9.2.14

Adaptação: A Esposa Virgem - Capítulo Sete.



A Esposa Virgem

Obs: Aviso legal
       Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora:
Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Deboha Simons A Esposa Virgem Título Original: Maiden Bride (1996) que dá titulo a fanfic de mesmo nome.

Capítulo Sete
“Sentimentos Confusos” 

Só para você
Blinding escuridão me rodeia
E eu estou procurando por você só
Esse desespero que se afoga tudo que eu acredito
Será a única coisa que eu preciso
Só para você

Há uma fome que é de crescimento lento
Perseguindo sombras, mas sem nunca saber
Se tudo o que eu fiz
É manter-me de você
Que pode nos braços da misericórdia de trazer o resgate
Para retornar para você
Mas eu estou tão longe
Mas eu estou tão longe

Tão longe de casa


Isabella acordou com uma batida na porta e sentou-se depressa. O sol já se filtrava pelas frestas da veneziana, sinal de que o dia ia adiantado. Estaria sozinha? Olhou para a cama e a viu vazia e arrumada. Obviamente, o marido não tinha voltado à noite e as suas horas de ansiedade e medo haviam sido inúteis.

Isabella não sabia se sentia-se aborrecida ou aliviada. Onde ele teria dormido? E com quem? Esta última indagação provocou-lhe uma emoção tão forte que ela custou para perceber nova batida na porta.

— Entre! — gritou.

Ao ver Esme surgir, Isabella forçou um sorriso. A criada, por sua vez, sacudiu a cabeça com ar de reprovação.

—A senhora jamais conquistará lorde Edward se continuar dormindo no colchão no chão.

Conquistá-lo? Para quê? E de quem? Refletiu Isabella. Esme saberia onde e como ele havia passado a noite?

Que diferença fazia isso? Indagou-se ao levantar-se. Ela devia estar comemorando o fato de ele ter encontrado outra mulher para atormentar.

— Não tenho o mínimo interesse em seu senhor, Esme. E você sabe disso.

— Não acredito. A senhora parecia bem interessada ontem à noite no salão — argumentou a criada. A noite da véspera. De repente, a lembrança da brincadeira surgiu-lhe na mente. Edward, encapuzado tinha encontrado depressa. Isso não a surpreenda tanto quanto o que se seguira depois. Nunca tinha sido beijada e nem sonhado que o ato simples pudesse ser tão estimulante.

Todos os detalhes vieram-lhe à mente. O contato com o corpo rijo, a pressão dos lábios quentes nos seus, língua invadindo-lhe a boca e a forçando a apoiar-se nele.

O marido lhe tinha tirado o fôlego, mas não por amedrontá-la. Nem por um segundo, ela temera-lhe o toque. Havia acariciado o na nuca e encostado o corpo no dele desejando... O quê? Ele? Impossível.

Atordoada, Isabella percebeu que continuava em pé vestindo apenas a camisa. Respirava com dificuldade e o coração disparava enquanto Esme a observava com um sorriso matreiro.

— Tudo não passou do pagamento de uma prenda para satisfazer as pessoas — explicou enrubescendo.

— Para mim, pareceu bem real, lady Isabella, e prova o que venho lhe dizendo. Lorde Edward sente atração pela senhora, que poderá conquistá-lo se fizer um pequeno esforço. É mais fácil apanhar moscas com mel do que com vinagre.

— Quem quer apanhar moscas ou Edward Masen Cullen?’ — perguntou Isabella enquanto deixava a criada vesti-la.

— Tornaria sua vida mais fácil, minha senhora. O comentário quase provocou as lágrimas de Isabella.

— Não vou me comportar como uma rameira. Existem outras mulheres que o receberiam com prazer. Ele só me quer para exercer vingança.

— Tudo vai acabar bem, minha senhora. Espere e verá. Um homem não beija uma mulher daquele jeito quando só sente ódio por ela. Pense nisso enquanto ele está ausente — aconselhou Esme.

— Edward foi viajar? Para onde? — indagou Isabella, sentindo-se curiosamente desapontada.

— Ninguém sabe. Deixou o castelo tão logo saiu deste quarto. Corria como se estivesse fugindo do próprio demônio.

Isabella foi tomada por um misto de emoções. O marido estava fora e isso a deixava mais relaxada. Deveria se sentir exultante, mas tal não acontecia.

— Pois é, meu senhor saiu para a chuva como se precisasse se molhar a fim de arrefecer o ardor — comentou a criada, piscando.

— Tolice! Mas já que ele está fora, é uma boa oportunidade para eu trocar a palha do salão e lavar os ladrilhos.

— Isso é trabalho para os criados — protestou Esme com ar de desaprovação.

— Então, talvez você possa me ajudar — disse Isabella, sorrindo.

Acostumada à trabalhar o dia inteiro, sentia falta de uma atividade ali no castelo. Por causa das proibições do marido, custava a encontrar uma.

Resmungando, Esme abriu a porta, mas com um grito assustado, deu um passo para trás.

— O que foi? — perguntou Isabella ao espiar o corredor. Num canto sombrio, reconheceu a silhueta do Jacob. Ele não era tão alto quanto Edward, mas mostrava ser tão forte. Usava uma túnica preta com acabamento dourado. A peça escura acentuava-lhe o moreno da pele que, embora estranho, o tomava muito atraente.

Como o de Edward, o rosto dele tinha uma beleza quase feminina, mas ao oposto do marido, ele não era marcado por uma expressão cruel. Darius parecia muito satisfeito consigo mesmo e com a própria virilidade. Aliás, não havia dúvida quanto a ela, desde a curva insinuante dos lábios até a expressão de sensualidade dos olhos negros.

— Deus tenha misericórdia de nós! É o demônio estrangeiro — gemeu a criada.

— Não há razão para ter medo — disse Isabella.

— Ora, esse infiel surge das sombras de propósito para assustar uma velha — a criada resmungou ao correr para a escada.

Isabella sacudiu a cabeça. Embora o Jacob fosse diferente, ele merecia ser tratado com respeito. Meio acanhada ela sorriu.

— Meu nome é Darius. Recebi a incumbência de protegê-la — explicou ele.

Isabella reconheceu a voz, grave e melodiosa, que a havia tranqüilizado durante a viagem. Devia agradecer-lhe, mas ao fitá-lo, não teve coragem. Os olhos negros pareciam invadir-lhe a alma. Sentia-se sufocada sozinha ali com ele, diante da porta aberta do quarto. Com esforço perguntou:

— Você já se alimentou hoje? Num gesto negativo, Darius sacudiu a cabeça.

— Pois então, vamos comer um pedaço de pão e beber uma caneca de cerveja. Quer dizer, caso eu tenha licença para andar por aí — ela acrescentou.

Darius sorriu.

— A senhora ficará livre até ele voltar. Livre? Isabella refreou um comentário. Isso não aconteceria a menos... Perscrutou a expressão do Jacob e lembrou-se outra vez das palavras dele durante, a viagem. Ainda não se conheciam, mas ele se dera ao trabalho acalmá-la. Talvez seu guarda estranho pudesse ser convencido a ajudá-la de maneira mais concreta.

Abaixada, Isabella firmou-se nos calcanhares e passou as costas da mão na testa. Os ladrilhos já lavados brilhavam, mas o salão de Cullen era maior do que qualquer cômodo do convento. Estava levando mais tempo para limpá-lo do que ela havia imaginado. Precisavam terminar logo e a tempo para o jantar.

Isabella olhou para a silhueta escura a alguma distância de Esme. Embora não pudesse ver, sabia estar sendo observada. Apesar das boas intenções, o estrangeiro a deixava nervosa. Ele era atraente e atencioso, mas algo nos olhos negros a perturbava.

Isabella tinha desistido da idéia de conquistar-lhe a ajuda. Não havia nada que ele pudesse fazer a não ser levá-la para longe, fora do alcance do marido. Mesmo se o Jacob estivesse disposto a fazer isso, ela não tinha certeza de querer ir embora com ele. Não estaria pulando da panela para o fogo?

Ironicamente, sentia-se menos preocupada ao lado do marido demoníaco do que com este estrangeiro bondoso. Edward ela já conhecia bem, ao passo que Darius exigiria uma vida inteira para ser compreendido.

E se fugissem de Cullen, para onde iriam? Consumido pelo desejo de vingança, Edward os perseguiria até os confins do mundo. E então, ela estaria em muito pior situação, refletiu.

Desviou os olhos do Jacob e reassumiu o trabalho. Estava errado pensar com tanta frieza em usar o Jacob, pois ele a tratava apenas com bondade. Era um sujeito decente e, se não fosse pelos olhos negros...

Isabella estremeceu. Horas sob a atenção sombria, faziam o olhar faiscante do marido parecer mais suportável.

Edward não estava de bom humor. Tinha cavalgado durante uma noite na chuva, em busca de alívio para o corpo. Mas agora, depois de mais um longo período na sela da montaria, voltava mais frustrado ainda.

Maldição! Pensou em Londres. Lá ele encontraria o que procurava sem muito trabalho. Talvez até achasse uma morena do leste, educada para satisfazer as necessidades de um homem. Isso mesmo pensou mais animado.

Levaria Darius com ele e partiria imediatamente. Mas então, lembrou-se de Isabella. Antes de ir à procura do prazer, precisava executar a vingança. Não podia continuar adiando-a.

Até então, praticaria o celibato. Não seria difícil para um homem de sua disciplina. Muitas outras vezes, ficara sem mulher por longo tempo. Não seria uma com cabelos flamejantes que o faria perder o controle. Determinado, Edward entrou no salão, ansioso por ver a esposa. Tentava se convencer ser o desejo de vingança que o instigava.

Ao percorrer os olhos em volta à sua procura, ele nem notou os ladrilhos sem palha. Embora o administrador acorresse para recebê-lo, Isabella não era vista em lugar algum.

Estremeceu. Teria ela fugido? Impossível! Não com Darius vigiando-a. De qualquer forma, sentiu-se ansioso nem respondeu o cumprimento do administrador.

— Onde está ela? — indagou em voz brusca.

— Quem, meu senhor? — Billy perguntou recuando.

— Minha mulher!

O administrador olhou para um canto onde umas criadas esfregavam os ladrilhos. Isso provocou um acesso de fúria em Edward. Por que o homem não respondia? onde estaria Darius?

Alarmado, ele sentiu uma contração no estômago.

— Onde está ela? — repetiu, furioso. Billy apontou um dedo trêmulo para um canto.

— Meu senhor, sua esposa está ali. Edward olhou. Duas mulheres ajoelhadas continuavam a trabalhar. Um pouco adiante e nas sombras da lareira, estava Darius em atitude de vigilância.

Edward aproximou-se das mulheres. A mais velha ele reconheceu logo como sendo Esme, mas a mais jovem... Uma madeixa vermelha escapava-lhe da touca.

— Isabella — ele gritou, a voz ecoando pelo salão. Ela parou, enxugou as mãos e levantou a cabeça para responder.

— Pois não?

Sua calma só serviu para deixá-lo mais bravo e dirigiu-lhe um olhar feroz. A mulher vestia outro vestido reformado, tinha o rosto sujo e as mãos avermelhadas. Por Deus! Tratava-se da esposa dele e não devia estar ajoelhada trabalhando.

— Com todos os diabos, o que pensa estar fazendo?

— Lavando os ladrilhos antes de colocar palha limpa — ela respondeu, ainda em atitude calma.

— Levante-se já! Temos criados suficientes para fazer esse serviço — disse Edward, notando o olhar estupefato das outras pessoas.

Isabella ergueu-se e o fitou com expressão de desafio.

— E o que tenho licença para fazer? Não posso cuidar de doentes e nem trabalhar na horta. Pelo jeito, também não posso limpar o chão.

— Sua obrigação é cuidar de mim.

— Ah, é? Você desapareceu antes de ontem à noite sem dizer aonde ia e nem quando voltaria — Isabella gritou.

Edward sentiu a cabeça leve. Estaria a mulher preocupada com ele? Teria sentido falta sua? De jeito nenhum. Isabella teria ficado aliviada com sua ausência. Sacudiu a cabeça e, com raiva redobrada, disse:

— Vá se vestir de maneira decente, mulher! Está quase na hora do jantar e não quero me sentar à mesa ao lado de uma camponesa suja!

Ela soltou uma exclamação e abriu a boca como se quisesse dizer algo mais. Edward esqueceu o fascínio de uma morena do leste, disposta a satisfazê-lo. A esposa mostrava-se enérgica e o contagiava com seu fogo. Defendia-se com tanta paixão que ele imaginou essa emoção desencadeada em outras coisas.

Tentou afastar a idéia da cabeça, mas notou a sujeira em seu rosto. Teve de esforçar-se para não estender a mão e limpá-lo.

Maldição! Estava bravo, cansado e com fome. A disciplina já começava a falhar. Vociferando ordens para os criados, mandou servir o jantar logo, estando o chão pronto, ou não. Depois, deu um passo em direção à mulher que ainda não se mexera.

— Vá logo! — gritou apontando para a escada. Ela obedeceu, mas não sem antes dirigir-lhe um olhar de ódio. Com os ombros erguidos, atravessou o salão num passo mais régio do que o de qualquer rainha, e mais adorável no vestido reformado do que num finíssimo.

Observando-a, Edward sorriu, certo de ter vencido a mulher teimosa. Mas curiosamente, não sentia a sensação de triunfo, apenas a dor no estômago e um certo desconforto físico. Nem percebeu a sombra de Darius deslizar a fim de acompanhar Isabella.

Apesar da fome, Edward apenas beliscava a comida Isabella tinha posto um vestido azul-marinho que, para desgosto dele, atraía-lhe o olhar. O estômago doía e ele tinha a impressão de que o interior do corpo separava-a em direções opostas.

Já estava na hora de castigar essa mulher de língua ferina com quem se casara. Ela não conseguia ficar parada e sempre encontrava uma atividade que o irritava dali em diante, Isabella não o envergonharia mais executando tarefas de criados. Os planos vagos quanto reduzi-la a essa categoria, tinham sido abandonados quando ele a vira ajoelhada lavando o chão.

Isabella era uma mulher linda, digna de ser esposa de qualquer homem em boa situação. Ela poderia usar vestidos elegantes, jóias valiosas e manter as mãos bem cuidadas. Isso não seriam para benefício próprio, mas para o dele. Sentia prazer em vê-la bem arrumada.

A mulher queria atividades. Por Deus, ele as providenciaria.

Cuidaria dele como uma esposa diligente, seria mais obediente, atenciosa e ansiosa para satisfazer-lhe as mínimas vontades.

Ficaria à disposição dele de manhã à noite, como um escudeiro, porém, mais agradável aos olhos e estimulante ao espírito. Esse seria o castigo adequado para a mulher teimosa, pois era o que ela menos desejava fazer, refletiu Edward sorrindo.

O bom humor momentâneo dissipou-se com a aproximação de Esme, que pôs um copo na mesa, diante dele.

— Seja bem-vindo, meu senhor. É um prazer tê-lo de volta.

Para comemorar seu retomo, preparei uma bebida especial para o senhor — disse a criada.

— Do que se trata? — indagou Edward, desconfiado.

— Um tônico, meu senhor.

— Ora, não preciso de um. Leve embora. Esme não obedeceu e aproximou-se mais.

— Sabe, meu senhor, quando vi os arranjos em seu quarto, resolvi endireitar a situação.

Edward não fazia a mínima idéia do que ela estava falando e fitou-a com olhar ameaçador.

— Prove um gole, meu senhor. É uma bebida maravilhosa e fará seu sangue fluir melhor — insistiu ela.

— Meu sangue corre muito bem. Esme suspirou.

— O senhor não está me entendendo. Segundo a pessoa que me deu a receita, o tônico fará seu fluido vital ser freqüente e duradouro.

Enquanto Edward a fitava, estupefato, ela piscou, fazendo-o enrubescer. Sacudido por uma fúria tremenda, ele virou-se para Isabella.

— Foi idéia sua? — indagou.

Com os olhos arregalados, ela recuou o corpo.

— Claro que não! Ela me pediu a receita para um homem que... — A pele clara de Isabella tornou-se rubra. — Pensei que fosse para o marido dela. Não fazia idéia de que ela o daria a você. Não quero seu fluido vital, nem estimular parte alguma sua!

Do outro lado, o Jacob soltou uma gargalhada. Outras pessoas mais discretas abafavam o riso. Edward sentiu a raiva crescer e explodir como um vulcão. Não conseguia mais controlar a mente. Num gesto brusco, bateu no copo, entornando o líquido na mesa.

— Suma de minha frente, Esme, antes de eu mandá-la de volta para MacCarty — vociferou ele.

A criada empalideceu enquanto se afastava e um silêncio profundo dominou o ambiente.
— Edward.
O nome pronunciado por Isabella o imobilizou. O som suave e agradável, provocou-lhe um arrepio. Sem sabe por quê, ele o afetava.

— Ela não teve má intenção. Esme é uma mulher idosa que se esforça para ajudá-lo.

Esme? Ela lhe falava a respeito da criada? Virou-se para Isabella e, em voz baixa, recomendou:

— Não a defenda a menos que queira ser responsabilizada por seu atrevimento. Ou, quem sabe, você não estará ansiosa para compartilhar a cama comigo? — ele a provocou e a viu empalidecer. — Sabe, mulher não preciso de tônico algum para estimular meu sexo. Quer a prova?

Edward agarrou-lhe a mão e a colocou entre as virilhas. A resposta foi imediata. O simples contato transformou-se em algo mais. Completamente abalado, ele sentiu uma onda de calor invadir-lhe o corpo que o levou a empurrar os quadris contra seus dedos aprisionados. Apenas a presença das pessoas e o terror estampado, no rosto de Isabella o fizeram soltar-lhe a mão.


No instante seguinte, ela levantava-se e fugia do salão. Atônito demais com a própria reação, ele a viu afastar-se e não a chamou. Quando se acalmou um pouco, refletiu que deveria alegrar-se com o pavor revelado pela mulher. Mas tudo que sentia era uma carência quente e latejante.

   



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