13.4.14

Adaptação: Uma Dança Com O Sheik - Capítulo Onze

Uma Dança com o Sheik
Obs: Aviso legal
       Alguns dos personagens encontrados nesta história e ou universo em que se passa, não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.
Notas da Autora:

Essa fanfic é junção de duas História os personagens da Saga Twilight e a história de Tessa Radley, Uma dança com o Sheik , Tituli Original: One Dance with the Sheikh que dá titulo a fanfic de mesmo nome.
Capítulo Onze
Descoberta

Na mansão Swan, Pamela, a governanta da família, abriu a porta da frente e recebeu Isabella com um enorme abraço.

Instantaneamente, Isabella sentiu as lágrimas acumuladas ardendo no fundo dos olhos.

—      Ora, minha criança. Por que as lágrimas? — Pamela a puxou para dentro e fechou a porta.

—      Senti falta de todos vocês — disse Isabella, com sinceridade.

— A sra. Renée está no segundo andar. Aquele gentil detetive acabou de sair.

— O detetive Conner?

—      Esse mesmo.

—      Algum progresso no assassinato de papai? — Isabella não pôde impedir um lampejo de culpa. Nas últimas duas semanas, mal pensara no assassino do pai.

—      Vai ter de perguntar isso à sua mãe. O que posso dizer e que já começamos a embalar as roupas do seu pai.

—      Como mamãe está lidando com isso?

—      Muito melhor do que eu esperava. O que acha de eu ir fazer um café e deixar que você veja por conta própria?

No andar de cima, Renée estava ajoelhada no chão ao lado de uma pilha de roupas, colocando cuidadosamente um suéter numa caixa. Parou quando Isabella entrou.
— Isabella! O que faz aqui? Onde está Edward?

—      Vim sozinha. Ele ainda está em Diyafa.

— Estou surpresa por ele ter deixado a esposa sair sozinha tão cedo.

Isabella procurou um jeito de dar a notícia. Nada poderia abrandar a verdade. Enfim, disse com franqueza:

— Eu o deixei, mamãe.

— Ah, minha querida!

Renée se levantou de imediato e puxou Isabella para um abraço cheio de calor e do familiar perfume de lavanda.

Isabella fechou os olhos, retirando conforto dos braços da mãe. Sentia-se como uma menininha que entrara correndo na casa para encontrar a mãe depois que uma brincadeira bruta com Emmett levara a joelhos ralados. Naqueles dias, suas dores tinham sido resolvidas com um curativo e um beijo da mãe.

Desta vez, era seu coração que doía, e isso não podia ser facilmente consertado.

—      Quer conversar, querida?

A solidariedade quase desmanchou Isabella. Abrindo os olhos, ela inspirou profundamente. Queria conversar? Ocorreu-lhe que, na certa, não havia ninguém que entenderia melhor do que sua mãe o que ela estava sentindo.

Afinal, assim como seu casamento com Edward, o casamento da mãe dela fora arranjado originalmente por questões de negócios. Até Charlie deixar Renée encantada. Isabella estremeceu. E, num caso de repetição histórica, ela também se apaixonara por seu noivo de conveniência.

A grande diferença era que Charlie convencera a mãe dela de que a amava. Ao passo que Edward não fizera nenhuma dessas promessas de devoção. Na realidade, deixara brutalmente claro que não queria uma esposa, nem um filho.

—      Não há muito a dizer. — Isabella afundou na beira da cama.

Venha se sentar aqui comigo e me diga o que andou fazendo enquanto eu estive fora.

—      Aquela adorável Leah Cleorwoter tem vindo me visitar e também tem falado com a polícia. — Renée soltou um leve suspiro ao se acomodar na cama, ao lado de Laurel. — Na verdade, o detetive acabou de sair. A suspeita dele está firmemente sobre Jacob Black. Como você sabe, o único problema é que Jacob tem um álibi. Os funcionários do escritório dele afirmam que ele ficou trabalhando até tarde naquela noite.

Isabella entrelaçou seus dedos nos da mãe.

—      Mas isso não deve contar. Quero dizer, ele poderia tê-los subornado para que dissessem isso. — Isabella não conseguia acreditar que a polícia não avançara nada desde quando ela viajara a Las Vegas.

Sua mãe tivera razão não fora necessário ficar.

—      E também tem o pequeno problema de o carro dele ter sido visto no estacionamento perto da sede do GS.

—      Mas ele nega ter estacionado lá também, filha.

—      Que estranho. Ele deve estar mentindo. O que Leah Cleorwoter acha?

—      Ela disse que ainda quer investigar mais, mas está determinada a encontrar o culpado.

Isabella também estivera. Ela pensou no último item da lista. Número dez: encontrar o assassino de papai. A tarefa mais difícil de todas. E ela não progredira nada nisso. Provavelmente, Leah se sairia muito melhor na resolução do caso do que ela jamais poderia se sair... Contanto que Leah não deixasse seu coração governar sua cabeça.

—      Se a polícia não está chegando a lugar nenhum, talvez Leah seja a melhor pessoa para invalidar o álibi de Jacob. — Ela apertou a mão de Renée. — Quanto mais rapidamente ele for preso, mais rapidamente também você vai poder reconstruir a sua vida.

E, quando Jacob Black fosse preso, todas as chances de ele ser eleito presidente do GS na reunião de junho desapareceriam de uma vez por todas. Isabella sabia que ela, sua mãe e seus irmãos soltariam um suspiro aliviado.

—      Já estou reconstruindo a minha vida. Pedi a Alice para ajudar a planejar meu casamento com Phil. Devemos nos casar daqui a um mês ou dois.

—      Ah, mamãe, é uma notícia tão boa!

A tristeza tocou Isabella. Torcia para que sua mãe tivesse mais sorte no casamento do que ela tivera. Pensar em seu casamento, nos problemas, foi suficiente para fazer Isabella ter vontade de chorar sem parar no ombro da mãe.

Quando o crepúsculo chegou, Isabella ficou na mansão Swan para a reunião semanal da família. Apesar de ficarem todos surpresos por vê-la, o apoio da família foi imediato. Seth estava lá com Jessica e Eric fora descobrir se Pamela tinha algum petisco guardado para ele. Emmett e Rosalie chegariam depois.

Segura no seio de sua família, o amor a aqueceu.

Angela e Ben só tinham olhos um para o outro.

Alice estava radiante, tão linda, e trocando olhares secretos com Jasper, os dois claramente em seu próprio mundo. Isabella invejou aquela intimidade. Era o tipo de casamento que queria para si.

Mas uma coisa se destacou quando estavam terminando a refeição que Pamela preparara para a família o relacionamento entre ela e Jasper mudara. Ele era cunhado dela agora... não mais seu melhor amigo. A velha tranqüilidade na conversa com ele se fora para sempre.

E, além disso, como Isabella poderia conversar com ele sobre Edward? Seria injusto. Edward era o outro melhor amigo dele.

Entretanto, Jasper parecia triste, e ela logo descobriu por quê.

—      Edward  me ligou — disse ele.

Isabella o olhou fixo.

—      Quando? Por quê?

—      Ele parecia achar que estávamos com algum tipo de emergência na família. Queria saber se estavam todos bem.

Ela desviou o olhar, seu rosto se esquentando, uma pontada de culpa torcendo seu coração.

—      Não pensei que ele fosse se importar — resmungou. — Acho que isso significa que o coração dele não é um bloco de gelo.

—      Edward tem coração — afirmou Jasper.

—      Você acha? Não tenho tanta certeza.

Não foi necessário o olhar atravessado de Jasper para que ela soubesse que estava sendo injusta. Apesar de sua amargura, Isabella sabia que ele tinha coração. Afinal, tivera vislumbres de sua bondade com as crianças e com os idosos. O que Edward não tinha era espaço em seu coração para ela. E isso nunca mudaria.

—      A culpa é minha.

Isabella gesticulou, descartando a ideia.

—      Besteira. Não se culpe por ter nos apresentado, Jasper. Teríamos nos conhecido mais cedo ou mais tarde.

— Você não entende.

O  coração de Isabella desabou como uma rocha na assombrada escuridão dos olhos dele.

—      O que eu não entendo?

Jasper olhou à volta. Todos os outros estavam envolvidos em conversas. Ele baixou a voz:

—      Eu sugeri a Edward que se casasse com você.

—      Você sugeriu? Quando?

—      Depois que você me dispensou.

—      Por que você faria algo assim? Por quê?

Angela parou de conversar com Rosálie e virou a cabeça. Isabella abriu rapidamente um reconfortante sorriso para a irmã. Depois de um instante, Ângela retribuiu o sorriso, e, quando Rosalie falou com ela, ela se virou para retomar a conversa.

Isabella suspirou, aliviada. Fora por pouco. A última coisa que ela queria era a preocupação de sua irmã.

Remexendo-se irrequieto, Jasper murmurou:

—      Edward estava com um problema. Eu disse a ele que você podia ser a solução.

—      Simples assim? — Que coisa típica dos homens! — E ele concordou?

Jasper soltou uma risada constrangida.

—      Que homem não concordaria? Eu disse a ele que você era linda e inteligente, e que não tinha como ele errar.

Como um vendedor de cavalos exibindo as características boas dela. Isabella falou levemente por entre os dentes cerrados:

—      Obrigada, Jasper!

Ele parecia se sentir muito culpado.

—      Você está furiosa. Em todos os anos desde que a conheço, nunca a vi furiosa, sabia disso?

Quando os segundos se estenderam num desconfortável silêncio, Jasper falou, hesitante:

—      Posso tentar consertar as coisas.

—      Como?

—      Se eu ligasse para ele...

— Não! De jeito nenhum. Não quero que você tente ajudar.

—      Desculpe. Magoei você. Nunca pensei que... — Jasper balançou a cabeça, e sua voz desapareceu.

—      Esse é o problema. Homens simplesmente nunca pensam nos problemas que causam!

—      Não posso estar grávida.

Era a manhã de segunda-feira, e o dia já começava a ficar ruim.

A médica ergueu os olhos dos resultados.

—      Você não teve nenhum relacionamento sexual? — A preocupação reluzia atrás dos óculos dela.

—      Eu me casei... e sim, fizemos amor. — Apesar da vergonha de Isabella, a médica pareceu aliviada. — Mas nunca tive a intenção de engravidar... tomamos precauções. Menos uma vez — acrescentou, lembrando-se da noite na piscina.

—      Nem sempre elas funcionam cem por cento.

A vontade de rir histericamente aumentou.

—      Sei disso. Minha mãe teve essa conversa comigo quando fiz 15 anos e saí no meu primeiro encontro como meu melhor amigo.

O  que quero dizer é que isso não pode estar acontecendo, comigo. Sou adulta. Sensata.

Até a avó de Edward achara isso.

—      Sem dúvida, não sou do tipo de mulher que engravida por acidente.

A médica fez uma expressão de dor.

— Engravidar acidentalmente acontece... até com mulheres de negócios sensatas e adultas. Trate isso como uma bênção. Porque tenho pacientes adultas ainda mais sensatas que adorariam engravidar por acidente.

Aquelas palavras a atingiram em cheio.

Um embargo se formou na garganta de Isabella.

Ela não choraria. De jeito nenhum. Em vez disso, falou:

—      Sempre planejei ter uma família. Um dia. Claro, também planejei ter um pai para os meus filhos, uma família tradicional.

A médica parecia confusa.

—      Pensei que você tivesse dito que tinha se casado.

Isabella se remexeu na cadeira diante da mesa.

—      Sim, em Vegas. Mas já terminou. Os documentos da separação foram entregues ao meu marido hoje de manhã. — Ignorando a expressão assustada da mulher, Isabella pensou em sua mãe, traída e sem amor. Em seu pai, assassinado no auge da vida. — Mas nem sempre recebemos o que pensávamos querer, não é?

Ao menos o pai dela lhe deixara a casa de praia. Ela ainda tinha isso. Subitamente, Isabella sentiu uma avassaladora-necessidade de ficar cercada pelo consolo da imensa casa.

Captain’s Watch, a majestosa e antiga casa na praia, continuava linda.

Construída no fim do século XIX quando as grandes famílias da área descobriram a praia, ela estava havia mais de um século assistindo às marés indo e vindo.

Abrindo as pesadas venezianas de madeira para deixar o sol de maio entrar, Isabella sentiu um surto de prazer renovado ao olhar para a faixa de praia onde ela passara tantas horas quando criança e, depois, quando adolescente, com seus namorados e amigos. Sua mão repousou no ventre.

—      Você também vai ter isso, meu querido, eu prometo.

A majestosa casa e o terreno à sua volta eram dela. Seu pai soubera quanto ela amava aquele lugar. Saindo da janela, ela foi até a grande mesa de madeira onde a família fizera incontáveis refeições e jogara jogos de tabuleiro em dias chuvosos. No centro da madeira clareada estava a lista... e a carta do pai dela.

Isabella sabia que não precisava mais da lista. Já tinha uma vida. Uma vida com um emprego, uma família e, em breve, também um bebê. Mas não conseguia jogar a lista fora. Ela mudara sua vida ou melhor, fizera com que ela reavaliasse o que queria da vida. Crescera, passara por experiências — a palavra aventuras a fazia lembrar demais de Edward — e encontrara uma compreensão mais profunda de quem ela era. Jamais se arrependeria disso.

Isabella pegou a lista. Leu-a por inteiro uma última vez. Apenas o item número dez — encontrar o assassino do meu pai — permanecia incompleto.

E o número quatro. Mas a ideia de tomar sorvete na cama parecia subitamente infantil.

Por ora.

Talvez Leah  tivesse melhor sorte que ela para encontrar as pistas que resultassem na prisão de Jacob. Isabella dobrou duas vezes o papel no qual escrevera a lista. Sua mão pegou uma garrafa de água vazia. Isabella empurrou o papel dobrado pelo estreito gargalo e soltou um suspiro.

A lista cumprira sua função.

Pegando a carta que fora aberta, lida e dobrada novamente tantas vezes, ela a desdobrou e absorveu as palavras que seu pai escrevera.

Minha querida Isabella,

Se estiver lendo isso, não estou mais com vocês.

Mas Captain’s Watch será sua para sempre. Sua empolgação antes de chegarmos a Captain’s Watch todo verão vibrava durante dias pela família, contagiando a todos. Uma vez, você disse a sua mãe que isso acontecia porque, apesar de a casa de praia nunca mudar, nenhum dia era igual ao outro, que o tempo passado em Captain’s Watch era uma aventura que durava um verão inteiro.

Na casa de praia, há uma foto de você comemorando uma dessas aventuras. Você está ajoelhada ao lado de um castelo de areia decorado com conchas. Eu me lembro de você perseverando o dia inteiro depois que as outras crianças tinham desistido e ido brincar de outra coisa. Você ficou lá até eu chegar para encontrá-la quando o dia já estava terminando.

O  castelo de areia estava finalizado, e você olhava para ele com uma expressão de tanto contentamento no rosto que eu soube que aquele tempo tinha sido bem gasto. Na manhã seguinte, você saiu correndo de casa assim que acordou, apenas para descobrir que a maré o tinha desmanchado. Você não chorou. Em vez disso, começou a construir novamente, mas, desta vez, fez isso longe do alcance da maré.

Deixo Captain’s Watch para você na esperança de que ela lhe traga muitas aventuras mais ao longo do curso da sua vida. Sei que seu bondoso coração vai abrir as portas para todos da família que quiserem se juntar a você na praia todos os verões.         

Tenha sempre férias felizes em família.

Com o meu amor,

Papai

Através do borrão das lágrimas, Isabella traçou a adornada assinatura de Reginald com a ponta do dedo.

A descoberta de que ele tinha outra família, outro filho, fora devastadora para todos eles, especialmente para a mãe dela.

Mas Edward não era nada como o pai dela. Não tinha outra mulher... nem outro filho. Pelo contrário, ele lhe dissera que nunca quisera filhos... nem uma esposa.

Nada mudava o fato de que ele não a amava.

Mas ele precisava saber que eles tinham gerado uma criança juntos. Pela primeira vez, Isabella sentiu uma ponta de solidariedade por Sarah Black. Sarah fizera a coisa certa. Isabella sabia que a mãe de Jacob tentara entrar em contato com Charlie uma vez, muitos anos antes, para lhe dizer que estava grávida, mas fracassara.

As lágrimas que tinham borrado a visão de Isabella se derramaram. Segurando a carta, ela levou a mão à barriga ainda plana. Diferente de Charlie, Edward teria todas as chances de fazer parte do início da vida do bebê dela.

Isabella não conseguia nem começar a imaginar como deveria ter sido doloroso para Charlie descobrir uma década depois que Sarah lhe dera um filho. Um filho que crescera para se tomar um homem amargurado e soturno, que odiava o pai o suficiente para matá-lo.

Se ao menos Jacob tivesse tido como saber que o pai o amara a ponto de lhe deixar 45 por cento do Grupo Swan, a obra da vida de Charlie...

Talvez, se Jacob tivesse sabido, isso pudesse ter transformado seu ódio em esperança.

Mas eles nunca saberiam...

Com dedos suaves, Isabella dobrou a carta de seu pai e a pôs de volta na bolsa. Quando terminou, pegou o celular.

Depois de organizar seus pensamentos, preparando o que iria dizer a Edward quando ele atendesse, ela ficou quase decepcionada quando a ligação caiu no correio de voz. Depois de hesitar por um momento, ela desligou.

Não podia deixar uma mensagem. Aquilo era algo que ela precisava contar diretamente a ele.


Dali à um hora, tornaria a ligar e, se não conseguisse falar com ele, simplesmente teria de pegar um avião e voltar a Diyafa.

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