31.1.14

Adaptação: Uma Dança Com O Sheik - Capítulo Quatro

Uma Dança com o Sheik
Obs: Aviso legal
       Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.
Notas da Autora:


Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Tessa Radley, Uma dança com o Sheik , Tituli Original: One Dance with the Sheikh que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capítulo Quatro
Começo de Uma Aventura

A expressão de Isabella ficava cada vez mais maravilhada à medida que a limusine que os buscara no aeroporto atravessava a parte mais famosa de Las Vegas.

— Não há lugar no mundo como Vegas — disse Edward.

— Parece um set de Hollywood. Não me lembro de nada disso da vez em que vim aqui quando criança.

— Então vou ter de lhe mostrar tudo.

— Mal posso esperar.
Quando a limusine embicou na entrada do hotel de luxo que ele reservara, Edward quase se arrependeu de não ter reservado uma suíte em um dos resorts mais exagerados.

— Há hotéis mais escandalosos. Mas achei que você apreciaria um lugar mais calmo quando um refugio da loucura se tomasse necessário.
Isabella saiu do carro e ficou ao lado dele. Baixando os óculos escuros do alto da cabeça, ela disse:

— Acho que calmo é algo que ninguém associa Vegas.

— Acredite ou não, há lugares calmos não muito longe daqui.

— Tipo onde?

— Jasper e eu viemos aqui algumas vezes durante as férias de Harvard. O deserto é vasto e sem incômodos. Lindo. Às vezes, fazíamos caminhadas pelo Red Rock Canyon.

Houve uma longa pausa enquanto ela o analisava.

— Você estava sentindo falta de casa. Com saudade de Diyafa... E da sua família.

Edward não respondeu. Mas ficou aliviado por não conseguir ver a expressão dela por trás do véu escuro e opaco dos óculos. Suspeitava de que seria bondosa demais. Pena era a última coisa que ele queria daquela mulher com a qual estava determinado a se casar.

Certamente não explicaria a complicada relação com sua família. As avassaladoras expectativas de seu avô, que tinham começado pouco depois de ele nascer e o puseram eternamente em confronto com seus primos. Os ataques de raiva de seu pai, que faziam sua mãe chorar inconsolavelmente. Seu próprio crescente ressentimento do pai, que aumentara depois que ele fora mandado para um internato na Inglaterra. E a constante culpa por deixar sua mãe para lidar com o pai que não se abrandara pelas cartas bravamente estoicas escritas com a perfeita e fluente caligrafia dela.

Quando ele fez 13 anos, seus pais já estavam mortos. E enterrados fazia uma década quando ele e Jasper caminharam pela primeira vez no Red Rock Canyon.

Então Laurel estava enganada. A peregrinação que Edward e Jasper fizeram até Vegas nada tinha a ver com saudade de Diyafa... Ou da família.

Segurando o cotovelo dela, ele a levou para dentro do tranqüilo e discreto luxo do lobby do hotel. Uma hostess se apresentou rapidamente e ofereceu uma taça de champanhe a cada um. Isabella balançou a cabeça.

— Quero ficar de cabeça limpa. Não vou perder nem um momento disso.

O humor dela fez com que o dele se animasse.

— Gosto de você tonta — afirmou ele levemente.

Um rubor varreu as bochechas dela.

— Não é nada gentil da sua parte me lembrar disso.

Vindo de sua dama transformada em rebelde, a declaração o fez rir.

— Pensei que você estivesse farta dos grilhões sociais.

— Não tão farta a ponto de ficar tonta tão cedo.

Chegaram à recepção. Isabella se inclinou para responder a algumas perguntas, e Edward ficou logo ciente demais das linhas rígidas e esbeltas do corpo dela. Um leve aroma de verão flutuou até ele. Edward inspirou fundo. Era possível se embriagar de perfume? Perguntou a si mesmo, mas abandonou a absurda ideia.

Aquilo eram negócios.

Não o prazer que a companhia dela lhe trazia. Era difícil acreditar que a conhecera apenas no dia anterior. Fora difícil convencê-la a viajar naquele dia. Quando ela aceitara, tentara imediatamente ganhar algum tempo. Sugerira o fim de semana seguinte. Edward não podia arriscar que ela mudasse de ideia. Forçara até ela ceder. Vencera. Tinha dois dias para convencê-la a se casar com ele... E garantir seu cargo na Gifts of Gold, a empresa da qual ele era o diretor executivo.

Dois dias...

Edward temia que não fosse suficiente. Teria de tentá-la para ter mais tempo.

Depois que terminaram as rápidas formalidades de check-in para a suíte que ele reservara na cobertura, Edward não perdeu tempo para pôr seu plano de ataque em ação. Curvando a cabeça, murmurou:

— Pensei em sairmos para explorar.

— Parece ótimo. Mal posso esperar.

Parte do alegre entusiasmo dela parecia estar passando para ele, pois Edward não conseguiu evitar retribuir o sorriso dela.

— Então não há tempo a perder.

Isabella logo descobriu que Las Vegas tinha mesmo paisagens espetaculares.

O interior do hotel Luxor ficava dentro de uma imensa pirâmide de vidro preto, guardada por uma esfinge. Lá dentro, em vez de tesouros do Egito Antigo, Isabella ficou maravilhada ao encontrar uma reconstrução da proa do imenso Titanic. Enquanto ela e Edward vagavam pelas instalações, Isabella ficou tocada pelas histórias das últimas horas da tripulação e dos passageiros do trágica viagem do navio.

O Liberace Museum, em contraste, com sua coleção resplandecente e desavergonhadamente cafona, fez com que ela risse. O piano coberto com espelhos brilhantes era exageradamente espalhafatoso. Ao ver a expressão chocada de Edward ao inspecionar o famoso terno vermelho, branco e azul com a calça justa de Liberace, um malicioso impulso a dominou.

Ela analisou o jeans preto e a camiseta estonteantemente branca que usava e se inclinou para perto para sussurrar:

— Acho que o seu guarda-roupa devia incluir um desses trajes.

— Eu causaria um belo rebuliço em Diyafa se usasse algo assim. Na verdade, um desastre nacional, Ainda existem conservadores que jamais se recuperariam ao ver o neto do príncipe Ahmeer Al-Abdellah usando calça colada.

No curto espaço que os separava, os olhares se encontraram, e, por um carregado momento, uma conexão pulsou entre eles...

— Chega de museus. — Edward pegou a mão dela. — Acho que precisamos de mais ação.
Um choque de surpresa a atravessou quando a mão dele se fechou em volta da dela. O toque era quente e firme. Edward não demonstrava sinais de que o gesto o afetava tanto estava avançando com determinação. Pelo visto, alheio ao fato de que eles estavam de mãos dadas como um par de amantes.

Ela estava interpretando demais aquilo.

Edward a tratava com o tipo caloroso de amizade que ela queria. Então por que estragar tudo imaginando intimidades que não existiam?
Mas Isabella não conseguiu abafar a sensação das mãos dadas, e, por fim, se soltou e parou quando uma vista conhecida se materializou à sua frente.
— Nova York?
Aquela era a ideia de “mais ação” dele? Mas ela precisava admitir que as réplicas dos arranha-céus eram impressionantes.
— Os edifícios têm cerca de um terço do tamanho real — informou Edward. — Mas não são eles que vão dar a adrenalina que prometi.
— New York-New York? Uma montanha-russa? — arfou ela momentos depois.
— Por que não? — Ele lhe lançou um olhar de provocação. — Tem medo?
Ela empinou o queixo.
— De modo algum. Adoro! Ao menos, adorava antigamente — acrescentou Isabella, com um pouco mais de dúvida, torcendo para que sua paixão de adolescente por montanhas-russas voltasse antes de eles chegarem ao início.
— Tem um ponto em que o carrinho cai uns quarenta metros.
— Está tentando me assustar?
— Eu nunca faria algo assim. — Mas o repuxar dos lábios dele o entregou. — O terror aumenta a expectativa.
— Você está tentando me assustar... Seu malvado! — Ela avançou nele, empunhando a bolsa.
Edward segurou os pulsos dela antes que Isabella pudesse atingi-lo, os ombros tremendo de felicidade.
— Está se divertindo.
Ela ficou imóvel. Baixando a bolsa, olhou rápido à volta. Esquecera-se tão rapidamente de se comportar com a dignidade adequada à filha mais velha dos Swan... A vergonha a dominou mais Isabella a afastou. Ninguém na multidão a conhecia. Ninguém daria à mínima. A liberdade veio numa estonteante rajada.
Feliz, ela disse:
— Sim, muito! — Entrou saltitando na fila ao lado de Edward.
— Estamos com sorte. Vamos ficar nos primeiros bancos — disse Edward quando uma atendente os chamou à frente.
Sentaram-se e prenderam os cintos e o entusiasmo de Isabella se esvaiu quando ela viu a pista vermelha diante de si. Sorte? Talvez não. Quando o carrinho começou a andar, o coração dela subiu para a garganta.       
— Edward, que loucura me dominou para que eu fizesse isso?
— Você vai adorar.
O carrinho subiu, e o frio começou a crescer na barriga de Isabella.
Chegaram ao topo.
Isabella vislumbrou o céu de Las Vegas diante deles. Ao longe, colinas se ondulavam numa longa curva.
O trem ganhou velocidade.
— Oh, céus!
A mão de Edward se fechou em tomo da dela. Antes que ela pudesse tomar fôlego, já estavam descendo. E subindo... No mergulho seguinte, o estômago de Isabella ficou em algum ponto do céu acima deles. O ar abandonou seus pulmões em um grito silencioso. Ela conseguia ouvir Edward rindo ao seu lado.
A frente, bem lá no alto, ela viu um looping completo.
— Nãããão...
Ela apertou a mão de Edward até seus dedos doerem.
O carrinho subiu. A tensão arranhava o corpo dela. Isabella conseguia ouvir os gritos atrás de si. Por um desconcertante instante, o mundo virou de ponta-cabeça, flutuou, o céu azul lampejando debaixo deles em um borrão que girava. Então, tudo se endireitou. Eles reduziram a velocidade ao entrar numa série de curvas fechadas que fizeram a coxa dela se apertar contra a de Edward.
Uma louca euforia explodiu dentro dela.
Passaram voando pela Estátua da Liberdade, e Isabella se flagrou rindo. Momentos depois, entraram numa escuridão uterina.
Edward murmurou algo ao lado dela, mas o som do coração de Isabella martelando em sua cabeça abafou.
Aos poucos a visão dela se ajustou até que ela conseguisse ver as luzes e formas da estação do metrô. O barulho e envolveu a animada saudação do atendente quando ele a soltou do cinto.
Quando saíram do carrinho, as pernas de Isabella pareciam gelatina. Mas a pura empolgação a impeliu à frente.
— Você tinha razão. Adorei!
Isabella não se importou por soar arfante ao girar para sorrir para Edward através da nuvem de cabelo que lhe envolvera o rosto na montanha-russa. Naquele momento, ela se sentia pronta para dominar o mundo.
Mas Edward não estava nem sem fôlego. Nem sequer um fio de cabelo dele saíra do lugar. Uma maliciosa vontade de vê-lo um pouco desgrenhado a dominou.
— De novo — desafiou ela. — Quero ir de novo.
Era noite, e o deque de observação do 15 o andar da Torre Eiffel de Las Vegas estava deserto.
— Que lindo! — sussurrou Isabella. — É como estar numa cápsula de ouro. Foi o dia mais extraordinário de todos. A impulsividade me levou a aceitar o seu convite.
Com o olhar fixo nela, Edward disse:
— Impulsividade?
— Cedi à tentação de violar a proibição das apostas dos Winthrop. — Ela abriu os braços para a vista. — Mas não esperava isso. Não faço ideia de como você pretende manter a ação, e as surpresas, em alta amanhã.
— Não se preocupe. Tem muito mais para vermos — afirmou Edward, e acabou com a distância entre eles. — Golfinhos. Tubarões. Leões. Ainda nem começamos com a parte dos animais.
O olhar de esguelha que ela lançou a ele tinha um reluzir muito humano de malícia.
— Ou poderíamos experimentar os brinquedos da Stratosphere Tower.
Rakin grunhiu.
— Criei um monstro. Três voltas na New York-New York, sem falar na montanha-russa do Nascar Cafe hoje à tarde... E você ainda quer mais?
— Nunca imaginei o que eu poderia estar perdendo. Devia ter posto “andar numa montanha-russa” na lista.
— Você fez uma lista do que fazer em Vegas?
Isabella corou e desviou o olhar.
— Não tem a ver exatamente com Vegas.
— Mas você tem uma lista?
Isabella assentiu.
A reticência dela o intrigou.
— O que tem nela?
— Não lembro — resmungou, e seu rubor ficou mais profundo.
Isabella Swan mentia muito mal.
— Agora você despertou a minha curiosidade.
Ela resmungou algo. Então apontou.
— Veja, não é bonito?
Edward se permitiu ser distraído. Lá embaixo, a via principal começava a se acender enquanto Las Vegas se preparava para a noite.
— Ah, e olhe ali!
Edward seguiu o dedo dela. Três anéis de chafarizes tinham saltado de um lago diante do Bellagio.
Um olhar para Isabella revelou que ela estava encantada.
— Vamos ver o chafariz mais de perto durante o jantar. — Ele reservara uma mesa no Picasso especificamente para que Isabella pudesse desfrutar o espetáculo.
— Daqui de cima é outra perspectiva. Essa torre parece com todas as fotos que já vi da Torre Eiffel verdadeira. É incrível.
Edward não desviara a atenção do rosto dela. As expressões em constante mutação de Isabella revelavam cada emoção que ela sentia. Deslumbramento. Empolgação.
Por um louco momento, ele imaginou como ficaria o rosto dela tenso de desejo, seu cabelo ruivo-escuro espalhado no travesseiro dele...
Edward fechou os olhos para bloquear a tentadora visão. Para seu alívio, a voz de Isabella interrompeu sua tórrida imaginação:
— Você já foi a Paris ou a Veneza? Adoraria visitar as duas.
— A Veneza, não. Mas fui várias vezes a Paris... Minha mãe adorava a Cidade-Luz. Estudou na Ecole Nationale Supérieure des Beaux-Arts na Rive Gaúche, na frente do Louvre.
— Ela é artista?
Edward assentiu.
— Era... Ela morreu.
— Sinto muito. Não queria reabrir...
— Não se preocupe. Falar dela não me incomoda. Ela já se foi há muito tempo. A maioria das pessoas evita falar nela isso as deixa desconfortáveis. — Aquilo ia de encontro à necessidade dele de falar sobre sua mãe, de se lembrar dela do jeito que ela fora talentosa, instável, amorosa. — Meu pai também morreu.
— Você deve sentir saudade dos dois.
As lembranças do pai dele eram muito mais ambivalentes. Mas não havia necessidade de Isabella descobrir o que existia por baixo da máscara que ele preservava com cuidado. Então Edward se concentrou nos fatos.
— Meus pais se conheceram em Paris.
— Que romântico!
Era a conclusão à qual ele esperava que ela chegasse. Sua mãe também achara romântico. Seu pai chamara de destino. Nem romance nem destino foram suficientes, no fim das contas.
Na noite em que se conheceram, Isabella perguntara se ele acreditava em destino...
— Era primavera. — As palavras forçaram sua saída da garganta embargada dele.
— Ainda mais romântico.
Sem olhar para Isabella, ele continuou a tecer o conto que se tornara uma lenda entre as mentiras dos tabloides.
— Meus pais voltaram a Diyafa para um extravagante casamento, e eu nasci menos de um ano depois.
Àquele fora o fim do romance e o começo da dura realidade da mãe dele. Como conseguira o herdeiro que queria, o sheik não precisava mais agradar a esposa. O dever, e não o desejo, mantivera os pais de Edward juntos até a morte.
Edward descobriu que estava com uma assustadora e intensa necessidade de ver o rosto de Isabella. Forçando um sorriso, ele deu meia-volta. Os olhos dela tinham uma aparência leve, sonhadora.
— Eu adoraria visitar Paris na primavera.
— E caminhar ao longo do Sena. — Edward conhecia todos os clichês.
— Que maravilhoso deve ser apaixonar-se numa cidade que celebra os amantes! E eu também adoraria visitar Diyafa.
Era a deixa de que ele precisava.
Mas, em vez de contar a ela a respeito do plano de seu avô, Edward olhou para o relógio.
— A mesa reservada para nós não é muito longe daqui. Durante o jantar, conto mais sobre o país onde nasci... E depois, vamos fazer o que todos fazem em Vegas: apostar.
— Quanto mais estiver em jogo, melhor. Não se esqueça de que pretendo apostar a noite inteira.
Por que não dissera a ela que precisava de uma esposa para neutralizar as ameaças de seu avô? Parte de Edward reconheceu que ele estava sendo sugado para a fantasia que criara para uma mulher da qual se flagrava gostando cada vez mais.
Um dia inteiro já se passara. Eles logo iriam embora de Vegas, e a oportunidade de negociar a cooperação dela estaria perdida para sempre.
Era hora de voltar à realidade.
E arrumar uma esposa.
O Picasso, no Bellagio, era um dos restaurantes favoritos de Edward.
— Bellagio é um vilarejo à margem do lago de Como — disse ele a Isabella depois de os pratos serem retirados, e enquanto e eles analisavam o cardápio de sobremesas.
— George Clooney tem uma villa no lago de Como, não tem? E melhor eu acrescentar isso aos lugares exóticos que quero visitar.
— Você tem tanta vontade de conhecer Clooney?
— Todas as mulheres não têm?
Ele riu.
— Você é muito provocadora!
— Na verdade, não — confidenciou ela, inclinando-se à frente e baixando a voz. — Só com você. Nunca flertei na vida... Mas, com você, é fácil.
A franqueza dela o desarmava. E o tom rouco na voz vibrava através dele. Edward  não ousava baixar os olhos, já que a ação dela podia ter feito o provocante decote revelar ainda mais da tentadora pele de Isabella.
— Achei que todas as mulheres do sul nascessem para flertar.
— Eu, não.
Ele poderia ter argumentado que ela aprendia rápido. Entretanto, Edward suspeitava de que Isabella não fazia ideia do efeito que estava causando nele, mais interessado nela do que estivera em qualquer mulher fazia muito tempo.
— Venho tentando flertar com você porque... Me sinto segura.
A honestidade da declaração dela o abalou.
— Não vai pedir sobremesa?
Para sua surpresa, Edward percebeu que baixara o cardápio na mesa. Mas não conseguia parar de pensar no que Isabella dissera.
— Acha fácil flertar comigo?
— Deve ser porque você é amigo de Jasper. Sei que você é confiável.
— Porque Jasper disse?
— Bem, ele nunca falou que eu podia confiar em você. Mas não seria seu amigo se não confiasse. Jasper não é o tipo de homem que perde tempo com mentirosos e fraudes.
— Quer dizer que você aceita a opinião de Jasper... Em vez dos seus próprios instintos?
Isabella hesitou.
— Não, não pense demais. — Colocando os cotovelos na beira da mesa, ele juntou as mãos e a olhou por cima delas. — Quero uma resposta instintiva, não uma criada por bondade.
— Confio em você.
— Por quê?
— Não sei. — O olhar dela se desviou e, em seguida, voltou para ele, como se atraído por algum poder ao qual ela não fosse capaz de resistir.
— Isso a surpreende.
— Sim. Nunca fui de fazer amigos com facilidade. Minha família sempre foi suficiente.
— E Jasper.
— E Jasper. Mas isso é diferente.
A afiada lâmina de inveja que perfurou Edward foi inesperada, e ele a afastou antes que a sensação pudesse infectá-lo e se transformar num venenoso ciúme.
— De que jeito?
— Temos a mesma idade. Ele morava perto quando éramos mais novos.
— Você estava sendo bondosa.
— Talvez. No início. Mas a amizade era entre iguais. Eu recebia tanto quanto Jasper desse relacionamento. Lembre-se, eu não tinha outros amigos íntimos.
Ele assentiu.
— Entendo isso.
— Imagino que eu confie em você por me sentir confortável na sua presença. Não me lembro da última vez em que ri tanto.
Fazendo uma carranca, ele disse:
— Devo ser um palhaço.
— Não! Você é tudo, menos um palhaço.
Ele estivera brincando, tentando fazê-la sorrir novamente. Mas a rápida defesa o fez perceber que Isabella estava preocupada com a possibilidade de ofendê-lo. Bondosa até demais. Ela não tinha ideia de que as emoções dele haviam sido forjadas para criar aço sólido. Se tivesse, não ficaria tão confortável em sua companhia.
— É verdade — disse ela honestamente. — Não me lembro da última vez em que me senti tão leve e despreocupada como hoje.
— Vou entender isso como um elogio.
Edward observou o leve rubor aquecer o rosto dela sob o peso de seu olhar.
Isabella baixou os olhos para o cardápio.
— Não faço ideia do que escolher.
A boca de Edward se curvou num sorriso.
— Vou tomar sorvete.
— Sorvete?
— Algo gelado neste clima. Mas tudo no cardápio é ótimo.
— A comida estava fabulosa.
— Todos os pratos do cardápio são inspirados em lugares onde Picasso viveu na Espanha e no Sul da França.
O comentário dele fez Isabella olhar para uma pintura de Picasso na parede mais próxima.
— O que a sua mãe pintava?
— Imensas telas abstratas. Em geral, inspiradas na paisagem do deserto.
O pai dele as detestara. O sheik queria que sua esposa fizesse retratos realistas do deserto diyafano. Sua mãe preferira pinceladas largas de cor que convidavam o espectador a dar sua própria interpretação à paisagem.
— Você também pinta?
Edward balançou a cabeça.
— Estudei Administração, mas confesso que também fiz aulas de estudos clássicos. Então não sou um completo inculto. — Um sorriso puxou a boca dele.
— Inculto? — Ela retribuiu o sorriso. — Nunca pensei isso. Por que estudos clássicos?
— Não dá para ser criado num lugar como Diyafa e não ter noção de História Antiga, mas eu também adorava as velhas lendas. Gregas, romanas, egípcias... Diyafa também tem lendas maravilhosas. Já decidiu o que quer pedir?
— Chocolate... Algo de chocolate. Vou pedir a sugestão do restaurante. Depois quero apostar.
Edward não conseguiu evitar sorrir com a determinação dela.
— Eu não esqueci. Vamos apostar a noite inteira.
O silêncio que flutuava pelo cassino era quebrado de tempos em tempos pelo som de fichas e a conversa abafada enquanto as apostas eram feitas. Com entrada restrita a convidados, aquele era o domínio dos ricos, dos famosos... E dos apostadores dedicados. E Isabella estava começando a ficar aterrorizada com o som das fichas sendo puxadas pelo feltro verde.
Em torno da mesa de roleta na qual ela e Edward tinham se acomodado, várias pilhas de fichas cresciam como arranha-céus. Mas, como o homem magro sentado diante deles, segurando um uísque com olhos cada vez mais desesperados à medida que sua pilha se reduzia, Isabella estava perdendo.
Seu estômago começara a se revirar, irrequieto. Ela perdera ao menos cinco mil dólares do dinheiro de Edward nos primeiros dez minutos, e uma considerável quantia dela própria depois que se recusara absolutamente a aceitar mais fichas dele. Que estrago uma noite inteira de apostas causaria à fortuna de Edward... E à dela mesma?
— Estou começando a achar que vovô tinha razão — disse ela em voz baixa a Edward.
— Seu avô Winthrop?
Isabella assentiu.
— Ele considerava o jogo uma maldição.
— Uma que você espera quebrar esta noite?
— Hum. — Ela pensou naquilo. Imaginara que, vencendo nas mesas, estaria provando que era capaz de quebrar o velho tabu?
— Acho que meus motivos não eram inspirados. Creio que estava mais determinada a experimentar algo que a minha família reprova, o motivo totalmente errado para se fazer algo. Mas já perdi mais do que pretendia. Não estou vendo nenhuma evidência de retorno.
— Falou a fria mulher de negócios.
— Parece que temos essa mesma característica. Você não fez nem uma aposta ainda.
— Não jogo.
— Por motivos religiosos?
— É um mau negócio. Não gosto das probabilidades. Prefiro usar o dinheiro quando estou confiante em um belo retorno.
— Agora, quem é o frio homem de negócios?
Eles trocaram sorrisos.
O crupiê chamou as apostas. Isabella hesitou e balançou a cabeça.
Edward tocou o braço dela.
— Estamos incomodando os jogadores. Acho que é hora de irmos.
— E lá se vai meu plano de apostar a noite inteira.
— Talvez você se revigore depois de um descanso.
— Duvido. — Ela abriu um pálido sorriso para ele. — Descobri que é muito rápido perder dinheiro nas mesas. Nunca tinha entendido como isso era fácil. — E aquilo fizera com que ela se sentisse solidária à ovelha negra dos Winthrop.
Ao deixarem o silêncio do cassino exclusivo, o vivaz zumbido de Vegas voltou com tudo. Máquinas caça-níqueis faziam barulho em tomo deles, seus coloridos monitores piscando brilhantemente. A sensação de enjoo no estômago de Isabella começou a diminuir.
Encontraram uma alcova no lounge, e Isabella afundou num macio assento. Edward fez um pedido a uma garçonete e se juntou a Isabella na larga almofada.
— Acho que meu avô teria aprovado você, Edward.
— O mesmo avô que arranjou o casamento dos seus pais?
Isabella assentiu.
— O próprio.
— E por que acha que ele teria me aprovado?
— Segundo a minha mãe, ele deu o melhor de si para restaurar a fortuna da família Winthrop de todas as formas possíveis antes de ter a ideia do casamento com um Swan. Na casa do meu avô, era uma regra absoluta que nenhum dos filhos tivesse permissão para apostar. Mamãe diz que vovô ficou furioso quando o irmão mais velho dele perdeu Captain’s Watch depois de apostar nos cavalos.
— Captain’s Watch?
— A casa de praia da família Winthrop, que estivera na família desde a década de 1800. Vovô Winthrop fez uma visita ao meu pai logo depois que a minha mãe se casou com ele, e papai concordou em se esforçar para comprá-la de volta. Acredito que não tenha sido fácil, que tenha custado uma pequena fortuna. Mas valeu cada centavo.
Isabella conseguia se lembrar da vista para o mar das largas janelas da casa de praia. Quando o testamento de pai fora lido, Isabella descobrira que seu pai sempre soubera exatamente quanto ela amava a casa de praia: ele a deixara para ela.
— Passamos infindáveis férias de verão lá. É um dos meus lugares preferidos.
— Então você precisa me levar lá um dia.
Antes que Isabella pudesse responder, a garçonete voltou com uma taça de champanhe e um refrigerante gelado.
Isabella olhou a taça e abriu um sorriso brincalhão para Edward.
— Não está querendo me embebedar, está?
— Não, não. Queria lembrar a você que, apesar das perdas na roleta, hoje é um dia de diversão, um momento de novas experiências.
— Muito obrigada por se dar ao trabalho de vir comigo a Vegas — disse ela, e ele ficou ciente da levíssima carícia dos dedos dela contra seu paletó. — Estou me divertindo.
Ignorando o ímpeto de acariciar aquela pele de pérola, Edward se obrigou ferozmente a se lembrar de que aquele não era um encontro romântico, mas de negócios. E já passava da hora de fazer sua proposta a ela.
— Las Vegas é tudo o que você esperava?
Ela ergueu a mão e deu um pequeno gole no vinho. Sorriu ternamente para ele.
— É muito melhor! E isso me faz apreciar ainda mais a sua companhia. Sei que você é um homem ocupado, e não está ganhando nada com isso.
Ele hesitou.
A pausa se estendeu por tempo demais, e o sorriso dela ficou petrificado.
— Na verdade, tem algo que quero pedir a você — murmurou ele.
A preocupação abrandou o brilho nos olhos castanhos dela.
— Você quer algo de mim.
Edward hesitou, procurando as palavras certas.
— É sexo?
Ele piscou. Sexo? Teria deixado transparecer momentos antes?
— Foi para isso que você me convidou para vir a Vegas? Fez tudo o que fez hoje por isso? — acusou ela, afastando-se no assento. — Estava me agradando para me levar para a cama?
Ele não podia negar que a vinha agradando propositalmente. Droga, queria que ela ficasse receptiva. Mas não para... Sexo.
— Pensei que você fosse diferente.
Isabella já estava de pé, pegando a bolsa. Num momento, iria embora e o deixaria sentado ali como um idiota. E a oportunidade se perderia.
— Não é sexo — disse ele rapidamente.
Mas ela não parou.
— Isabella... Não vá! — Ele pegou-lhe a mão.
Os dedos dela estavam rígidos de ultraje. Antes que ela pudesse libertá-los, ele disse:
— Não estou atrás de sexo. Sente-se. Ouça a minha proposta. Ela tem vantagens para a sua família.
Os dedos dela pararam de se contorcer.
— Uma proposta de negócios?
— Sim. — Edward sabia que era naquele momento ou nunca. — Quero que você se case comigo.
— O quê?! — Isabella não conseguia acreditar que tinha ouvido Edward direito.
Chocada, afundou de volta nas almofadas acolchoadas e olhou para a séria figura de temo formal e gravata.
Ele não parecia louco.
Parecia sombrio, intenso... e totalmente deslumbrante. O coração dela palpitou. Analisando o rosto dele, ela percebeu as feições tensas, a falta de humor em seus olhos. Não havia sinais do incrível companheiro que a divertira o dia inteiro.
— Você está falando sério.
— Totalmente. — O desafio reluzia naquele olhar enigmático quando ele soltou os dedos dela.
Soltando uma leve e incrédula risada, ela abriu as mãos.
— Não posso me casar com um homem que mal conheço.
— Isabella, não há nada a temer. Sou um homem de negócios plenamente respeitável e um pouco entediante.
Ela não o temia. Mas arriscar se casar com um homem que mal conhecia... O filho de um príncipe do Oriente Médio? Isabella não sabia se aquilo era sábio.
— Você não é entediante — disse ela por fim.
O calor que vazou para os olhos esmeraldicos causou uma sensação estranha no peito dela.
— Isso significa que vai concordar em se casar comigo?
Inclinando a cabeça para o lado, Ibellatentou ignorar a maneira como seu coração se revirava e o analisou.
— Você nem fala de amor.
— Então você quer amor? Uma proposta embalada em palavras doces? Devo me ajoelhar?
Ela balançou a cabeça lentamente.
— Se eu ainda sonhasse com esse tipo de amor, teria pegado o buquê que minha irmã jogou para mim.
Edward abriu um sorriso lento e apreciativo.
— Você é realista. Não nos conhecemos mesmo há muito tempo... e, apesar de eu gostar de pensar que descobrimos ter muito em comum, eu não insultaria a sua inteligência falando de amor tão cedo.
— Obrigada... eu acho.
Ela ainda estava tentando entender a explosiva proposta, com a qual ele dissera que a família dela se beneficiaria. Mas o que ele ganharia com ela? A mente dela pulou de uma situação para outra. Mas nenhuma delas fez sentido.
— Você pediu para que eu me casasse com você, mas não faço ideia de por quê.
O sorriso ainda estava nos olhos dele.
— Você é uma mulher muito bonita, deve saber disso.
— Beleza não garante que um casamento terá sucesso. Basta olhar para o casamento da minha mãe para saber disso. Você insinuou que estava me fazendo uma proposta de negócios... Eu não esperava uma proposta de casamento.
— Minha proposta de casamento é uma proposta de negócios.
Isabella começou a rir.
Ele se sentou mais para a frente, e seu joelho ficou pressionado contra o dela.
— Acredite, não é tão louco quanto parece. Faz anos que meu avô vem ameaçando alterar o testamento dele e me deserdar por não formar uma aliança com as diversas mulheres que ele escolheu para mim. Ignorei a ameaça dele todas as vezes, porque ele é um homem irritadiço que ainda tem muito vigor. Ainda vai enganar a morte durante um tempo. Mas, recentemente, as ameaças se intensificaram. Não está mais ameaçando só me deserdar quando ele morrer. Agora, jurou que vai obrigar a diretoria a votar para me tirar do cargo de diretor executivo. E, não satisfeito com isso, também vai transferir para o meu primo as ações majoritárias que ele tem do império empresarial Abdellah. Tudo isso será feito se eu não estiver casado quando completar 36 anos. Não é mais questão de esperar até ele morrer para descobrir se ele cumpriu as ameaças meu avô pretende tirar os meus direitos daqui a um ano.
O rosto de Edward era um estudo sobre frustração.
— Não tenho intenção de que me tirem a empresa. Passei muitas horas da minha vida trabalhando para expandir a divisão Gifts of Gold até que se tomasse um fornecedor de primeira classe de mobília leve e linhos de luxo.
Por tudo o que ouvira Jasper dizer, Isabella sabia que tudo o que Edward dizia era verdade. Ele construíra uma carteira de clientes nas mais refinadas redes de hotéis e resorts do mundo, incluindo a de Jasper.
— Então preciso de uma esposa.
Com aquilo, Isabella não conseguiu evitar a ciência do sólido peso da perna dele repousando contra a dela. Mas não se afastou.
— Seu avô vai mesmo cumprir uma ameaça tão sem sentido? Certamente isso causaria danos tanto a você quanto à família.
— Não é sem sentido para ele. É um homem orgulhoso e está acostumado a ter as coisas do seu jeito. No momento, não se importa com lucros. Quer que eu me case, e é assim que ele pretende fazer com que eu me curve à sua vontade.
— Quem vai administrar a empresa se ele tirar o controle de você?
— Ah, meu avô já pensou nisso. O primo para quem ele vai transferir as ações controladoras na data do meu aniversário de 36 anos será o novo diretor executivo da Gifts of Gold. Ninguém da diretoria ousaria agir contra as ordens do meu avô.
— Esse primo é casado?
— Está noivo... de uma mulher que meu avô escolheu para ele.
— Você e o seu primo não se dão bem?
— Aro me odeia. Ele me destruiria se pudesse, e prefiro morrer a permitir que Aro tire isso de mim... Então, vou me casar antes.
— Não seria mais vantajoso para você se casar também com uma mulher que seu avô tenha escolhido?
As sobrancelhas de Edward se uniram, dando-lhe um ar formidável.
— Isso daria poder demais a ele sobre mim. Além do mais, mesmo que buscasse no planeta inteiro, meu avô não encontraria uma candidata melhor que você.
Isabella podia sentir suas bochechas se aquecendo.
— Você só está querendo me agradar!
— Nem um pouco. Você é linda e apresentável. Tem boas ligações... e é incrivelmente graciosa. — Inclinando-se mais à frente, ele capturou a mão dela. — E, para garantir que você seja igualmente feliz, vou me certificar de que nosso casamento gere benefícios para o Grupo Swan.
Com o toque dele, Isabella se empertigou.
— Que tipo de benefícios?
Edward teve certeza de que a conquistara ali. Ela concordaria em se casar com ele exatamente como ele esperara. Soltou a mão dela e se recostou.
— Há muitos exportadores e importadores em Diyafa. Eles dependem de contêineres de carga para transportar seus produtos pelo mundo. Vou providenciar para que sejam apresentados à empresa da sua família. Farei tudo o que puder para expandir o perfil do Grupo Swan dentro do meu círculo.
— Você não iria querer que eu largasse meu cargo na empresa?
— Nosso casamento seria temporário. Um sacrifício tão drástico não seria necessário.
— Temporário como?
Edward deu de ombros.
— Depois que nos casarmos, meu avô vai passar as ações para mim, então eu vou ter o controle da empresa... e você estará livre para ir embora, voltar para Charleston e para sua família de vez. — Ele se remexeu impacientemente no assento.
— Mas você iria querer que morasse em Diyafa, certo?
Ele assentiu.
— Do contrário, meu avô não aceitaria que nosso casamento era legítimo, e não posso me dar ao luxo de que ele duvide da veracidade da nossa união. Mas haveria compensações por morar em Diyafa durante parte do ano. Viajo muito, e espero que você fique ao meu lado. Faço viagens regulares de negócios aos Estados Unidos. Então você veria bastante a sua família. Poderia continuar trabalhando como relações-públicas para a empresa dela. Eu não impediria você. A tecnologia em Diyafa é de última geração você poderia trabalhar de lá com tudo ao seu alcance. Também viajo para muitos países. Pense nisso, você poderia realizar aquela sua lista.
— O que você sabe sobre a minha lista?
Ele tentou evitar a arrogância no sorriso. Não precisara de muito tempo para decifrar o que havia nela.
— E óbvio que você tem uma lista de lugares aos quais quer viajar. Sei que Vegas está nela. Você falou de acrescentar o lago de Como... e talvez tenha até pensado em Diyafa.
Ele não podia permitir que ela pensasse duas vezes.
— Isabella, vou levá-la a qualquer lugar para o qual queira viajar. Visitaríamos o Taj Mahal, a Torre de Londres. Você poderia beber champanhe francês às margens do Sena na primavera. Jamais vai se arrepender das aventuras que terá.
A dúvida desapareceu, e a expressão dela se encheu de desejo.
— Não é justo. Você está explorando meu ponto mais fraco.
Claro, ele sabia disso. Para alguém que confessara nunca ter viajado muito e sempre ter desejado isso, ele estava oferecendo o sonho de uma vida.
— Ter um sonho não é fraqueza.
— Está se oferecendo para realizar o meu sonho?
Ele não precisava ser romântico com ela. Afinal, não era o amor da sua vida. Não queria nenhum mal-entendido.
— Não é unilateral. Não se esqueça de que eu também vou conseguir aquilo de que preciso.
— Então é uma situação em que todos saem ganhando?
Ela entendia! Nem se tivesse passado um ano inteiro buscando a esposa perfeita Edward teria feito uma escolha melhor.
— Exatamente — ronronou ele. O deslumbrante sorriso que Edward direcionou a ela estava cheio de triunfo. — Por que não aceitar minha proposta?
Proposta.
A palavra arrastou Isabella de volta ao que edward lhe oferecia um acordo de negócios... não o sonho de uma vida.
A inquietação a dominou, e ela se levantou imediatamente.
— Acho que já estou revigorada. Vamos ver se consigo quebrar aquela maldição dos Winthrop.
— Quer apostar mais? Agora?
— Você está pedindo que eu faça a aposta de uma vida inteira me casando com você. Que diferença alguns minutos vai fazer?
Ele ergueu as mãos num gesto de rendição.
— Tome o tempo que quiser. Mas não é por uma vida inteira. Não é um acordo permanente.
— Quero um sinal.
— Um sinal? Que tipo de sinal?
— De que me casar com você é a coisa certa a se fazer.
— E o que você consideraria um bom sinal?
— Recuperar o dinheiro que perdi na roleta.
— Mas a sua família nunca vence.
Uma onda de diversão levou Isabella na direção da área de apostas. Por cima do ombro, ela falou:
— Vou ficar com as máquinas caça-níqueis desta vez. Então, se eu vencer, isso deverá ser um excelente presságio.
Edward fez um som peculiar.
— Você não tem intenção de dizer sim para a minha proposta, tem?
Isabella não respondeu imediatamente. Para ser honesta, estava confusa Edward virara seu mundo de ponta-cabeça com aquela proposta.
Parte dela queria dizer sim naquele instante.
Sem dúvida, o casamento com Edward seria uma aventura. Uma oportunidade de vivenciar coisas que ela não vivenciaria de outra forma. E, sem dúvida, fazia muito sentido do ponto de vista dos negócios.
Mas o lado mais cauteloso dela, a velha Isabella Swan, criada de maneira cuidadosa e conservadora, avisava que não conhecia Edward muito bem, que aquela era uma proposta extremamente arriscada, uma que ela deveria evitar a todo custo.
Toda a razão se evaporou quando ele foi até ela e pôs as mãos em seus ombros.
— Eu devia ter feito esse pedido na sacada ontem à noite. Estou começando a achar que teria sido mais provável você dizer sim durante o casamento.
O toque dele contra a pele nua dela era... perturbador. Isabella se esforçou para pensar. Por fim, balançou a cabeça.
— Você era um estranho ontem. Hoje, conheço-o muito melhor. — Ela percebeu que era verdade.
No casulo formado pelos braços dele, Isabella enumerou o que aprendera.
— É divertido estar com você nunca ri tanto na minha vida. Você é bondoso segurou a minha mão quando pensou que eu pudesse estar com medo naquela primeira vez na montanha-russa. Você ama o mundo à nossa volta descobri isso no alto da Torre Eiffel. E é bom com crianças...
— Você não tem como saber isso!
As mãos dele baixaram, e a pele dela ficou fria onde, um instante antes, os dedos de Edward tinham repousado.
— Tenho, sim. Você agradou Eric pacientemente no casamento.
— Então case-se comigo!
— Só se eu ganhar.
Ela deu meia-volta. De sua bolsa, retirou várias moedas e as enfiou na primeira máquina caça-níqueis que encontrou, apertando o botão para jogar.
Os desenhos giraram loucamente.
Quando pararam, nada tinha se alinhado.
A mesma coisa aconteceu na jogada seguinte.
O coração de Isabella pareceu vazio. Era ridículo se sentir uma perdedora só por aquilo.
Ter uma vida...
Ela não sentira aquele vazio antes. Ela e Edward tinham se conectado, gostado da companhia um do outro. O dia fora cheio de alegria. A intuição de Isabella lhe dizia que eles formariam uma ótima equipe temporária.
Não seria loucura se casar com Edward ela gostava dele.
Isabella olhou para as fileiras alinhadas com figuras e números. O que estava fazendo? Edward tinha razão ela não precisava de algum sinal arbitrário. Era uma decisão de negócios sólida. Fazia sentido lógico aceitar a proposta.
Ela não precisava provar que podia ganhar.
Isabella soube que diria sim.
Apertou o botão para jogar a última vez, e se virou para dar a resposta.
A cacofonia de sinos e sons eletrônicos crescendo de maneira histérica fez com que ela se virasse novamente para olhar a máquina.
Incrédula, ela leu as letras que piscavam e a instruíam a chamar um atendente.
— Eu ganhei — disse ela enquanto o torpor a invadia.
Edward estava rindo, mas não olhava para os psicodélicos fogos de artifício acima da máquina. Estava indo na direção dela, os braços estendidos.
— Parece que você quebrou a maldição dos Winthrop. Ganhou o prêmio acumulado.
Os olhos dela se levantaram para a quantia em luzes brancas no topo: 22 mil dólares. Não era uma fortuna, mas fazia mais do que cobrir suas perdas anteriores.
— Dois deve ser o meu número da sorte.
Então ela estava sendo erguida do chão para os braços de Edward. Ele a girou enquanto as cores piscavam loucamente à volta deles. Quando a pôs de volta, o torpor de Isabella começava a diminuir enquanto a sensação retomava... e, com ela, a euforia.
Sorriu para ele.
— Eu me sinto... — Qual seria a melhor maneira de descrever? — ... sortuda.
— Vamos ser sortudos juntos. — O olhar de Edward fulgurou no dela. — Vamos nos casar amanhã.



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