Uma Dança com o Sheik
Obs: Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.
Notas da Autora:
Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Tessa Radley, Uma dança com o Sheik , Tituli Original: One Dance with the Sheikh que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capítulo Onze
Descoberta
Na mansão Swan, Pamela, a governanta
da família, abriu a porta da frente e recebeu Isabella com um enorme abraço.
Instantaneamente, Isabella sentiu as
lágrimas acumuladas ardendo no fundo dos olhos.
—
Ora, minha criança. Por que as lágrimas? — Pamela a puxou para dentro e fechou
a porta.
—
Senti falta de todos vocês — disse Isabella, com sinceridade.
— A sra. Renée está no segundo andar.
Aquele gentil detetive acabou de sair.
— O detetive Conner?
— Esse
mesmo.
— Algum
progresso no assassinato de papai? — Isabella não pôde impedir um lampejo de
culpa. Nas últimas duas semanas, mal pensara no assassino do pai.
— Vai
ter de perguntar isso à sua mãe. O que posso dizer e que já começamos a embalar
as roupas do seu pai.
— Como
mamãe está lidando com isso?
— Muito
melhor do que eu esperava. O que acha de eu ir fazer um café e deixar que você
veja por conta própria?
No andar de cima, Renée estava
ajoelhada no chão ao lado de uma pilha de roupas, colocando cuidadosamente um
suéter numa caixa. Parou quando Isabella entrou.
— Isabella! O que faz aqui? Onde está Edward?
— Vim
sozinha. Ele ainda está em Diyafa.
— Estou surpresa por ele ter deixado a
esposa sair sozinha tão cedo.
Isabella procurou um jeito de dar a
notícia. Nada poderia abrandar a verdade. Enfim, disse com franqueza:
— Eu o deixei, mamãe.
— Ah, minha querida!
Renée se levantou de imediato e puxou Isabella
para um abraço cheio de calor e do familiar perfume de lavanda.
Isabella fechou os olhos, retirando
conforto dos braços da mãe. Sentia-se como uma menininha que entrara correndo
na casa para encontrar a mãe depois que uma brincadeira bruta com Emmett levara
a joelhos ralados. Naqueles dias, suas dores tinham sido resolvidas com um
curativo e um beijo da mãe.
Desta vez, era seu coração que doía, e
isso não podia ser facilmente consertado.
— Quer
conversar, querida?
A solidariedade quase desmanchou Isabella.
Abrindo os olhos, ela inspirou profundamente. Queria conversar? Ocorreu-lhe
que, na certa, não havia ninguém que entenderia melhor do que sua mãe o que ela
estava sentindo.
Afinal, assim como seu casamento com Edward,
o casamento da mãe dela fora arranjado originalmente por questões de negócios.
Até Charlie deixar Renée encantada. Isabella estremeceu. E, num caso de
repetição histórica, ela também se apaixonara por seu noivo de conveniência.
A grande diferença era que Charlie convencera
a mãe dela de que a amava. Ao passo que Edward não fizera nenhuma dessas promessas
de devoção. Na realidade, deixara brutalmente claro que não queria uma esposa,
nem um filho.
— Não
há muito a dizer. — Isabella afundou na beira da cama.
Venha se sentar aqui comigo e me diga
o que andou fazendo enquanto eu estive fora.
— Aquela
adorável Leah Cleorwoter tem vindo me visitar e também tem falado com a
polícia. — Renée soltou um leve suspiro ao se acomodar na cama, ao lado de
Laurel. — Na verdade, o detetive acabou de sair. A suspeita dele está
firmemente sobre Jacob Black. Como você sabe, o único problema é que Jacob tem
um álibi. Os funcionários do escritório dele afirmam que ele ficou trabalhando
até tarde naquela noite.
Isabella entrelaçou seus dedos nos da
mãe.
— Mas
isso não deve contar. Quero dizer, ele poderia tê-los subornado para que
dissessem isso. — Isabella não conseguia acreditar que a polícia não avançara
nada desde quando ela viajara a Las Vegas.
Sua mãe tivera razão não fora
necessário ficar.
— E
também tem o pequeno problema de o carro dele ter sido visto no estacionamento
perto da sede do GS.
— Mas
ele nega ter estacionado lá também, filha.
— Que
estranho. Ele deve estar mentindo. O que Leah Cleorwoter acha?
— Ela
disse que ainda quer investigar mais, mas está determinada a encontrar o culpado.
Isabella também estivera. Ela pensou
no último item da lista. Número dez: encontrar o assassino de papai. A tarefa
mais difícil de todas. E ela não progredira nada nisso. Provavelmente, Leah se
sairia muito melhor na resolução do caso do que ela jamais poderia se sair...
Contanto que Leah não deixasse seu coração governar sua cabeça.
— Se
a polícia não está chegando a lugar nenhum, talvez Leah seja a melhor pessoa
para invalidar o álibi de Jacob. — Ela apertou a mão de Renée. — Quanto mais
rapidamente ele for preso, mais rapidamente também você vai poder reconstruir a
sua vida.
E, quando Jacob Black fosse preso,
todas as chances de ele ser eleito presidente do GS na reunião de junho
desapareceriam de uma vez por todas. Isabella sabia que ela, sua mãe e seus
irmãos soltariam um suspiro aliviado.
— Já
estou reconstruindo a minha vida. Pedi a Alice para ajudar a planejar meu
casamento com Phil. Devemos nos casar daqui a um mês ou dois.
— Ah,
mamãe, é uma notícia tão boa!
A tristeza tocou Isabella. Torcia para
que sua mãe tivesse mais sorte no casamento do que ela tivera. Pensar em seu
casamento, nos problemas, foi suficiente para fazer Isabella ter vontade de
chorar sem parar no ombro da mãe.
Quando o crepúsculo chegou, Isabella
ficou na mansão Swan para a reunião semanal da família. Apesar de ficarem todos
surpresos por vê-la, o apoio da família foi imediato. Seth estava lá com Jessica
e Eric fora descobrir se Pamela tinha algum petisco guardado para ele. Emmett e
Rosalie chegariam depois.
Segura no seio de sua família, o amor
a aqueceu.
Angela e Ben só tinham olhos um para o
outro.
Alice estava radiante, tão linda, e
trocando olhares secretos com Jasper, os dois claramente em seu próprio mundo. Isabella
invejou aquela intimidade. Era o tipo de casamento que queria para si.
Mas uma coisa se destacou quando
estavam terminando a refeição que Pamela preparara para a família o
relacionamento entre ela e Jasper mudara. Ele era cunhado dela agora... não
mais seu melhor amigo. A velha tranqüilidade na conversa com ele se fora para
sempre.
E, além disso, como Isabella poderia
conversar com ele sobre Edward? Seria injusto. Edward era o outro melhor amigo
dele.
Entretanto, Jasper parecia triste, e
ela logo descobriu por quê.
— Edward
me ligou — disse ele.
Isabella o olhou fixo.
— Quando?
Por quê?
— Ele
parecia achar que estávamos com algum tipo de emergência na família. Queria
saber se estavam todos bem.
Ela desviou o olhar, seu rosto se
esquentando, uma pontada de culpa torcendo seu coração.
— Não
pensei que ele fosse se importar — resmungou. — Acho que isso significa que o
coração dele não é um bloco de gelo.
— Edward
tem coração — afirmou Jasper.
— Você
acha? Não tenho tanta certeza.
Não foi necessário o olhar atravessado
de Jasper para que ela soubesse que estava sendo injusta. Apesar de sua
amargura, Isabella sabia que ele tinha coração. Afinal, tivera vislumbres de
sua bondade com as crianças e com os idosos. O que Edward não tinha era espaço
em seu coração para ela. E isso nunca mudaria.
— A
culpa é minha.
Isabella gesticulou, descartando a
ideia.
— Besteira.
Não se culpe por ter nos apresentado, Jasper. Teríamos nos conhecido mais cedo
ou mais tarde.
— Você não entende.
O coração
de Isabella desabou como uma rocha na assombrada escuridão dos olhos dele.
— O
que eu não entendo?
Jasper olhou à volta. Todos os outros
estavam envolvidos em conversas. Ele baixou a voz:
— Eu
sugeri a Edward que se casasse com você.
— Você
sugeriu? Quando?
— Depois
que você me dispensou.
— Por
que você faria algo assim? Por quê?
Angela parou de conversar com Rosálie e
virou a cabeça. Isabella abriu rapidamente um reconfortante sorriso para a
irmã. Depois de um instante, Ângela retribuiu o sorriso, e, quando Rosalie falou
com ela, ela se virou para retomar a conversa.
Isabella suspirou, aliviada. Fora por
pouco. A última coisa que ela queria era a preocupação de sua irmã.
Remexendo-se irrequieto, Jasper murmurou:
— Edward
estava com um problema. Eu disse a ele que você podia ser a solução.
— Simples
assim? — Que coisa típica dos homens! — E ele concordou?
Jasper soltou uma risada constrangida.
— Que
homem não concordaria? Eu disse a ele que você era linda e inteligente, e que
não tinha como ele errar.
Como um vendedor de cavalos exibindo
as características boas dela. Isabella falou levemente por entre os dentes
cerrados:
— Obrigada,
Jasper!
Ele parecia se sentir muito culpado.
— Você
está furiosa. Em todos os anos desde que a conheço, nunca a vi furiosa, sabia
disso?
Quando os segundos se estenderam num
desconfortável silêncio, Jasper falou, hesitante:
— Posso
tentar consertar as coisas.
— Como?
— Se
eu ligasse para ele...
— Não! De jeito nenhum. Não quero que
você tente ajudar.
— Desculpe.
Magoei você. Nunca pensei que... — Jasper balançou a cabeça, e sua voz
desapareceu.
— Esse
é o problema. Homens simplesmente nunca pensam nos problemas que causam!
— Não
posso estar grávida.
Era a manhã de segunda-feira, e o dia
já começava a ficar ruim.
A médica ergueu os olhos dos
resultados.
— Você
não teve nenhum relacionamento sexual? — A preocupação reluzia atrás dos óculos
dela.
— Eu
me casei... e sim, fizemos amor. — Apesar da vergonha de Isabella, a médica
pareceu aliviada. — Mas nunca tive a intenção de engravidar... tomamos
precauções. Menos uma vez — acrescentou, lembrando-se da noite na piscina.
— Nem
sempre elas funcionam cem por cento.
A vontade de rir histericamente
aumentou.
— Sei
disso. Minha mãe teve essa conversa comigo quando fiz 15 anos e saí no meu
primeiro encontro como meu melhor amigo.
O que
quero dizer é que isso não pode estar acontecendo, comigo. Sou adulta. Sensata.
Até a avó de Edward achara isso.
— Sem
dúvida, não sou do tipo de mulher que engravida por acidente.
A médica fez uma expressão de dor.
— Engravidar acidentalmente
acontece... até com mulheres de negócios sensatas e adultas. Trate isso como
uma bênção. Porque tenho pacientes adultas ainda mais sensatas que adorariam
engravidar por acidente.
Aquelas palavras a atingiram em cheio.
Um embargo se formou na garganta de
Isabella.
Ela não choraria. De jeito nenhum. Em
vez disso, falou:
— Sempre
planejei ter uma família. Um dia. Claro, também planejei ter um pai para os
meus filhos, uma família tradicional.
A médica parecia confusa.
— Pensei
que você tivesse dito que tinha se casado.
Isabella se remexeu na cadeira diante
da mesa.
— Sim,
em Vegas. Mas já terminou. Os documentos da separação foram entregues ao meu
marido hoje de manhã. — Ignorando a expressão assustada da mulher, Isabella
pensou em sua mãe, traída e sem amor. Em seu pai, assassinado no auge da vida.
— Mas nem sempre recebemos o que pensávamos querer, não é?
Ao menos o pai dela lhe deixara a casa
de praia. Ela ainda tinha isso. Subitamente, Isabella sentiu uma
avassaladora-necessidade de ficar cercada pelo consolo da imensa casa.
Captain’s Watch, a majestosa e antiga
casa na praia, continuava linda.
Construída no fim do século XIX quando
as grandes famílias da área descobriram a praia, ela estava havia mais de um
século assistindo às marés indo e vindo.
Abrindo as pesadas venezianas de
madeira para deixar o sol de maio entrar, Isabella sentiu um surto de prazer
renovado ao olhar para a faixa de praia onde ela passara tantas horas quando
criança e, depois, quando adolescente, com seus namorados e amigos. Sua mão
repousou no ventre.
— Você
também vai ter isso, meu querido, eu prometo.
A majestosa casa e o terreno à sua
volta eram dela. Seu pai soubera quanto ela amava aquele lugar. Saindo da
janela, ela foi até a grande mesa de madeira onde a família fizera incontáveis
refeições e jogara jogos de tabuleiro em dias chuvosos. No centro da madeira
clareada estava a lista... e a carta do pai dela.
Isabella sabia que não precisava mais
da lista. Já tinha uma vida. Uma vida com um emprego, uma família e, em breve,
também um bebê. Mas não conseguia jogar a lista fora. Ela mudara sua vida ou
melhor, fizera com que ela reavaliasse o que queria da vida. Crescera, passara
por experiências — a palavra aventuras a fazia lembrar demais de Edward — e
encontrara uma compreensão mais profunda de quem ela era. Jamais se
arrependeria disso.
Isabella pegou a lista. Leu-a por
inteiro uma última vez. Apenas o item número dez — encontrar o assassino do meu
pai — permanecia incompleto.
E o número quatro. Mas a ideia de
tomar sorvete na cama parecia subitamente infantil.
Por ora.
Talvez Leah tivesse melhor sorte que ela para encontrar
as pistas que resultassem na prisão de Jacob. Isabella dobrou duas vezes o
papel no qual escrevera a lista. Sua mão pegou uma garrafa de água vazia. Isabella
empurrou o papel dobrado pelo estreito gargalo e soltou um suspiro.
A lista cumprira sua função.
Pegando a carta que fora aberta, lida
e dobrada novamente tantas vezes, ela a desdobrou e absorveu as palavras que
seu pai escrevera.
Minha querida Isabella,
Se estiver lendo isso, não estou mais
com vocês.
Mas Captain’s Watch será sua para
sempre. Sua empolgação antes de chegarmos a Captain’s Watch todo verão vibrava
durante dias pela família, contagiando a todos. Uma vez, você disse a sua mãe
que isso acontecia porque, apesar de a casa de praia nunca mudar, nenhum dia
era igual ao outro, que o tempo passado em Captain’s Watch era uma aventura que
durava um verão inteiro.
Na casa de praia, há uma foto de você
comemorando uma dessas aventuras. Você está ajoelhada ao lado de um castelo de
areia decorado com conchas. Eu me lembro de você perseverando o dia inteiro
depois que as outras crianças tinham desistido e ido brincar de outra coisa.
Você ficou lá até eu chegar para encontrá-la quando o dia já estava terminando.
O castelo
de areia estava finalizado, e você olhava para ele com uma expressão de tanto
contentamento no rosto que eu soube que aquele tempo tinha sido bem gasto. Na
manhã seguinte, você saiu correndo de casa assim que acordou, apenas para
descobrir que a maré o tinha desmanchado. Você não chorou. Em vez disso,
começou a construir novamente, mas, desta vez, fez isso longe do alcance da
maré.
Deixo Captain’s Watch para você na
esperança de que ela lhe traga muitas aventuras mais ao longo do curso da sua
vida. Sei que seu bondoso coração vai abrir as portas para todos da família que
quiserem se juntar a você na praia todos os verões.
Tenha sempre férias felizes em
família.
Com o meu amor,
Papai
Através do borrão das lágrimas, Isabella
traçou a adornada assinatura de Reginald com a ponta do dedo.
A descoberta de que ele tinha outra
família, outro filho, fora devastadora para todos eles, especialmente para a
mãe dela.
Mas Edward não era nada como o pai dela.
Não tinha outra mulher... nem outro filho. Pelo contrário, ele lhe dissera que
nunca quisera filhos... nem uma esposa.
Nada mudava o fato de que ele não a
amava.
Mas ele precisava saber que eles
tinham gerado uma criança juntos. Pela primeira vez, Isabella sentiu uma ponta
de solidariedade por Sarah Black. Sarah fizera a coisa certa. Isabella sabia
que a mãe de Jacob tentara entrar em contato com Charlie uma vez, muitos anos
antes, para lhe dizer que estava grávida, mas fracassara.
As lágrimas que tinham borrado a visão
de Isabella se derramaram. Segurando a carta, ela levou a mão à barriga ainda
plana. Diferente de Charlie, Edward teria todas as chances de fazer parte do
início da vida do bebê dela.
Isabella não conseguia nem começar a
imaginar como deveria ter sido doloroso para Charlie descobrir uma década
depois que Sarah lhe dera um filho. Um filho que crescera para se tomar um
homem amargurado e soturno, que odiava o pai o suficiente para matá-lo.
Se ao menos Jacob tivesse tido como
saber que o pai o amara a ponto de lhe deixar 45 por cento do Grupo Swan, a
obra da vida de Charlie...
Talvez, se Jacob tivesse sabido, isso
pudesse ter transformado seu ódio em esperança.
Mas eles nunca saberiam...
Com dedos suaves, Isabella dobrou a
carta de seu pai e a pôs de volta na bolsa. Quando terminou, pegou o celular.
Depois de organizar seus pensamentos,
preparando o que iria dizer a Edward quando ele atendesse, ela ficou quase
decepcionada quando a ligação caiu no correio de voz. Depois de hesitar por um
momento, ela desligou.
Não podia deixar uma mensagem. Aquilo
era algo que ela precisava contar diretamente a ele.
Dali à um hora, tornaria a ligar e, se
não conseguisse falar com ele, simplesmente teria de pegar um avião e voltar a
Diyafa.
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