A proposta de Good Time, dirigido pelos irmãos Joshua e Ben Safdie, é algo que fica claro já em seus créditos iniciais, que, grafados em neon, acompanhados por uma música eletrônica e trazendo informações sobre copyright sob o título, apontam uma abordagem estética que agregará elementos das décadas de 70 e 80 para contar a história de Connie Nikas (Robert Pattinson), um rapaz que, determinado a conseguir dinheiro para se mudar com o irmão Nick (Ben Safdie) para um lugar no qual este escape da brutalidade da avó, decide levá-lo em um assalto a banco que logo começa a dar errado.Fotografado por Sean Price Williams com uma paleta cujas cores parecem ter sido filtradas por luzes fluorescentes que tiram sua vitalidade e diminuem consideravelmente o contraste, o filme tem uma estética calculadamente crua que reflete com propriedade o universo do protagonista, que, mesmo criminoso e capaz de violência, projeta um ar de inocência e doçura que, somado às decisões impulsivas e estúpidas que frequentemente toma, resulta num protagonista surpreendentemente complexo para uma obra que tem mais pretensões de funcionar como exercício de estilo do que como estudo de personagem.
Parte do mérito por isso cabe a Robert Pattinson, que, além de trazer suavidade a uma figura tão bruta, mantém as boas intenções de Connie sempre palpáveis sob seu desespero e suas explosões – e é curioso perceber como somos simultaneamente convencidos de que ele não faria mal às pessoas que




