materializara diante delas, segurando duas taças de um dourado e borbulhante vinho.
—Evitamos uma imensa catástrofe — brincou ele.
Todos os três riram.
—São para vocês, lindas damas. — Mike estendeu as taças seus olhos cor de mel iluminados de bom humor.
—Só um gole para mim, Vou precisar ficar esperta. Não posso errar o nome de nenhum convidado — disse Alice com um gracioso sorriso.
Isabella pegou a outra taça.
—Obrigada.
— Ainda não tive oportunidade de desejar felicidades a você, Alice. Jasper é um homem de sorte.
—Ora, obrigada, Mike. — Alice estava radiante. — Espero que você encontre logo a mulher dos seus sonhos... Talvez até esta noite.
Mike riu.
—Posso viver de esperança. Mas talvez devêssemos esperar um pouco, dar tempo de você ter sua lua de mel, antes de lhe dar outro casamento para planejar.
—Eu ficaria empolgadíssima por fazer outro casamento. E, pela primeira vez, não é o meu lado mulher de negócios que está falando. Estou tão feliz que me sinto pronta para casar todo mundo.
—Ele é um bom homem — observou Isabella quando as duas se afastaram.
—Vai ser um bom marido para uma mulher de sorte — concordou Alice.
Chegaram à mesa, e Jasper se levantou de um salto para dar boas-vindas a sua noiva, seus olhos ternos e dedicados ao fazer com que ela se sentasse.
Sentindo que estava sobrando, Isabella foi para a cadeira vazia ao lado de sua mãe.
— Onde está Phil? — perguntou a ela, ciente de que estava sentada no lugar dele. Todos tinham encontrado seu par, até a mãe dela.
Todos menos ela.
Uma onda de solidão a dominou, mas ela a afastou. Aquilo era ainda mais motivo para seguir a lista e encontrar um desconhecido com o qual flertar.
— Ele viu Sr. Jeffeson e o Sr. Barnner e foi cumprimentá-los.
Seguindo a indicação da mão de sua mãe, Isabella viu o advogado de cabelo branco conversando com o chefe das Indústrias Newton, que tinham começado a fazer negócios recentemente com o Grupo Swan, compensando parte das perdas que o GS sofrera quando vários clientes migraram para a Carolina Navegação. Naquela mesma semana, um dos irmãos dela, Matthew, o diretor de novos negócios do GK, ouvira boatos de que Jacob black estava tentando fazer uma proposta melhor que a deles de modo sorrateiro num importante contrato de afretamento.
Falando no diabo...
Jacob Black puxara uma cadeira para se sentar a uma mesa bem à beira da pista de dança. Como é ousadamente arrogante!
Estava se comportando como se-fosse dono da mansão Swan.
Isabella imaginou que o fato de ter herdado 45 por cento das ações do Grupo Swan era responsável por parte daquela arrogância. Ela ainda não conseguira decifrar Jacob. Perpetuamente soturno, ele a deixava um pouco desconfortável. Sem dúvida, dera ao GS nos últimos meses dores de cabeça suficientes para durarem por uma vida inteira.
Então Isabella viu o liso cabelo Negro da mãe dele, Sarah, sentada logo atrás de Jacob. Algo que ela disse fez com que uma feroz expressão marcasse o rosto dele. Isabella estremeceu ao ver o desgosto de Jacob.
Por que o filho mais velho do pai dela se dera ao trabalho de ir ao casamento se só pretendia ficar sentado e olhando de cenho franzido? Estaria ali apenas para enganar os paparazzi, fazendo com que acreditassem que ele era aceito na família Swan? Ou os irmãos dela teriam razão e Jacob temia que, ficando longe, pudesse aumentar a suspeita que já o cercava? Isabella não queria considerar a possibilidade de seu pai ter sido baleado na cabeça pelo primogênito... Era horrível demais.
Ela se recusava a permitir que a presença de Jacob arruinasse o clima festivo da noite. Isabella pretendia desfrutar a ocasião... E garantir que sua mãe também fizesse isso.
Pegou a mão de Renée e a apertou.
— Mal consigo dizer como estou feliz não só por você estar aqui, mas também por ter sido isentada de todas aquelas acusações ridículas. É o melhor presente de casamento que Alice e Jasper poderiam receber.
—Não foi fácil hoje — confessou a mãe. — Todas as especulações. Tenho certeza de que há pessoas aqui que ainda acreditam que matei seu pai. E estão todos tão curiosos a respeito de Phil... Também está sendo difícil para ele.
Contudo, no típico estilo das matriarcas da sociedade sulista, o desconforto de sua mãe não transparecia.
—Você merece um pouco de felicidade. E, se Phil a faz feliz, você não devia permitir que o que os outros pensam estragasse isso.
—Só espero que a polícia se apresse para finalizar a investigação. Não saber quem matou seu pai...
Os irmãos de Isabella, Emmett e Seth, tinham algumas fortes opiniões com relação a quem poderia ter matado o pai deles. Mas aquela não era a hora de compartilhá-las com a mãe.
—Vou ligar para o detetive Conner amanhã para marcar uma reunião mais para o fim da semana para descobrirmos se houve algum progresso — prometeu Isabella.
Se seus irmãos tivessem razão, Jacob fora extremamente diabólico garantira um álibi impecável, com vários dos próprios funcionários corroborando a história dele de que ficara trabalhando até tarde na noite do crime. Isabella não queria acreditar que seu meio-irmão fosse capaz daquele tipo de ardil. Mas, como Emmett ressaltara, Jacob era um homem muito rico tornado ainda mais rico pelos 45 por cento que herdara do Grupo Swan com a morte do pai. O dinheiro poderia comprar um álibi, especialmente quando as pessoas que o forneciam já dependiam de Jacob para seu sustento. Isabella fez uma anotação mental para buscar novidades com Leah Clearwater, a especialista em segurança corporativa que a família contratara para investigar os esforços de Jacob Black para sabotar o Grupo Swan. Mas Isabella já suspeitara algumas vezes de que Leah Clearwater estivesse envolvida demais emocionalmente com o implacável homem que ela vinha investigando.
O toque em seu braço a assustou.
Era Jasper, com um largo sorriso.
—Isabella, quero apresentar uma pessoa a você.
Olhando para a figura morena ao lado de seu ex-noivo, Isabella se flagrou confrontada pelo lindo homem com quem ela trocara aquele fervilhante olhar durante a cerimônia de casamento.
—Isabella, este é Edward Anthony Masen Cullen. Edward, apresento-lhe Isabella Swan, minha nova cunhada.
Ah, mas ela iria matar Alice!
Já conseguia sentir o rubor subindo por seu pescoço.
—Ouvi falarem tanto de você... — Edward estendeu a mão.
—Engraçado, era exatamente o que eu ia dizer. — Isabella pegou a mão dele. Seus cílios baixaram quando ficou ciente da força dos dedos contra os seus. — Estou surpresa por nunca termos nos encontrado antes.
—In'shallah. O que posso dizer? Não era a hora certa.
—Você acredita em destino?
—Mas é claro. Tudo acontece por um motivo. Hoje é o momento certo para nos conhecermos.
Encantada, ela começou a sorrir. Parecia que o amigo de Jasper poderia ser o perfeito candidato para o flerte com um desconhecido.
—É?
—Sim. — O olhar de veludo preto dele era determinado... E Laurel sentiu a força primitiva daquele homem.
Para quebrar o feitiço, ela voltou à atenção para Jaspe e murmurou:
—Você devia se preocupar com a possibilidade de trocarmos segredos. Provavelmente, nós dois juntos sabemos tudo sobre você.
Jasper deu risada.
—Estou aterrorizado.
—Você está tudo, menos aterrorizado. — Isabella olhou para Edward e encontrou os olhos dele iluminados de humor.
A banda começou os primeiros acordes da primeira dança.
—Isso, sim, é algo que me aterroriza com a possibilidade de eu estragar. A valsa nupcial — disse Jasper. — Vou buscar minha noiva.
Ciente da presença muito máscula de Edward a seu lado enquanto Jasper levava Alice para a pista, Isabella ficou em silêncio e se concentrou em assistir à dança.
Um holofote pousou sobre os recém-casados. Eles flanaram com a melodia e, alguns momentos depois, a outra irmã de Isabella, Angela, e seu marido, Ben, juntaram-se a eles. Emmett e Rosalie foram os próximos.
—Gostaria de dançar? — perguntou Edward com seu profundo tom de voz.
Em silêncio, ela deu a mão a ele. A tema força dos dedos dele causou o retomo daquela fantasia renegada de lábios esmagados, beijados.
—Ora, obrigada, eu adoraria.
Ele a levou para a pista de dança e a tomou nos braços. A repentina intimidade chegou como um choque. A música rodopiava em torno deles.
Para quebrar o clima sedutor, Isabella disse:
—Você conheceu Jasper em Harvard?
—Sim, fizemos algumas aulas e caminhadas juntos. Nós dois adoramos o ar livre.
—Vocês também estavam na equipe de remo juntos, não? Eu me lembro de Jasper falando dos treinos no rio antes do amanhecer.
Ele sorriu.
—Um interesse estranho para alguém de um país desértico, não?
—Um pouco. Fale sobre Diyafa.
—Ah, Jasper lhe contou sobre o meu país?
—Só o nome. Diyafa. Parece deliciosamente exótico.
—E é. As noites do deserto são quentes e secas, e o céu acima tem as estrelas mais brilhantes que já vi.
A sussurrada voz dele avivou a imaginação dela.
—Detesto confessar isso... Mas nunca saí dos Estados Unidos.
—Nunca?
—Nunca. Sempre quis viajar.
O item número seis da lista envolvia viajar para algum destino exótico, o mais diferente possível de Charleston.
— Agora só preciso realizar esse sonho. Até já tenho meu passaporte. — Que ela carregava na bolsa, juntamente com a lista e a carta que recebera de seu pai naquele dia emocionalmente carregado quando o testamento fora lido.
—Diyafa é um bom lugar para se visitar.
— Ah, eu não poderia me aproveitar do fato de termos sido apresentados.
—Por que não?
—Mal conhecemos um ao outro.
—Tenho certeza de que posso resolver isso. — Ele parecia entretido.
Céus, ela estava mesmo flertando com ele?
E daí?
Flertar com um desconhecido. Estava na lista, e era improvável que tomasse a encontrar Edward. Ele podia ser o melhor amigo de Jasper, mas, até então, ela só ouvira falar dele. Demoraria, no mínimo, mais uns dez anos até que se reencontrassem afinal, ele era um homem atarefado. Valeria o risco?
Ou ela se acovardaria? Não. A hora de agir chegara. Isabella abriu o que esperava ser um sorriso misterioso.
—Talvez eu faça uma visita... Um dia.
—Pode me avisar quando for. — Havia um toque íntimo na voz dele.
Ele também estava flertando!
Claramente, Edward era um mestre na arte do flerte. Pela primeira vez, ela se sentiu tentada a se soltar. A se deleitar no poder pleno de sua feminilidade.
—Para ser franca, é mais provável que eu visite Las Vegas... — começou ela com uma provocadora risada.
—Gosta de apostar?
—Nunca apostei sério. Certamente, não em um cassino.
A mãe dela não aprovava o jogo. Um tio renegado, a ovelha negra da família Withrop, perdera uma fortuna no pôquer, contribuindo para a situação difícil na qual a família se encontrava antes do casamento de Renée com um rico Swan. Apostas eram algo seriamente desencorajado entre as crianças Swan. Sem dúvida, fora por isso que “apostar a noite inteira” entrara na lista...
—Precisaremos mudar isso... Colocar mais em jogo.
—Eu não iria querer ficar viciada.
—Isso só pode acontecer se o que estiver em jogo for mais do que você pode aguentar.
—Vou me lembrar disso. Se algum dia eu for a Vegas.
A música chegou ao fim. Isabella estava com calor e com sede, mas ela descobriu que não queria que a conversa terminasse. Era empolgante. Divertida. Mas arriscada. O peso da mão de Edward repousando na sua cintura, o toque dos dedos, o jeito como o corpo dele roçara contra o seu ao ritmo da música estava dominando os seus sentidos.
—Está quente aqui — disse ela, finalmente soltando a mão dele.
—Preciso de um drinque.
—Está uma brisa fresca lá fora — respondeu Edward prontamente, a mão deslizando da cintura para o cotovelo dela.
Enquanto saíam da pista de dança, ele pegou duas taças com um garçom que passava antes de levá-la para as portas abertas.
Isabella hesitou. Lá fora, a sacada parecia deserta.
Seu coração deu um salto quando a mão dele tocou a pele sensível abaixo do seu cotovelo. A voz de Edward estava profunda e calma ao dizer:
—Venha. Estará tranqüilo e fresco.
E, ao sair para a noite do sul, ela não conseguiu deixar de imaginar se tinha permitido a si mesma ir além do que aguentaria.
Edward levou Isabella para as sombras da ponta da sacada e lhe entregou a taça, recostando-se na larga balaustrada em seguida. Ela inclinou a taça para um pequeno gole, e seu olhar se entrelaçou ao dele por cima da borda.
Algo — desejo? — se fixou rapidamente na base do estômago dele.
Com sua silhueta alta e esbelta envolta por uma coluna de seda como luar, sua pele de magnólia, olhos reluzentes e o glorioso cabelo ruivo-escuro a coroá-la, Isabella Swan era uma mulher muito bonita. Qualquer homem ficaria excitado ao receber a total atenção dela.
Mas Edward estava interessado em muito mais do que o surto de atração entre eles. Apesar dos milhões que ele acrescentara à fortuna dos Al-Abdellah, seu avô ameaçava expulsá-lo da empresa da família se ele não se casasse logo. Até então, Edward resistira, o amor não estava em sua pauta. No entanto, a batalha de vontades travada entre ele e o príncipe Ahmeer Al-Abdellah se transformara em uma guerra aberta. Casar-se com a mulher certa poderia ser o menor dos males. A sugestão, não tão zombeteira assim, de Jasper de que Isabella pudesse ser a noiva perfeita para fazer com que o avô de Edward o deixasse em paz valia uma séria consideração.
E o amor não seria um fator...
Uma olhada para Laurel, e seu astuto avô não faria mais nenhuma pergunta. Que homem em perfeito estado de sanidade deixaria passar a oportunidade de se casar com uma criatura tão deslumbrante? O fato de ela ser uma Swan de Charleston só servia para melhorar ainda mais a situação. Mas, primeiro, Edward teria de convencer Laurel. Ela era uma Swan, e não havia nenhum motivo no mundo para que ela concordasse em ajudá-lo.
A não ser os negócios...
—Quer dizer que você gostaria de apostar em Vegas?
—Talvez.
Ele pôde ouvir o sorriso na voz de Isabella. Ela o estaria provocando?
—Você nunca foi lá?
—Só uma vez, quando era criança. Mas não me lembro. Então não conta.
—Esse problema é fácil de se resolver... Mas você não deveria ir sozinha.
—Só descobri que queria ir recentemente. Ha alguns meses, eu poderia ter convidado Angela ou Alice para ir comigo. Mas é tarde demais; as duas estão casadas. Angela não quis tirar o brilho do casamento de Alice e se casou com Ben numa cerimônia bem particular há alguns dias. Eles pretendem fazer um evento maior e mais elaborado para a família em outubro, depois que o bebê nascer.
Isabella falava com uma voz casual, mas Edward pensou ter detectado um toque de solidão na voz dela. Ele conhecia bem a solidão. Filho único, invejava o vínculo que Isabealla compartilhava com seus irmãos e suas irmãs. A intimidade entre os Swan era evidente.
O mais perto que ele chegara daquele tipo de relacionamento fora com a amizade com Jasper.
—O casamento não vai mudar o fato de que elas sempre serão suas irmãs.
Olhando para a noite, Isabella falou:
—Sei disso. Mas, agora, elas têm suas próprias prioridades. Os maridos... E Angela vai ser mãe. As coisas nunca mais serão as mesmas. Mas já chega de falar disso. Tenho muitos amigos com quem posso visitar Vegas.
Edward não duvidou daquilo nem por um instante. Ela era vivaz e estonteantemente linda. Devia ter amigos zumbindo à volta dela como abelhas num pote de mel.
—Como você ficou amiga de Jasper?
— Temos a mesma idade. Então, quando éramos mais novos, parecia natural andarmos juntos. Anos depois, com os dois ainda solteiros e tão bons amigos, éramos convidados juntos para todos os lugares. Acho que estávamos ligados como um casal na mente de todos antes mesmo de a ideia nos ocorrer. O passo seguinte foi o casamento. Mas, claramente, somos melhores amigos do que amantes. Não havia chama.
E aquilo explicaria a aceitação filosófica de Jasper do rompimento, seguida pela irônica piada dizendo que Edward deveria se casar com ela.
Edward deixou a taça de lado e se aproximou de Isabella então murmurou:
—Você quer essa chama?
—Toda mulher não quer?
Algo saltou entre eles. Antes que Edward pudesse considerar suas ações, ergueu a mão e afastou uma mecha do escuro fogo do rosto dela. Sua pele fresca era mais lisa do que qualquer outra que ele já tivesse tocado, e o deixou ávido por outro toque. Abruptamente, ele baixou a mão antes que pudesse ceder à loucura do momento.
—Todo mundo busca essa chama arisca... Poucos têm a sorte de encontrá-la.
—Está falando de amor?
—Não acredito no amor. Estou falando do que você chamou de chama. Uma força tangível que liga duas pessoas em perfeita harmonia apenas algumas vezes durante uma vida inteira.
—A chama parece... Interessante. Eu costumava achar que queria amor mais do que tudo no mundo.
—Não pensa mais assim?
— Não.
Edward se flagrou sorrindo com aquele absurdo. A revelação de que ela não estava buscando alguma noção romântica do amor acalmou a consciência dele. Negócios, e talvez algumas chamas, talvez fossem o suficiente para persuadi-la a seguir seu plano.
Enfim encontrara uma mulher capaz de fazer a distinção entre realidade e romance? Talvez. Afinal, ela era uma Swan, uma mulher de negócios.
—Quer que eu pegue outra taça para você?
— Ainda não. Já bebi o suficiente. Acho que estou meio tonta. Estou tentando me lembrar de quantas taças de champanhe bebi. Talvez três. — Ela riu. — Isso é uma novidade.
Edward pegou a taça dela e a pôs na balaustrada atrás de si.
—Você nunca ficou tonta?
—Nunca! Minha mãe ficaria envergonhadíssima, não aprovaria.
—Fiquei triste ao saber da prisão da sua mãe. Deve ter sido um momento difícil para toda a família.
— Não tem sido fácil. — Todo o humor se esvaiu do rosto dela, e Edward se flagrou sentindo falta do prazer daquilo. — A polícia ainda não conseguiu encontrar um suspeito. Mas, felizmente, mamãe foi liberada. Não paro de reviver aquele último dia na minha mente. Fiquei no escritório até o fim daquela tarde. Até fiz uma xícara de café para o meu pai antes de ir embora. Ele me olhou quando eu a pus na mesa e brinquei que estava quente e forte, como ele gostava. Ele riu... Papai não costumava rir... E me agradeceu. Depois voltou para os documentos que vinha lendo. E a última imagem que tenho dele. Ele nem viu o meu aceno de despedida quando saí do escritório.
Isabella parou, e Edward soube que ela estava contendo lágrimas.
—Mas não paro de pensar que eu devia ter tido algum tipo de premonição, percebido algo — disse ela roucamente. — Não vi nada fora do normal. Vários funcionários ainda estavam lá quando saí. Rosalie, a assistente de Emmett na época, foi a última a sair.
A lembrança estava claramente deixando Laurel aborrecida.
Envolvendo o próprio corpo com os braços, ela foi até a ponta da balaustrada.
—Não acredito que não percebi nada.
—Você não estava esperando que algo acontecesse.
Ela ficou em silêncio. Finalmente virou a cabeça, e uma faixa de luar lhe atravessou o rosto, dando à sua pele o brilho da seda prateada.
—De todos nós, Rosalie é a que mais culpa a si mesma. No seu depoimento à polícia, ela mencionou que, enquanto terminava de arquivar um pedido pendente, mamãe levou o jantar para papai naquela noite. A polícia prendeu a minha mãe... Tinha sido a última pessoa a vê-lo vivo, e até recentemente ela não tinha álibi. O que faz Rosalie se sentir ainda pior é o fato de ela nem ter pensado em dizer que, mais cedo naquela tarde, chovia muito e ela estava com os braços cheios de plantas baixas quando correu até o edifício para evitar ficar ensopada. Um homem de chapéu e sobretudo segurou a porta aberta para ela. Ninguém tem ideia de quem ele seja. A segurança não registrou a entrada dele, pensaram que estivesse com Rosalie. O detetive Conner acha possível que ele tenha ficado escondido no prédio até que todos, inclusive mamãe, fossem embora.
—E ainda não há pistas de quem era?
Isabella balançou a cabeça.
— A gravação da câmera de segurança de um estacionamento adjacente mostra o carro antigo de Jacob Black lá desde o fim da tarde até por volta do horário em que meu pai foi baleado... Mas ele jura que estava no próprio escritório. Entretanto, não deu queixa por seu carro ter desaparecido... Ou sido roubado.
—E você acha que Black pode ter matado o seu pai?
—Não paro de torcer para que não. Obviamente, papai amava Sarah. Queria se casar com ela, mas os pais dele não aceitavam. Claramente, Jacob se sente amargurado com a situação. A verdade é que ele pode ser o primogênito, mas não é um Swan legítimo. Papai tentou compensar, para ele e para Sarah. Mas, apesar da herança e do poder que papai deu a ele, Jacob está se comportando como se tivesse um imenso rancor da família, o que torna difícil vê-lo de um jeito positivo.
—E você gosta de ver o melhor nas pessoas?
— Eu tento.
Os olhos que encontraram os dele tinham o tipo de honestidade que ele já desistira de encontrar.
—Mas nem sempre acerto. Vamos falar de outra coisa... Prometi a mim mesma que não deixaria Jacob black estragar esta noite. É uma comemoração.
—Quero falar de você. — Satisfeito, Edward viu Isabella hesitar. — Jaspe disse que você tem o coração mais bondoso que ele já conheceu.
Ela enrugou o nariz para ele.
—Isso me faz parecer entediante.
—Bondade não é entediante.
—Bem, também não é muito empolgante.
—Você quer ser considerada empolgante?
—Quero uma vida. — Aquilo saiu com tudo. Ela pareceu assustada com a própria ferocidade. — Nossa, isso soou muito mais melodramático do que eu pretendia.
Talvez Isabella Swan não expressasse seus próprios desejos com frequência suficiente, ponderou Edward. Dando dois passos na direção dela, ele perguntou com cuidado:
—Como pretende obter a vida que você quer?
O olhar dela se voltou para a noite.
—Vou fazer tudo aquilo que nunca fiz. Coisas que ninguém esperaria de Isabella Swan, diretora de Relações Públicas do GS, amiga da biblioteca, mecenas da galeria de arte, a primeira pessoa a se juntar a um comitê por qualquer boa causa.
Edward não conseguiu conter um sorriso com o comentário auto-depreciativo.
—Como apostar em Vegas?
—Exatamente. Pode não significar muito, mas vai ser um tijolo arrancado das muralhas que me aprisionam.
O que tinha naquela mulher que fazia o coração dele se avivar?
Então ele percebeu. Por baixo do exterior de comportada dama, Isabella Swan era uma rebelde. Edward teve a sensação de que ela estava prestes a se desvencilhar dos grilhões de uma vida inteira. Que o destino os ajudasse.
—Você quer experimentar o risco e a aventura?
Olhando nos reluzentes olhos dela, Edward descobriu que queria conhecer melhor aquela intrigante mulher.
Muito melhor.
Ele a desejava. Mais importante, gostava dela. Seria fácil lhe explicar seu problema. Aquilo despertaria a solidariedade dela.
Seu bondoso coração permitiria que ela concordasse em se casar por conveniência?
Edward suspeitava de que ela talvez até pensasse a respeito. Jasper tinha razão Laurel seria a esposa perfeita para ele.
Mas ele precisava de tempo para convencê-la. Antes que pudesse conter o impulso, Edward se flagrou dizendo:
—Se é assim, vá comigo a Vegas.

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