Obs: Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.
Notas da Autora:
Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Tessa Radley, Uma dança com o Sheik , Tituli Original: One Dance with the Sheikh que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capítulo Quatro
Começo
de Uma Aventura
A
expressão de Isabella ficava cada vez mais maravilhada à medida que a limusine
que os buscara no aeroporto atravessava a parte mais famosa de Las Vegas.
—
Não há lugar no mundo como Vegas — disse Edward.
—
Parece um set de Hollywood. Não me lembro de nada disso da vez em que vim aqui
quando criança.
—
Então vou ter de lhe mostrar tudo.
—
Mal posso esperar.
Quando
a limusine embicou na entrada do hotel de luxo que ele reservara, Edward quase
se arrependeu de não ter reservado uma suíte em um dos resorts mais exagerados.
—
Há hotéis mais escandalosos. Mas achei que você apreciaria um lugar mais calmo
quando um refugio da loucura se tomasse necessário.
Isabella
saiu do carro e ficou ao lado dele. Baixando os óculos escuros do alto da
cabeça, ela disse:
—
Acho que calmo é algo que ninguém associa Vegas.
—
Acredite ou não, há lugares calmos não muito longe daqui.
—
Tipo onde?
—
Jasper e eu viemos aqui algumas vezes durante as férias de Harvard. O deserto é
vasto e sem incômodos. Lindo. Às vezes, fazíamos caminhadas pelo Red Rock
Canyon.
Houve
uma longa pausa enquanto ela o analisava.
—
Você estava sentindo falta de casa. Com saudade de Diyafa... E da sua família.
Edward
não respondeu. Mas ficou aliviado por não conseguir ver a expressão dela por
trás do véu escuro e opaco dos óculos. Suspeitava de que seria bondosa demais.
Pena era a última coisa que ele queria daquela mulher com a qual estava
determinado a se casar.
Certamente
não explicaria a complicada relação com sua família. As avassaladoras expectativas
de seu avô, que tinham começado pouco depois de ele nascer e o puseram
eternamente em confronto com seus primos. Os ataques de raiva de seu pai, que
faziam sua mãe chorar inconsolavelmente. Seu próprio crescente ressentimento do
pai, que aumentara depois que ele fora mandado para um internato na Inglaterra.
E a constante culpa por deixar sua mãe para lidar com o pai que não se
abrandara pelas cartas bravamente estoicas escritas com a perfeita e fluente
caligrafia dela.
Quando
ele fez 13 anos, seus pais já estavam mortos. E enterrados fazia uma década
quando ele e Jasper caminharam pela primeira vez no Red Rock Canyon.
Então
Laurel estava enganada. A peregrinação que Edward e Jasper fizeram até Vegas
nada tinha a ver com saudade de Diyafa... Ou da família.
Segurando
o cotovelo dela, ele a levou para dentro do tranqüilo e discreto luxo do lobby
do hotel. Uma hostess se apresentou rapidamente e ofereceu uma taça de
champanhe a cada um. Isabella balançou a cabeça.
—
Quero ficar de cabeça limpa. Não vou perder nem um momento disso.
O
humor dela fez com que o dele se animasse.
—
Gosto de você tonta — afirmou ele levemente.
Um
rubor varreu as bochechas dela.
—
Não é nada gentil da sua parte me lembrar disso.
Vindo
de sua dama transformada em rebelde, a declaração o fez rir.
—
Pensei que você estivesse farta dos grilhões sociais.
—
Não tão farta a ponto de ficar tonta tão cedo.
Chegaram
à recepção. Isabella se inclinou para responder a algumas perguntas, e Edward
ficou logo ciente demais das linhas rígidas e esbeltas do corpo dela. Um leve
aroma de verão flutuou até ele. Edward inspirou fundo. Era possível se
embriagar de perfume? Perguntou a si mesmo, mas abandonou a absurda ideia.
Aquilo
eram negócios.
Não
o prazer que a companhia dela lhe trazia. Era difícil acreditar que a conhecera
apenas no dia anterior. Fora difícil convencê-la a viajar naquele dia. Quando
ela aceitara, tentara imediatamente ganhar algum tempo. Sugerira o fim de
semana seguinte. Edward não podia arriscar que ela mudasse de ideia. Forçara até
ela ceder. Vencera. Tinha dois dias para convencê-la a se casar com ele... E
garantir seu cargo na Gifts of Gold, a empresa da qual ele era o diretor
executivo.
Dois
dias...
Edward
temia que não fosse suficiente. Teria de tentá-la para ter mais tempo.
Depois
que terminaram as rápidas formalidades de check-in para a suíte que ele
reservara na cobertura, Edward não perdeu tempo para pôr seu plano de ataque em
ação. Curvando a cabeça, murmurou:
—
Pensei em sairmos para explorar.
—
Parece ótimo. Mal posso esperar.
Parte
do alegre entusiasmo dela parecia estar passando para ele, pois Edward não
conseguiu evitar retribuir o sorriso dela.
—
Então não há tempo a perder.
Isabella
logo descobriu que Las Vegas tinha mesmo paisagens espetaculares.
O
interior do hotel Luxor ficava dentro de uma imensa pirâmide de vidro preto,
guardada por uma esfinge. Lá dentro, em vez de tesouros do Egito Antigo, Isabella
ficou maravilhada ao encontrar uma reconstrução da proa do imenso Titanic.
Enquanto ela e Edward vagavam pelas instalações, Isabella ficou tocada pelas
histórias das últimas horas da tripulação e dos passageiros do trágica viagem
do navio.
O
Liberace Museum, em contraste, com sua coleção resplandecente e
desavergonhadamente cafona, fez com que ela risse. O piano coberto com espelhos
brilhantes era exageradamente espalhafatoso. Ao ver a expressão chocada de Edward
ao inspecionar o famoso terno vermelho, branco e azul com a calça justa de
Liberace, um malicioso impulso a dominou.
Ela
analisou o jeans preto e a camiseta estonteantemente branca que usava e se
inclinou para perto para sussurrar:
—
Acho que o seu guarda-roupa devia incluir um desses trajes.
—
Eu causaria um belo rebuliço em Diyafa se usasse algo assim. Na verdade, um
desastre nacional, Ainda existem conservadores que jamais se recuperariam ao
ver o neto do príncipe Ahmeer Al-Abdellah usando calça colada.
No
curto espaço que os separava, os olhares se encontraram, e, por um carregado
momento, uma conexão pulsou entre eles...
—
Chega de museus. — Edward pegou a mão dela. — Acho que precisamos de mais ação.
Um
choque de surpresa a atravessou quando a mão dele se fechou em volta da dela. O
toque era quente e firme. Edward não demonstrava sinais de que o gesto o
afetava tanto estava avançando com determinação. Pelo visto, alheio ao fato de
que eles estavam de mãos dadas como um par de amantes.
Ela
estava interpretando demais aquilo.
Edward
a tratava com o tipo caloroso de amizade que ela queria. Então por que estragar
tudo imaginando intimidades que não existiam?
Mas
Isabella não conseguiu abafar a sensação das mãos dadas, e, por fim, se soltou
e parou quando uma vista conhecida se materializou à sua frente.
—
Nova York?
Aquela
era a ideia de “mais ação” dele? Mas ela precisava admitir que as réplicas dos
arranha-céus eram impressionantes.
—
Os edifícios têm cerca de um terço do tamanho real — informou Edward. — Mas não
são eles que vão dar a adrenalina que prometi.
—
New York-New York? Uma montanha-russa? — arfou ela momentos depois.
—
Por que não? — Ele lhe lançou um olhar de provocação. — Tem medo?
Ela
empinou o queixo.
—
De modo algum. Adoro! Ao menos, adorava antigamente — acrescentou Isabella, com
um pouco mais de dúvida, torcendo para que sua paixão de adolescente por
montanhas-russas voltasse antes de eles chegarem ao início.
—
Tem um ponto em que o carrinho cai uns quarenta metros.
—
Está tentando me assustar?
—
Eu nunca faria algo assim. — Mas o repuxar dos lábios dele o entregou. — O
terror aumenta a expectativa.
—
Você está tentando me assustar... Seu malvado! — Ela avançou nele, empunhando a
bolsa.
Edward
segurou os pulsos dela antes que Isabella pudesse atingi-lo, os ombros tremendo
de felicidade.
—
Está se divertindo.
Ela
ficou imóvel. Baixando a bolsa, olhou rápido à volta. Esquecera-se tão
rapidamente de se comportar com a dignidade adequada à filha mais velha dos Swan...
A vergonha a dominou mais Isabella a afastou. Ninguém na multidão a conhecia.
Ninguém daria à mínima. A liberdade veio numa estonteante rajada.
Feliz,
ela disse:
—
Sim, muito! — Entrou saltitando na fila ao lado de Edward.
—
Estamos com sorte. Vamos ficar nos primeiros bancos — disse Edward quando uma
atendente os chamou à frente.
Sentaram-se
e prenderam os cintos e o entusiasmo de Isabella se esvaiu quando ela viu a
pista vermelha diante de si. Sorte? Talvez não. Quando o carrinho começou a
andar, o coração dela subiu para a garganta.
—
Edward, que loucura me dominou para que eu fizesse isso?
—
Você vai adorar.
O
carrinho subiu, e o frio começou a crescer na barriga de Isabella.
Chegaram
ao topo.
Isabella
vislumbrou o céu de Las Vegas diante deles. Ao longe, colinas se ondulavam numa
longa curva.
O
trem ganhou velocidade.
—
Oh, céus!
A
mão de Edward se fechou em tomo da dela. Antes que ela pudesse tomar fôlego, já
estavam descendo. E subindo... No mergulho seguinte, o estômago de Isabella
ficou em algum ponto do céu acima deles. O ar abandonou seus pulmões em um
grito silencioso. Ela conseguia ouvir Edward rindo ao seu lado.
A
frente, bem lá no alto, ela viu um looping completo.
—
Nãããão...
Ela
apertou a mão de Edward até seus dedos doerem.
O
carrinho subiu. A tensão arranhava o corpo dela. Isabella conseguia ouvir os
gritos atrás de si. Por um desconcertante instante, o mundo virou de
ponta-cabeça, flutuou, o céu azul lampejando debaixo deles em um borrão que
girava. Então, tudo se endireitou. Eles reduziram a velocidade ao entrar numa
série de curvas fechadas que fizeram a coxa dela se apertar contra a de Edward.
Uma
louca euforia explodiu dentro dela.
Passaram
voando pela Estátua da Liberdade, e Isabella se flagrou rindo. Momentos depois,
entraram numa escuridão uterina.
Edward
murmurou algo ao lado dela, mas o som do coração de Isabella martelando em sua
cabeça abafou.
Aos
poucos a visão dela se ajustou até que ela conseguisse ver as luzes e formas da
estação do metrô. O barulho e envolveu a animada saudação do atendente quando
ele a soltou do cinto.
Quando
saíram do carrinho, as pernas de Isabella pareciam gelatina. Mas a pura
empolgação a impeliu à frente.
—
Você tinha razão. Adorei!
Isabella
não se importou por soar arfante ao girar para sorrir para Edward através da
nuvem de cabelo que lhe envolvera o rosto na montanha-russa. Naquele momento,
ela se sentia pronta para dominar o mundo.
Mas
Edward não estava nem sem fôlego. Nem sequer um fio de cabelo dele saíra do
lugar. Uma maliciosa vontade de vê-lo um pouco desgrenhado a dominou.
—
De novo — desafiou ela. — Quero ir de novo.
Era
noite, e o deque de observação do 15 o andar da Torre Eiffel de Las Vegas
estava deserto.
—
Que lindo! — sussurrou Isabella. — É como estar numa cápsula de ouro. Foi o dia
mais extraordinário de todos. A impulsividade me levou a aceitar o seu convite.
Com
o olhar fixo nela, Edward disse:
—
Impulsividade?
—
Cedi à tentação de violar a proibição das apostas dos Winthrop. — Ela abriu os
braços para a vista. — Mas não esperava isso. Não faço ideia de como você
pretende manter a ação, e as surpresas, em alta amanhã.
—
Não se preocupe. Tem muito mais para vermos — afirmou Edward, e acabou com a
distância entre eles. — Golfinhos. Tubarões. Leões. Ainda nem começamos com a
parte dos animais.
O
olhar de esguelha que ela lançou a ele tinha um reluzir muito humano de
malícia.
—
Ou poderíamos experimentar os brinquedos da Stratosphere Tower.
Rakin
grunhiu.
—
Criei um monstro. Três voltas na New York-New York, sem falar na montanha-russa
do Nascar Cafe hoje à tarde... E você ainda quer mais?
—
Nunca imaginei o que eu poderia estar perdendo. Devia ter posto “andar numa
montanha-russa” na lista.
—
Você fez uma lista do que fazer em Vegas?
Isabella
corou e desviou o olhar.
—
Não tem a ver exatamente com Vegas.
—
Mas você tem uma lista?
Isabella
assentiu.
A
reticência dela o intrigou.
—
O que tem nela?
—
Não lembro — resmungou, e seu rubor ficou mais profundo.
Isabella
Swan mentia muito mal.
—
Agora você despertou a minha curiosidade.
Ela
resmungou algo. Então apontou.
—
Veja, não é bonito?
Edward
se permitiu ser distraído. Lá embaixo, a via principal começava a se acender
enquanto Las Vegas se preparava para a noite.
—
Ah, e olhe ali!
Edward
seguiu o dedo dela. Três anéis de chafarizes tinham saltado de um lago diante
do Bellagio.
Um
olhar para Isabella revelou que ela estava encantada.
—
Vamos ver o chafariz mais de perto durante o jantar. — Ele reservara uma mesa
no Picasso especificamente para que Isabella pudesse desfrutar o espetáculo.
—
Daqui de cima é outra perspectiva. Essa torre parece com todas as fotos que já
vi da Torre Eiffel verdadeira. É incrível.
Edward
não desviara a atenção do rosto dela. As expressões em constante mutação de Isabella
revelavam cada emoção que ela sentia. Deslumbramento. Empolgação.
Por
um louco momento, ele imaginou como ficaria o rosto dela tenso de desejo, seu
cabelo ruivo-escuro espalhado no travesseiro dele...
Edward
fechou os olhos para bloquear a tentadora visão. Para seu alívio, a voz de Isabella
interrompeu sua tórrida imaginação:
—
Você já foi a Paris ou a Veneza? Adoraria visitar as duas.
—
A Veneza, não. Mas fui várias vezes a Paris... Minha mãe adorava a Cidade-Luz.
Estudou na Ecole Nationale Supérieure des Beaux-Arts na Rive Gaúche, na frente
do Louvre.
—
Ela é artista?
Edward
assentiu.
—
Era... Ela morreu.
—
Sinto muito. Não queria reabrir...
—
Não se preocupe. Falar dela não me incomoda. Ela já se foi há muito tempo. A
maioria das pessoas evita falar nela isso as deixa desconfortáveis. — Aquilo ia
de encontro à necessidade dele de falar sobre sua mãe, de se lembrar dela do
jeito que ela fora talentosa, instável, amorosa. — Meu pai também morreu.
—
Você deve sentir saudade dos dois.
As
lembranças do pai dele eram muito mais ambivalentes. Mas não havia necessidade
de Isabella descobrir o que existia por baixo da máscara que ele preservava com
cuidado. Então Edward se concentrou nos fatos.
—
Meus pais se conheceram em Paris.
—
Que romântico!
Era
a conclusão à qual ele esperava que ela chegasse. Sua mãe também achara
romântico. Seu pai chamara de destino. Nem romance nem destino foram
suficientes, no fim das contas.
Na
noite em que se conheceram, Isabella perguntara se ele acreditava em destino...
—
Era primavera. — As palavras forçaram sua saída da garganta embargada dele.
—
Ainda mais romântico.
Sem
olhar para Isabella, ele continuou a tecer o conto que se tornara uma lenda
entre as mentiras dos tabloides.
—
Meus pais voltaram a Diyafa para um extravagante casamento, e eu nasci menos de
um ano depois.
Àquele
fora o fim do romance e o começo da dura realidade da mãe dele. Como conseguira
o herdeiro que queria, o sheik não precisava mais agradar a esposa. O dever, e
não o desejo, mantivera os pais de Edward juntos até a morte.
Edward
descobriu que estava com uma assustadora e intensa necessidade de ver o rosto
de Isabella. Forçando um sorriso, ele deu meia-volta. Os olhos dela tinham uma
aparência leve, sonhadora.
—
Eu adoraria visitar Paris na primavera.
—
E caminhar ao longo do Sena. — Edward conhecia todos os clichês.
—
Que maravilhoso deve ser apaixonar-se numa cidade que celebra os amantes! E eu
também adoraria visitar Diyafa.
Era
a deixa de que ele precisava.
Mas,
em vez de contar a ela a respeito do plano de seu avô, Edward olhou para o
relógio.
—
A mesa reservada para nós não é muito longe daqui. Durante o jantar, conto mais
sobre o país onde nasci... E depois, vamos fazer o que todos fazem em Vegas:
apostar.
—
Quanto mais estiver em jogo, melhor. Não se esqueça de que pretendo apostar a
noite inteira.
Por
que não dissera a ela que precisava de uma esposa para neutralizar as ameaças
de seu avô? Parte de Edward reconheceu que ele estava sendo sugado para a
fantasia que criara para uma mulher da qual se flagrava gostando cada vez mais.
Um
dia inteiro já se passara. Eles logo iriam embora de Vegas, e a oportunidade de
negociar a cooperação dela estaria perdida para sempre.
Era
hora de voltar à realidade.
E
arrumar uma esposa.
O
Picasso, no Bellagio, era um dos restaurantes favoritos de Edward.
—
Bellagio é um vilarejo à margem do lago de Como — disse ele a Isabella depois
de os pratos serem retirados, e enquanto e eles analisavam o cardápio de
sobremesas.
—
George Clooney tem uma villa no lago de Como, não tem? E melhor eu acrescentar
isso aos lugares exóticos que quero visitar.
—
Você tem tanta vontade de conhecer Clooney?
—
Todas as mulheres não têm?
Ele
riu.
—
Você é muito provocadora!
—
Na verdade, não — confidenciou ela, inclinando-se à frente e baixando a voz. —
Só com você. Nunca flertei na vida... Mas, com você, é fácil.
A
franqueza dela o desarmava. E o tom rouco na voz vibrava através dele. Edward não ousava baixar os olhos, já que a ação
dela podia ter feito o provocante decote revelar ainda mais da tentadora pele
de Isabella.
—
Achei que todas as mulheres do sul nascessem para flertar.
—
Eu, não.
Ele
poderia ter argumentado que ela aprendia rápido. Entretanto, Edward suspeitava
de que Isabella não fazia ideia do efeito que estava causando nele, mais
interessado nela do que estivera em qualquer mulher fazia muito tempo.
—
Venho tentando flertar com você porque... Me sinto segura.
A
honestidade da declaração dela o abalou.
—
Não vai pedir sobremesa?
Para
sua surpresa, Edward percebeu que baixara o cardápio na mesa. Mas não conseguia
parar de pensar no que Isabella dissera.
—
Acha fácil flertar comigo?
—
Deve ser porque você é amigo de Jasper. Sei que você é confiável.
—
Porque Jasper disse?
—
Bem, ele nunca falou que eu podia confiar em você. Mas não seria seu amigo se
não confiasse. Jasper não é o tipo de homem que perde tempo com mentirosos e
fraudes.
—
Quer dizer que você aceita a opinião de Jasper... Em vez dos seus próprios
instintos?
Isabella
hesitou.
—
Não, não pense demais. — Colocando os cotovelos na beira da mesa, ele juntou as
mãos e a olhou por cima delas. — Quero uma resposta instintiva, não uma criada
por bondade.
—
Confio em você.
—
Por quê?
—
Não sei. — O olhar dela se desviou e, em seguida, voltou para ele, como se
atraído por algum poder ao qual ela não fosse capaz de resistir.
—
Isso a surpreende.
—
Sim. Nunca fui de fazer amigos com facilidade. Minha família sempre foi
suficiente.
—
E Jasper.
—
E Jasper. Mas isso é diferente.
A
afiada lâmina de inveja que perfurou Edward foi inesperada, e ele a afastou
antes que a sensação pudesse infectá-lo e se transformar num venenoso ciúme.
—
De que jeito?
—
Temos a mesma idade. Ele morava perto quando éramos mais novos.
—
Você estava sendo bondosa.
—
Talvez. No início. Mas a amizade era entre iguais. Eu recebia tanto quanto Jasper
desse relacionamento. Lembre-se, eu não tinha outros amigos íntimos.
Ele
assentiu.
—
Entendo isso.
—
Imagino que eu confie em você por me sentir confortável na sua presença. Não me
lembro da última vez em que ri tanto.
Fazendo
uma carranca, ele disse:
—
Devo ser um palhaço.
—
Não! Você é tudo, menos um palhaço.
Ele
estivera brincando, tentando fazê-la sorrir novamente. Mas a rápida defesa o
fez perceber que Isabella estava preocupada com a possibilidade de ofendê-lo.
Bondosa até demais. Ela não tinha ideia de que as emoções dele haviam sido
forjadas para criar aço sólido. Se tivesse, não ficaria tão confortável em sua
companhia.
—
É verdade — disse ela honestamente. — Não me lembro da última vez em que me
senti tão leve e despreocupada como hoje.
—
Vou entender isso como um elogio.
Edward
observou o leve rubor aquecer o rosto dela sob o peso de seu olhar.
Isabella
baixou os olhos para o cardápio.
—
Não faço ideia do que escolher.
A
boca de Edward se curvou num sorriso.
—
Vou tomar sorvete.
—
Sorvete?
—
Algo gelado neste clima. Mas tudo no cardápio é ótimo.
—
A comida estava fabulosa.
—
Todos os pratos do cardápio são inspirados em lugares onde Picasso viveu na
Espanha e no Sul da França.
O
comentário dele fez Isabella olhar para uma pintura de Picasso na parede mais
próxima.
—
O que a sua mãe pintava?
—
Imensas telas abstratas. Em geral, inspiradas na paisagem do deserto.
O
pai dele as detestara. O sheik queria que sua esposa fizesse retratos realistas
do deserto diyafano. Sua mãe preferira pinceladas largas de cor que convidavam
o espectador a dar sua própria interpretação à paisagem.
—
Você também pinta?
Edward
balançou a cabeça.
—
Estudei Administração, mas confesso que também fiz aulas de estudos clássicos.
Então não sou um completo inculto. — Um sorriso puxou a boca dele.
—
Inculto? — Ela retribuiu o sorriso. — Nunca pensei isso. Por que estudos
clássicos?
—
Não dá para ser criado num lugar como Diyafa e não ter noção de História
Antiga, mas eu também adorava as velhas lendas. Gregas, romanas, egípcias...
Diyafa também tem lendas maravilhosas. Já decidiu o que quer pedir?
—
Chocolate... Algo de chocolate. Vou pedir a sugestão do restaurante. Depois
quero apostar.
Edward
não conseguiu evitar sorrir com a determinação dela.
—
Eu não esqueci. Vamos apostar a noite inteira.
O
silêncio que flutuava pelo cassino era quebrado de tempos em tempos pelo som de
fichas e a conversa abafada enquanto as apostas eram feitas. Com entrada
restrita a convidados, aquele era o domínio dos ricos, dos famosos... E dos
apostadores dedicados. E Isabella estava começando a ficar aterrorizada com o
som das fichas sendo puxadas pelo feltro verde.
Em
torno da mesa de roleta na qual ela e Edward tinham se acomodado, várias pilhas
de fichas cresciam como arranha-céus. Mas, como o homem magro sentado diante
deles, segurando um uísque com olhos cada vez mais desesperados à medida que
sua pilha se reduzia, Isabella estava perdendo.
Seu
estômago começara a se revirar, irrequieto. Ela perdera ao menos cinco mil
dólares do dinheiro de Edward nos primeiros dez minutos, e uma considerável
quantia dela própria depois que se recusara absolutamente a aceitar mais fichas
dele. Que estrago uma noite inteira de apostas causaria à fortuna de Edward... E
à dela mesma?
—
Estou começando a achar que vovô tinha razão — disse ela em voz baixa a Edward.
—
Seu avô Winthrop?
Isabella
assentiu.
—
Ele considerava o jogo uma maldição.
—
Uma que você espera quebrar esta noite?
—
Hum. — Ela pensou naquilo. Imaginara que, vencendo nas mesas, estaria provando
que era capaz de quebrar o velho tabu?
—
Acho que meus motivos não eram inspirados. Creio que estava mais determinada a
experimentar algo que a minha família reprova, o motivo totalmente errado para
se fazer algo. Mas já perdi mais do que pretendia. Não estou vendo nenhuma
evidência de retorno.
—
Falou a fria mulher de negócios.
—
Parece que temos essa mesma característica. Você não fez nem uma aposta ainda.
—
Não jogo.
—
Por motivos religiosos?
—
É um mau negócio. Não gosto das probabilidades. Prefiro usar o dinheiro quando
estou confiante em um belo retorno.
—
Agora, quem é o frio homem de negócios?
Eles
trocaram sorrisos.
O
crupiê chamou as apostas. Isabella hesitou e balançou a cabeça.
Edward
tocou o braço dela.
—
Estamos incomodando os jogadores. Acho que é hora de irmos.
—
E lá se vai meu plano de apostar a noite inteira.
—
Talvez você se revigore depois de um descanso.
—
Duvido. — Ela abriu um pálido sorriso para ele. — Descobri que é muito rápido perder
dinheiro nas mesas. Nunca tinha entendido como isso era fácil. — E aquilo
fizera com que ela se sentisse solidária à ovelha negra dos Winthrop.
Ao
deixarem o silêncio do cassino exclusivo, o vivaz zumbido de Vegas voltou com
tudo. Máquinas caça-níqueis faziam barulho em tomo deles, seus coloridos
monitores piscando brilhantemente. A sensação de enjoo no estômago de Isabella começou
a diminuir.
Encontraram
uma alcova no lounge, e Isabella afundou num macio assento. Edward fez um
pedido a uma garçonete e se juntou a Isabella na larga almofada.
—
Acho que meu avô teria aprovado você, Edward.
—
O mesmo avô que arranjou o casamento dos seus pais?
Isabella
assentiu.
—
O próprio.
—
E por que acha que ele teria me aprovado?
—
Segundo a minha mãe, ele deu o melhor de si para restaurar a fortuna da família
Winthrop de todas as formas possíveis antes de ter a ideia do casamento com um Swan.
Na casa do meu avô, era uma regra absoluta que nenhum dos filhos tivesse
permissão para apostar. Mamãe diz que vovô ficou furioso quando o irmão mais
velho dele perdeu Captain’s Watch depois de apostar nos cavalos.
—
Captain’s Watch?
—
A casa de praia da família Winthrop, que estivera na família desde a década de
1800. Vovô Winthrop fez uma visita ao meu pai logo depois que a minha mãe se
casou com ele, e papai concordou em se esforçar para comprá-la de volta.
Acredito que não tenha sido fácil, que tenha custado uma pequena fortuna. Mas
valeu cada centavo.
Isabella
conseguia se lembrar da vista para o mar das largas janelas da casa de praia.
Quando o testamento de pai fora lido, Isabella descobrira que seu pai sempre
soubera exatamente quanto ela amava a casa de praia: ele a deixara para ela.
—
Passamos infindáveis férias de verão lá. É um dos meus lugares preferidos.
—
Então você precisa me levar lá um dia.
Antes
que Isabella pudesse responder, a garçonete voltou com uma taça de champanhe e
um refrigerante gelado.
Isabella
olhou a taça e abriu um sorriso brincalhão para Edward.
—
Não está querendo me embebedar, está?
—
Não, não. Queria lembrar a você que, apesar das perdas na roleta, hoje é um dia
de diversão, um momento de novas experiências.
—
Muito obrigada por se dar ao trabalho de vir comigo a Vegas — disse ela, e ele
ficou ciente da levíssima carícia dos dedos dela contra seu paletó. — Estou me
divertindo.
Ignorando
o ímpeto de acariciar aquela pele de pérola, Edward se obrigou ferozmente a se
lembrar de que aquele não era um encontro romântico, mas de negócios. E já
passava da hora de fazer sua proposta a ela.
—
Las Vegas é tudo o que você esperava?
Ela
ergueu a mão e deu um pequeno gole no vinho. Sorriu ternamente para ele.
—
É muito melhor! E isso me faz apreciar ainda mais a sua companhia. Sei que você
é um homem ocupado, e não está ganhando nada com isso.
Ele
hesitou.
A
pausa se estendeu por tempo demais, e o sorriso dela ficou petrificado.
—
Na verdade, tem algo que quero pedir a você — murmurou ele.
A
preocupação abrandou o brilho nos olhos castanhos dela.
—
Você quer algo de mim.
Edward
hesitou, procurando as palavras certas.
—
É sexo?
Ele
piscou. Sexo? Teria deixado transparecer momentos antes?
—
Foi para isso que você me convidou para vir a Vegas? Fez tudo o que fez hoje
por isso? — acusou ela, afastando-se no assento. — Estava me agradando para me
levar para a cama?
Ele
não podia negar que a vinha agradando propositalmente. Droga, queria que ela
ficasse receptiva. Mas não para... Sexo.
—
Pensei que você fosse diferente.
Isabella
já estava de pé, pegando a bolsa. Num momento, iria embora e o deixaria sentado
ali como um idiota. E a oportunidade se perderia.
—
Não é sexo — disse ele rapidamente.
Mas
ela não parou.
—
Isabella... Não vá! — Ele pegou-lhe a mão.
Os
dedos dela estavam rígidos de ultraje. Antes que ela pudesse libertá-los, ele
disse:
—
Não estou atrás de sexo. Sente-se. Ouça a minha proposta. Ela tem vantagens
para a sua família.
Os
dedos dela pararam de se contorcer.
—
Uma proposta de negócios?
—
Sim. — Edward sabia que era naquele momento ou nunca. — Quero que você se case
comigo.
—
O quê?! — Isabella não conseguia acreditar que tinha ouvido Edward direito.
Chocada,
afundou de volta nas almofadas acolchoadas e olhou para a séria figura de temo
formal e gravata.
Ele
não parecia louco.
Parecia
sombrio, intenso... e totalmente deslumbrante. O coração dela palpitou.
Analisando o rosto dele, ela percebeu as feições tensas, a falta de humor em
seus olhos. Não havia sinais do incrível companheiro que a divertira o dia
inteiro.
—
Você está falando sério.
—
Totalmente. — O desafio reluzia naquele olhar enigmático quando ele soltou os
dedos dela.
Soltando
uma leve e incrédula risada, ela abriu as mãos.
—
Não posso me casar com um homem que mal conheço.
—
Isabella, não há nada a temer. Sou um homem de negócios plenamente respeitável
e um pouco entediante.
Ela
não o temia. Mas arriscar se casar com um homem que mal conhecia... O filho de
um príncipe do Oriente Médio? Isabella não sabia se aquilo era sábio.
—
Você não é entediante — disse ela por fim.
O
calor que vazou para os olhos esmeraldicos causou uma sensação estranha no
peito dela.
—
Isso significa que vai concordar em se casar comigo?
Inclinando
a cabeça para o lado, Ibellatentou ignorar a maneira como seu coração se
revirava e o analisou.
—
Você nem fala de amor.
—
Então você quer amor? Uma proposta embalada em palavras doces? Devo me ajoelhar?
Ela
balançou a cabeça lentamente.
—
Se eu ainda sonhasse com esse tipo de amor, teria pegado o buquê que minha irmã
jogou para mim.
Edward
abriu um sorriso lento e apreciativo.
—
Você é realista. Não nos conhecemos mesmo há muito tempo... e, apesar de eu
gostar de pensar que descobrimos ter muito em comum, eu não insultaria a sua
inteligência falando de amor tão cedo.
—
Obrigada... eu acho.
Ela
ainda estava tentando entender a explosiva proposta, com a qual ele dissera que
a família dela se beneficiaria. Mas o que ele ganharia com ela? A mente dela
pulou de uma situação para outra. Mas nenhuma delas fez sentido.
—
Você pediu para que eu me casasse com você, mas não faço ideia de por quê.
O
sorriso ainda estava nos olhos dele.
—
Você é uma mulher muito bonita, deve saber disso.
—
Beleza não garante que um casamento terá sucesso. Basta olhar para o casamento
da minha mãe para saber disso. Você insinuou que estava me fazendo uma proposta
de negócios... Eu não esperava uma proposta de casamento.
—
Minha proposta de casamento é uma proposta de negócios.
Isabella
começou a rir.
Ele
se sentou mais para a frente, e seu joelho ficou pressionado contra o dela.
—
Acredite, não é tão louco quanto parece. Faz anos que meu avô vem ameaçando
alterar o testamento dele e me deserdar por não formar uma aliança com as
diversas mulheres que ele escolheu para mim. Ignorei a ameaça dele todas as
vezes, porque ele é um homem irritadiço que ainda tem muito vigor. Ainda vai
enganar a morte durante um tempo. Mas, recentemente, as ameaças se intensificaram.
Não está mais ameaçando só me deserdar quando ele morrer. Agora, jurou que vai
obrigar a diretoria a votar para me tirar do cargo de diretor executivo. E, não
satisfeito com isso, também vai transferir para o meu primo as ações majoritárias
que ele tem do império empresarial Abdellah. Tudo isso será feito se eu não
estiver casado quando completar 36 anos. Não é mais questão de esperar até ele
morrer para descobrir se ele cumpriu as ameaças meu avô pretende tirar os meus
direitos daqui a um ano.
O
rosto de Edward era um estudo sobre frustração.
—
Não tenho intenção de que me tirem a empresa. Passei muitas horas da minha vida
trabalhando para expandir a divisão Gifts of Gold até que se tomasse um fornecedor
de primeira classe de mobília leve e linhos de luxo.
Por
tudo o que ouvira Jasper dizer, Isabella sabia que tudo o que Edward dizia era
verdade. Ele construíra uma carteira de clientes nas mais refinadas redes de
hotéis e resorts do mundo, incluindo a de Jasper.
—
Então preciso de uma esposa.
Com
aquilo, Isabella não conseguiu evitar a ciência do sólido peso da perna dele
repousando contra a dela. Mas não se afastou.
—
Seu avô vai mesmo cumprir uma ameaça tão sem sentido? Certamente isso causaria
danos tanto a você quanto à família.
—
Não é sem sentido para ele. É um homem orgulhoso e está acostumado a ter as
coisas do seu jeito. No momento, não se importa com lucros. Quer que eu me
case, e é assim que ele pretende fazer com que eu me curve à sua vontade.
—
Quem vai administrar a empresa se ele tirar o controle de você?
—
Ah, meu avô já pensou nisso. O primo para quem ele vai transferir as ações
controladoras na data do meu aniversário de 36 anos será o novo diretor
executivo da Gifts of Gold. Ninguém da diretoria ousaria agir contra as ordens
do meu avô.
—
Esse primo é casado?
—
Está noivo... de uma mulher que meu avô escolheu para ele.
—
Você e o seu primo não se dão bem?
—
Aro me odeia. Ele me destruiria se pudesse, e prefiro morrer a permitir que Aro
tire isso de mim... Então, vou me casar antes.
—
Não seria mais vantajoso para você se casar também com uma mulher que seu avô
tenha escolhido?
As
sobrancelhas de Edward se uniram, dando-lhe um ar formidável.
—
Isso daria poder demais a ele sobre mim. Além do mais, mesmo que buscasse no
planeta inteiro, meu avô não encontraria uma candidata melhor que você.
Isabella
podia sentir suas bochechas se aquecendo.
—
Você só está querendo me agradar!
—
Nem um pouco. Você é linda e apresentável. Tem boas ligações... e é
incrivelmente graciosa. — Inclinando-se mais à frente, ele capturou a mão dela.
— E, para garantir que você seja igualmente feliz, vou me certificar de que
nosso casamento gere benefícios para o Grupo Swan.
Com
o toque dele, Isabella se empertigou.
—
Que tipo de benefícios?
Edward
teve certeza de que a conquistara ali. Ela concordaria em se casar com ele
exatamente como ele esperara. Soltou a mão dela e se recostou.
—
Há muitos exportadores e importadores em Diyafa. Eles dependem de contêineres
de carga para transportar seus produtos pelo mundo. Vou providenciar para que
sejam apresentados à empresa da sua família. Farei tudo o que puder para
expandir o perfil do Grupo Swan dentro do meu círculo.
—
Você não iria querer que eu largasse meu cargo na empresa?
—
Nosso casamento seria temporário. Um sacrifício tão drástico não seria
necessário.
—
Temporário como?
Edward
deu de ombros.
—
Depois que nos casarmos, meu avô vai passar as ações para mim, então eu vou ter
o controle da empresa... e você estará livre para ir embora, voltar para
Charleston e para sua família de vez. — Ele se remexeu impacientemente no
assento.
—
Mas você iria querer que morasse em Diyafa, certo?
Ele
assentiu.
—
Do contrário, meu avô não aceitaria que nosso casamento era legítimo, e não
posso me dar ao luxo de que ele duvide da veracidade da nossa união. Mas
haveria compensações por morar em Diyafa durante parte do ano. Viajo muito, e
espero que você fique ao meu lado. Faço viagens regulares de negócios aos
Estados Unidos. Então você veria bastante a sua família. Poderia continuar
trabalhando como relações-públicas para a empresa dela. Eu não impediria você.
A tecnologia em Diyafa é de última geração você poderia trabalhar de lá com
tudo ao seu alcance. Também viajo para muitos países. Pense nisso, você poderia
realizar aquela sua lista.
—
O que você sabe sobre a minha lista?
Ele
tentou evitar a arrogância no sorriso. Não precisara de muito tempo para
decifrar o que havia nela.
—
E óbvio que você tem uma lista de lugares aos quais quer viajar. Sei que Vegas
está nela. Você falou de acrescentar o lago de Como... e talvez tenha até
pensado em Diyafa.
Ele
não podia permitir que ela pensasse duas vezes.
—
Isabella, vou levá-la a qualquer lugar para o qual queira viajar. Visitaríamos
o Taj Mahal, a Torre de Londres. Você poderia beber champanhe francês às
margens do Sena na primavera. Jamais vai se arrepender das aventuras que terá.
A
dúvida desapareceu, e a expressão dela se encheu de desejo.
—
Não é justo. Você está explorando meu ponto mais fraco.
Claro,
ele sabia disso. Para alguém que confessara nunca ter viajado muito e sempre
ter desejado isso, ele estava oferecendo o sonho de uma vida.
—
Ter um sonho não é fraqueza.
—
Está se oferecendo para realizar o meu sonho?
Ele
não precisava ser romântico com ela. Afinal, não era o amor da sua vida. Não
queria nenhum mal-entendido.
—
Não é unilateral. Não se esqueça de que eu também vou conseguir aquilo de que
preciso.
—
Então é uma situação em que todos saem ganhando?
Ela
entendia! Nem se tivesse passado um ano inteiro buscando a esposa perfeita Edward
teria feito uma escolha melhor.
—
Exatamente — ronronou ele. O deslumbrante sorriso que Edward direcionou a ela
estava cheio de triunfo. — Por que não aceitar minha proposta?
Proposta.
A
palavra arrastou Isabella de volta ao que edward lhe oferecia um acordo de
negócios... não o sonho de uma vida.
A
inquietação a dominou, e ela se levantou imediatamente.
—
Acho que já estou revigorada. Vamos ver se consigo quebrar aquela maldição dos
Winthrop.
—
Quer apostar mais? Agora?
—
Você está pedindo que eu faça a aposta de uma vida inteira me casando com você.
Que diferença alguns minutos vai fazer?
Ele
ergueu as mãos num gesto de rendição.
—
Tome o tempo que quiser. Mas não é por uma vida inteira. Não é um acordo
permanente.
—
Quero um sinal.
—
Um sinal? Que tipo de sinal?
—
De que me casar com você é a coisa certa a se fazer.
—
E o que você consideraria um bom sinal?
—
Recuperar o dinheiro que perdi na roleta.
—
Mas a sua família nunca vence.
Uma
onda de diversão levou Isabella na direção da área de apostas. Por cima do
ombro, ela falou:
—
Vou ficar com as máquinas caça-níqueis desta vez. Então, se eu vencer, isso
deverá ser um excelente presságio.
Edward
fez um som peculiar.
—
Você não tem intenção de dizer sim para a minha proposta, tem?
Isabella
não respondeu imediatamente. Para ser honesta, estava confusa Edward virara seu
mundo de ponta-cabeça com aquela proposta.
Parte
dela queria dizer sim naquele instante.
Sem
dúvida, o casamento com Edward seria uma aventura. Uma oportunidade de
vivenciar coisas que ela não vivenciaria de outra forma. E, sem dúvida, fazia
muito sentido do ponto de vista dos negócios.
Mas
o lado mais cauteloso dela, a velha Isabella Swan, criada de maneira cuidadosa
e conservadora, avisava que não conhecia Edward muito bem, que aquela era uma
proposta extremamente arriscada, uma que ela deveria evitar a todo custo.
Toda
a razão se evaporou quando ele foi até ela e pôs as mãos em seus ombros.
—
Eu devia ter feito esse pedido na sacada ontem à noite. Estou começando a achar
que teria sido mais provável você dizer sim durante o casamento.
O
toque dele contra a pele nua dela era... perturbador. Isabella se esforçou para
pensar. Por fim, balançou a cabeça.
—
Você era um estranho ontem. Hoje, conheço-o muito melhor. — Ela percebeu que
era verdade.
No
casulo formado pelos braços dele, Isabella enumerou o que aprendera.
—
É divertido estar com você nunca ri tanto na minha vida. Você é bondoso segurou
a minha mão quando pensou que eu pudesse estar com medo naquela primeira vez na
montanha-russa. Você ama o mundo à nossa volta descobri isso no alto da Torre
Eiffel. E é bom com crianças...
—
Você não tem como saber isso!
As
mãos dele baixaram, e a pele dela ficou fria onde, um instante antes, os dedos
de Edward tinham repousado.
—
Tenho, sim. Você agradou Eric pacientemente no casamento.
—
Então case-se comigo!
—
Só se eu ganhar.
Ela
deu meia-volta. De sua bolsa, retirou várias moedas e as enfiou na primeira
máquina caça-níqueis que encontrou, apertando o botão para jogar.
Os
desenhos giraram loucamente.
Quando
pararam, nada tinha se alinhado.
A
mesma coisa aconteceu na jogada seguinte.
O
coração de Isabella pareceu vazio. Era ridículo se sentir uma perdedora só por
aquilo.
Ter
uma vida...
Ela
não sentira aquele vazio antes. Ela e Edward tinham se conectado, gostado da
companhia um do outro. O dia fora cheio de alegria. A intuição de Isabella lhe
dizia que eles formariam uma ótima equipe temporária.
Não
seria loucura se casar com Edward ela gostava dele.
Isabella
olhou para as fileiras alinhadas com figuras e números. O que estava fazendo? Edward
tinha razão ela não precisava de algum sinal arbitrário. Era uma decisão de
negócios sólida. Fazia sentido lógico aceitar a proposta.
Ela
não precisava provar que podia ganhar.
Isabella
soube que diria sim.
Apertou
o botão para jogar a última vez, e se virou para dar a resposta.
A
cacofonia de sinos e sons eletrônicos crescendo de maneira histérica fez com
que ela se virasse novamente para olhar a máquina.
Incrédula,
ela leu as letras que piscavam e a instruíam a chamar um atendente.
—
Eu ganhei — disse ela enquanto o torpor a invadia.
Edward
estava rindo, mas não olhava para os psicodélicos fogos de artifício acima da
máquina. Estava indo na direção dela, os braços estendidos.
—
Parece que você quebrou a maldição dos Winthrop. Ganhou o prêmio acumulado.
Os
olhos dela se levantaram para a quantia em luzes brancas no topo: 22 mil
dólares. Não era uma fortuna, mas fazia mais do que cobrir suas perdas
anteriores.
—
Dois deve ser o meu número da sorte.
Então
ela estava sendo erguida do chão para os braços de Edward. Ele a girou enquanto
as cores piscavam loucamente à volta deles. Quando a pôs de volta, o torpor de Isabella
começava a diminuir enquanto a sensação retomava... e, com ela, a euforia.
Sorriu
para ele.
—
Eu me sinto... — Qual seria a melhor maneira de descrever? — ... sortuda.
— Vamos ser sortudos juntos. — O olhar de
Edward fulgurou no dela. — Vamos nos casar amanhã.
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